Namoro à distância, funciona?

Quem já namorou à distância, sabe que é um assunto sempre muito delicado. Tem namoro que começa longe e depois vem para perto, tem namoro em que um precisa ficar um tempo afastado do outro por algum motivo específico. Mas duas verdades regem esse tipo de relacionamento: um dia, a distância precisa ter fim, e o amor tem que prevalecer, sempre. Me acompanhe para entender.

 

Aproveitando que estamos no mês dos namorados, é sempre bom lembrar o quanto os relacionamentos são um assunto importante na nossa vida. Somos seres relacionais, portanto, nossa natureza busca pessoas com quem possamos conviver – e isso é algo que nos permite crescer e aprender muito. Mas, aí, vem a pergunta: namoro à distância, funciona? Minha primeira resposta será sempre SIM. Quando realmente desejamos, conseguimos fazer o relacionamento funcionar independentemente das condições e dos obstáculos.

No entanto, eu acredito que a distância deva ser muito bem trabalhada e precisa ser algo com começo, meio e fim. Do contrário, o relacionamento amoroso fica inviável. Pode até virar amizade (colorida ou não). Mas, relação de casal pede convivência, dia a dia, uma certa rotina, olho no olho, pele. Não é mesmo? Imagine viver anos a fio em ponte aérea, tendo que fazer um esforço imenso para conseguir ficar algumas horas ou poucos dias ao lado da pessoa amada?

Mas, calma! Vamos por partes. Existem dois tipos de namoro à distância: o primeiro é aquele clássico, que começa em férias de verão, em uma viagem, em uma visita à casa de parentes. Duas pessoas se conhecem, se apaixonam e acreditam totalmente que, apesar de sofrida, a distância não será um empecilho. E, no começo, não é mesmo. Mas, e com o tempo? Será que ficar longe durante um longo período é saudável para a relação? Eu acredito que não, que estar juntos fisicamente também importa e precisa ser um objetivo do casal. Então, essa relação pode funcionar com um estando longe do outro por um tempo. No entanto, é preciso que haja planos para, em algum momento, estarem efetivamente juntos – pelo menos, morando na mesma cidade. E o ideal é que isso aconteça, de preferência, antes que as coisas esfriem.

O outro tipo de relação à distância é aquele que a relação já existia antes do afastamento, ou seja, que era convencional até o momento em que um dos dois precisa se ausentar por algum motivo. Pode ser por causa de trabalho, um projeto em uma outra cidade, um curso fora do país, a necessidade de cuidar de um parente que mora longe – algo que tenha data para começar e terminar. Esse caso é bem diferente do primeiro, pois subentende-se que as bases da relação já estão mais sólidas, há cumplicidade, parceria, apoio. Aí, prevalece o espaço, o torcer pelo outro, a compreensão com uma situação de momento, que logo terá fim e trará a pessoa para perto de novo. Apesar de desafiante e até sofrida, esse tipo de relação à distância tem muito mais chances de dar certo.

A questão é que, relacionamentos à distância, principalmente do tipo que começam com o casal vivendo longe um do outro, deixam muita margem para a imaginação. Isso acontece tanto para o lado da fantasia de estar se relacionando com um par perfeito (que não tem defeitos e não comete erros) quanto para o lado oposto (medo constante da traição ou do abandono, por exemplo). Por isso, autoconhecimento, segurança pessoal e confiança mútua são ingredientes essenciais para que ambos possam ser honestos um com o outro e para que estabeleçam seus limites, inclusive do tempo de duração da distância. Sim, é de extrema importância que cada um expresse seus limites, suas necessidades e seus objetivos para que o relacionamento possa fluir e ser uma construção a dois (mesmo à distância).

Se há amor, sempre haverá uma chance, mesmo à distância

Nas duas situações que citei acima, a mesma lógica acontece: é preciso que, em um determinado momento, os dois voltem a ficar perto um do outro. Estar à distância o tempo todo pode fazer com que, aos poucos, os interesses mudem e seja quase impossível dizer que existe um relacionamento. E, veja bem, não estou falando sobre rótulos, que é preciso se casar, morar na mesma casa, ter filhos. Isso tudo é natural, ou não, de cada casal. Tem relação que funciona muito bem com cada um morando em sua casa por anos e anos. E tudo bem! O importante é que, além de amor, carinho, respeito e tudo mais que um relacionamento amoroso saudável possa ter, também haja constância, convivência, dia a dia. Namoro só funciona mesmo quando é de verdade, isto é, quando tem amor. Esse é o sentimento que faz com que haja vontade de estar perto, de traçar planos em comum, de construir uma história a dois. Do contrário, é só um passatempo.

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Por que algumas pessoas sentem ciúme e outras não?

Se você é daquelas que acredita ser imune ao ciúme, sinto informar, mas ciúme é um sentimento inerente a todos os seres humanos. Ele aparece como uma resposta emocional à necessidade de apego e ao medo da perda – que todos nós temos em algum nível. Mas, então, por que algumas pessoas não aparentam sentir ciúme?

 

Tem gente que se julga incapaz de sentir ciúme. Normalmente, são pessoas que se consideram empoderadas e super seguras de si, logo, não têm ciúme de nada e de ninguém. Mas, a verdade é que o ciúme é um sentimento como qualquer outro, portanto, inerente a todos nós, seres humanos. O mesmo acontece com a raiva e com a tristeza, por exemplo, todo mundo sente. O que varia é a forma como cada pessoa lida com seus sentimentos e suas emoções e, principalmente, como os expressa. Não é porque alguém quase não chora que não sente tristeza. E sabe aquela pessoa que aparenta estar sempre calma e centrada? Pode apostar, ela também sente raiva de vez em quando. Assim também funciona com o ciúme.

Acredite, todo mundo sente ciúme em algum nível ao longo da vida. E não há nada de errado nisso, desde que não prejudique nosso bem-estar e nossas relações. Quem não sofre por causa do ciúme, costuma olhar mais para dentro (para si mesma) do que para fora (para o outro). São pessoas que confiam em si mesmas, conhecem o próprio valor e estão no comando de suas emoções. Já quem sente muito ciúme, costuma olhar mais para fora do que para dentro, se preocupa mais com o que o outro faz do que com o próprio comportamento. Além disso, quando temos medo de ser trocadas por outra pessoa ou de ser menos amadas do que ela, estamos implicitamente fazendo uma comparação entre tal pessoa e nós mesmas. E é óbvio que, nessa comparação, nos sentimos ameaçadas, inseguras e inferiores. Ou seja, o ciúme pode ser um reflexo de uma série de outros sentimentos e fatores que precisam ser trabalhados dentro de nós.

A diferença entre as pessoas que dizem não sentir ciúme ou não demonstram senti-lo e você, que talvez morra de ciúme de tudo e de todos (e todo mundo já sabe), é que elas não deixam esse sentimento tomar conta de suas vidas. Elas não o alimentam, não se deixam ser comandadas por ele. No fundo, a impressão de não ter ciúme nada mais é do que a capacidade de controlá-lo. Mas, como controlar algo tão abstrato e que pode ser tão intenso? O caminho é um só: se conhecendo, aprendendo seu próprio funcionamento emocional, identificando suas dores, suas faltas, suas feridas, suas fraquezas e as situações em que você se sente desprotegida, rejeitada e abandonada.

O ciúme é uma resposta à nossa possessividade, ao nosso apego, ao medo de perder algo ou alguém que é importante para nós, à sensação de inadequação, ao receio de não ser boa o suficiente, à necessidade de controle. E ele se alimenta da insegurança, da falta de autoconfiança, da baixa autoestima. Por mais que essas não sejam características constantes nossas, certamente, há dias em que estamos mais frágeis e vulneráveis e elas vêm à tona. Então, para vencer o ciúme, o jeito é entender de si e se fortalecer emocionalmente.

Como eliminar o ciúme?

Eu não acredito que possamos eliminar o ciúme da nossa vida, pois é parte da natureza humana. A grande chave é aprender a lidar com ele. Pessoas que questionam suas crenças e verdades, que alimentam sua autoestima e que buscam apoio são capazes de lidar melhor com esse sentimento que, apesar de natural, pode ser bastante incômodo e danoso. Não deixe que o ciúme prejudique sua vida, suas relações e coloque seu bem-estar em jogo. Aprenda a controlar suas emoções para não ter sua vida e seus comportamentos controlados por elas.

Se você precisa de ajuda, venha participar do CLUBE DA CIUMENTA – um grupo de apoio para mulheres que sofrem com esse mal. Os encontros acontecerão a partir de 18 de junho, online e ao vivo, às 19h30 (horário de Brasília).

*Saiba mais clicando em: https://bit.ly/2Ih7GN0

*Inscreva-se clicando em: https://bit.ly/31alKOt

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A síndrome do “ele é demais pra mim”

Há um tipo de comportamento que muitas de nós costumam apresentar quando “o cara” chega à nossa vida: travamos, receamos, passamos a ter medo daquilo que sempre sonhamos. É o que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”.

 

Todo mundo já sonhou em encontrar a pessoa ideal e viver um relacionamento amoroso saudável e feliz, não é mesmo? Deixando de lado todas as expectativas irreais, as características dignas dos príncipes encantados, as imposições sociais, o que a nossa família e os nossos amigos pensam, essa pessoa existe! Acredite, há alguém que é exatamente o que a gente procura. E aí, quando fazemos a nossa “lição de casa” direitinho, desenvolvendo as mesmas características que procuramos no outro e nos abrindo para novas experiências, eis que ele aparece. Sim, isso é plenamente possível.

E o que acontece com você quando esse momento finalmente chega à sua vida? Você conhece “o cara”, há o encontro, há reciprocidade. E aí? É muito comum que nessas horas a gente trave, se desespere, comece a pensar que é bom demais para ser verdade, que essa pessoa é demais para nós e, então, perdemos o eixo. Começamos a agir de maneira diferente, temos receio de ser nós mesmas. Aí, passamos a aceitar tudo do jeito dele, porque “vai que ele desiste de nós”? Nos tornamos alguém que nunca diz “não”, que aceita todos os programas, que raramente coloca a própria opinião e expressa os próprios gostos, que muda até a própria vida para “caber” na vida do outro. Quem aí se identifica?

Esse tipo de comportamento ilustra aquilo que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”. É quando a gente passa a se sentir menor, inferior. Quando não nos sentimos merecedoras daquilo que a vida nos apresenta. Quando temos medo de perder o que temos. Assim, nosso amor-próprio e nosso autorrespeito pelas nossas vontades e pelos nossos valores parecem desaparecer no meio do receio de que a mágica simplesmente se desfaça. E então, sem que a gente perceba, passamos a jogar contra nós mesmas. Talvez a gente pense que agir assim favoreça a relação, mas o que acontece é o exato oposto. E é assim porque nossas ações estão sendo guiadas pelo medo e não pelo amor.

O intuito de parecer uma pessoa neutra, flexível e que agrada a todos vai contra a construção de um bom relacionamento. Pense bem: você gostaria de se relacionar com alguém que não se coloca, que não se expressa e que sempre concorda com tudo? Pode até parecer atraente no início. No entanto, aos poucos vai perdendo a graça. A gente gosta de pessoas com atitudes, opiniões, seguras de si, que têm vida própria, certo? Pois bem, achar que o outro é demais para nós vai contra tudo isso. Tenha a certeza de que se realmente há amor, há espaço suficiente para que você seja exatamente quem é e o ame do jeito que ele é.

Esqueça as comparações!

Eis uma verdade absoluta: ninguém é melhor do que ninguém. Pensar que alguém é demais para nós reflete a nossa mania descabida de comparação e de depreciação de quem somos. Sim, porque afirmar que o outro é demais, é dizer que não somos boas o suficiente. E essa é a maior mentira na qual podemos acreditar. Entenda: somos todos seres incomparáveis! Não existe ninguém nesse mundo melhor ou pior do que ninguém.

Existe alguém que esteja em sintonia com o seu momento, com os seus objetivos, com os seus sonhos, que vai te apoiar, complementar a sua vida. E, se ele apareceu, é porque você merece, sim! Não tenha medo. Não se boicote. Não jogue contra você mesma. Seja sempre quem você é, aconteça o que acontecer. Só assim você será capaz de construir e viver relacionamentos baseados em verdade, honestidade e sinceridade. Se não for dessa forma, nem vale a pena.

 

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Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo

Sim, entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo, acredite. Encontrar esse caminho do meio nos traz para a realidade, nos proporciona equilíbrio e nos permite ser mais felizes nas relações.

 

Buscar preencher vazios existenciais nos relacionamentos é um erro mais comum do que a gente imagina. Muita gente que se sente carente ou pouco merecedora, acaba aceitando o que aparece, se apegando a qualquer pessoa que demonstra o mínimo interesse, ávida por viver um relacionamento amoroso. Só que a ideia de que uma relação possa nos curar das nossas crises existenciais é um mito que só traz frustração e mais sofrimento. Ninguém entra em um relacionamento só para receber, certo? Mas, como dar o que não temos? Quem se agarra a “qualquer coisa” ou a “qualquer um” pode acabar vivendo de migalhas. E, pior, pode se envolver numa relação tóxica sem se dar conta.

Por outro lado, temos lido e ouvido muito por aí a frase: “não aceite menos do que você merece”. Eu mesma já postei essa frase algumas vezes por aqui. No entanto, apesar de concordar plenamente com essa ideia, quero chamar a atenção para a situação oposta da que descrevi acima. Todas nós deveríamos nos sentir merecedoras de viver um amor verdadeiro, duradouro, profundo e saudável. Somos todas dignas de viver relações felizes. Mesmo. Mas não podemos nos iludir ou fantasiar com relacionamentos que só existem na ficção. Achar que ninguém é bom o suficiente para nós, também nos traz frustração e sofrimento.

Os dois cenários são lados da mesma moeda. O ideal é que a gente consiga encontrar um equilíbrio entre eles. Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” existe um meio termo. Para encontrarmos esse equilíbrio, necessitamos de muito autoconhecimento – já que temos que ter plena consciência do que realmente merecemos, sem deixar de lado o fato de não sermos perfeitas. Por que aceitaríamos nos envolver com pessoas que não tem nada a ver com a gente? Só para ter alguém? E por que acharíamos que merecemos nada menos do que um príncipe da Disney como parceiro? Quem aí se acha uma perfeita princesa de contos de fadas?

A verdade é que estamos vivendo um tempo ímpar para as relações. Por séculos, o mais importante para nós, mulheres, era estar em um relacionamento que preenchesse os requisitos sociais. Nossas avós (ou até mães) viveram em uma época em que encontrar um parceiro, namorar, casar e ter filhos era meta de vida. Por isso, eram condicionadas a aceitar determinados comportamentos, mesmo que eles não estivessem condizentes com seus desejos mais profundos. Algumas de nós, ainda têm esse pensamento, pois receberam ensinamentos dessas avós e dessas mães.

Contudo, o século XXI nos trouxe uma onda maior de feminismo e empoderamento feminino. Os movimentos atuais nos mostram de várias formas, que estar em uma relação não necessariamente precisa ser meta de vida. Que aceitar aquilo que não condiz com nossos reais desejos e nossos projetos de vida, é desnecessário e, inclusive, desleal com a própria alma.

Ufa! Só que aí, entramos em divergência: queremos uma relação, mas não qualquer uma. Queremos alguém que nos aceite 100% como somos, que se adapte, que nos entenda, que nos agrade, que nos ame, que nos faça feliz, que não seja exigente, que não seja chato, que não erre, enfim... que não tenha defeitos. E aí, pulamos de relação em relação na esperança de um dia encontrar a pessoa que tanto merecemos. Nos decepcionamos uma e outra vez, pois, nos esquecemos que relacionamento perfeito não existe e que amor verdadeiro não se encontra, se constrói. Essa é a verdadeira realidade.

O caminho do meio traz equilíbrio e bem-estar

Para escolher de uma forma equilibrada, é preciso estar com o autoconhecimento em dia. Quando nossa autoestima está em ordem, dificilmente aceitamos alguém que nos menospreze ou que não agregue à nossa vida. E quando levamos a frase “não aceite menos do que você merece” a um nível exagerado, talvez deixemos passar oportunidades de construir uma relação saudável por não encontrar ninguém à altura ou simplesmente por medo de perder nosso empoderamento pessoal.

O meio termo é, certamente, a forma mais concreta de se construir relações saudáveis. É o caminho do meio que traz equilíbrio às nossas relações e bem-estar aos nossos dias. Para isso, entender quais são nossos valores, o que realmente têm importância para nós, ajuda muito. Saber que não podemos aceitar menos do que oferecemos, por exemplo, também é uma ótima baliza. Esteja aberta para o que a vida tem a lhe oferecer em termos de relacionamentos e, sobretudo, atenta às suas escolhas. Escolha com sabedoria e seja feliz!

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Relacionamentos não precisam ser PERFEITOS para serem SAUDÁVEIS

O maior erro que podemos cometer sobre relacionamentos talvez seja acreditar que devam ser sempre perfeitos. Nenhum é, nem mesmo os mais saudáveis. Mas aqueles que funcionam e que nos geram mais alegria e satisfação têm, sim, algo em comum. O que será?

 

Desejar a perfeição pode ser a maior cilada da vida, especialmente quando falamos sobre pessoas e relacionamentos. Já falamos diversas vezes por aqui: ninguém é perfeito, portanto, as relações também não são. Entretanto, isso não significa que não possamos desejar relações mais saudáveis e trabalhar para construí-las. Mas, antes, é preciso entender a diferença entre os conceitos. Relacionamentos saudáveis não são necessariamente perfeitos, mas certamente despertam em nós o sentimento de bem-estar, alegria e são compatíveis com os nossos desejos e valores. Pensar sobre isso pode ser um bom começo.

Ao longo da vida, costumamos criar uma série de fantasias sobre os relacionamentos, sobre como eles devem ser para nos satisfazer, sobre como as pessoas envolvidas devem ser e se comportar. E essa fantasia toda não leva em consideração que as pessoas são feitas de carne, osso, desejos, emoções, sentimentos, sonhos e medos. Esquecemos que cada um de nós, seres humanos, é instável e passa por transformações constantes. A própria vida é impermanente. Então, a verdade é que mesmo aquilo que sempre esperamos de uma relação vai mudando com o tempo, conforme crescemos, aprendemos e amadurecemos, não é mesmo?

Permanecer focadas nas fantasias e nas ideias inflexíveis sobre como é se relacionar de forma satisfatória, traz o risco de nos decepcionarmos constantemente. Sim, pois quem espera nada menos do que a perfeição da vida, dos outros, de si mesma e dos relacionamentos, vive se frustrando a cada instante. Mas, calma! Isso não quer dizer que devamos ir para o outro oposto e acreditar que relacionamentos são extremamente complicados, difíceis e só nos fazem sofrer. Assim, é provável até que a gente se envolva em relações abusivas. Alto lá! Nem oito, nem oitenta. A realidade é que relacionamentos perfeitos não existem, mas saudáveis, sim!

O que relacionamentos saudáveis têm em comum?

Relacionamentos saudáveis não são perfeitos, mas, de modo geral, nos trazem satisfação, alegria, bem-estar. Existem diversas características que podem ser percebidas em relacionamentos que duram no tempo e nos quais há harmonia e equilíbrio: geralmente, os desejos de ambos são contemplados, as diferenças são respeitadas, há troca, existe cumplicidade e alegria em compartilhar momentos, certo? Isso porque, quando nos relacionamos de forma saudável, há espaço para sermos exatamente quem somos e permitimos que o outro seja exatamente quem é. É possível presumir, então, que relacionamentos saudáveis sejam construídos por pessoas inteiras, que sabem bem o que querem da vida.

Entender esse tipo de engrenagem nas relações nos ajuda a perceber o que falta para atingirmos esse patamar de plenitude e satisfação. Construir e viver relacionamentos saudáveis pode não ser a coisa mais fácil do mundo, porque requer abertura de ambas as partes para se entregar e buscar soluções para as questões que surgem no dia a dia de qualquer casal, sem que isso abale as estruturas da relação. Mas, acredite, se há consciência, força de vontade, determinação e entrega, certamente é possível.

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Ele não me quis, e agora?

Sabe quando a gente se interessa por alguém e essa pessoa não retribui? Isso pode acontecer até mais do que desejamos, mas faz parte da vida. O que não dá é para romantizar começos que não se desenrolaram e achar que tudo é rejeição!

 

Muitas vezes, como crianças mimadas, temos a pretensão de achar que as pessoas por quem nos interessamos têm que retribuir da mesma forma. Só que, na verdade, não é bem assim. Amor e paixão não são equações exatas. Acontece, e muito, de nos apaixonarmos e não sermos correspondidas, não é? E tudo bem! A história do “ele não me quis, e agora?” não pode virar um drama. E agora, parte pra outra! Bola pra frente! Vida que segue! Há mais sete bilhões de outras pessoas por aí.

Pensando friamente, percebemos que as pessoas são completamente livres para amar e desejar, ou não, tudo aquilo que bem entendem, certo? Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, inclusive de nós! Mas, então, por que é tão difícil aceitar que alguém simplesmente não sente o mesmo que a gente? Por que é mais fácil pensar que estamos sendo rejeitadas do que entender a parte que nos cabe de responsabilidade na hora de enfrentar a situação? Quando alguém não demonstra reciprocidade aos nossos desejos, sentimentos e intenções, cabe a nós respeitar o movimento dessa pessoa. Insistir, persistir e tentar convencer o outro a gostar de nós, além de ser desgastante e frustrante, pode ser pura perda de tempo e de energia.  

Apaixonar-se por alguém e não ser correspondida, fantasiar e romantizar algo que nunca se concretizará, criar expectativas que jamais se tornarão realidade... tudo isso pode ser bastante dolorido. Mas faz parte da vida, não é mesmo? Certamente já deve ter acontecido o oposto com você: alguém se apaixonou e você não. E aposto que, se a pessoa dramatizou a situação ou insistiu por muito tempo, você achou super inconveniente, afinal de contas, você não manda no seu coração! Quando os sentimentos das pessoas são recíprocos, tudo flui naturalmente, sem pressão, sem insistência e sem humilhação.

Dramatizar um amor não correspondido pode ser um sofrimento desnecessário. Ficaria muito mais leve se entendêssemos que nem tudo na vida acontece do jeito que gostaríamos. E sabe de uma coisa? Ninguém tem o poder de nos rejeitar! As pessoas apenas não correspondem a cem por cento dos nossos sentimentos. E quando a negativa do outro nos leva a sentir rejeitadas, certamente esse sentido de rejeição está dentro de nós. Portanto, é algo a ser trabalhado internamente.

Dramatizar a vida não ajuda em nada

Sentir-se no papel de vítima não ajuda a dar a volta por cima. Por outro lado, entender que o “sim” e o “não” são naturais da vida e que os ciclos, sejam de dor ou de amor, existem para nos ensinar a ser melhor e a amadurecer, pode dar um tom menos dramático a um amor não correspondido. Lembrando que, geralmente, quando isso acontece, o pano de fundo é de histórias que nem chegaram a se concretizar. Sofremos por um romance que aconteceu apenas na nossa cabeça. E por uma rejeição que existe apenas dentro de nós.

Você se apaixonou e ele não? Sofra e chore, se necessário. Mas, depois, siga em frente. Não se prenda à fantasia do que poderia ter sido. Não se apegue ao sofrimento. Não cultive o sentimento de rejeição. Não se acomode no papel de vítima das escolhas dos outros. Não se feche para novas oportunidades. Volte para a realidade. Encare as verdades de frente. Se não deu certo é porque não era para ser. A vida continua. E há outros amores por descobrir, sempre.

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A forma como somos tratadas diz mais do outro do que de nós mesmas

A forma como nos expressamos nos nossos relacionamentos é muito importante – ela reflete como nos sentimos por dentro. Portanto, não se culpe pelo comportamento dos outros. E não permita que as atitudes alheias influenciem na sua maneira de agir. Essa pode ser uma grande armadilha que certamente prejudicará suas relações.

Eu vivo repetindo por aí – nos meus textos, nas minhas postagens, nos meus vídeos, nos meus atendimentos e nas minhas palestras – que, a única maneira de tentarmos mudar o comportamento dos outros é, antes, mudando o nosso próprio. É enxergando a nossa parte na relação e agindo de forma diferente. Apesar de ainda estar convicta disso, venho percebendo que temos a mania de achar que tudo que acontece na relação depende, apenas, das nossas atitudes. Só que não é bem assim.

Me explico: sabe quando após uma discussão, você fica pensando: “se eu tivesse sido mais calma/ se eu tivesse ouvido mais/ se eu não tivesse dito não, talvez a gente não teria brigado? Quando a gente pensa assim, acaba achando que o comportamento do outro depende única e exclusivamente do nosso. E aí, nos sentimos culpadas, achando que deveríamos ter feito diferente. Essa é uma cilada bastante frequente nos relacionamentos. O que, de fato, acontece é que o comportamento das pessoas tem muito mais a ver com elas mesmas, com seus próprios sentimentos, sua personalidade e seu estado emocional do que com as condições externas.  

Parece confuso? É só pensar assim: o modo como o outro te trata fala muito mais dele do que de você. E, por óbvio, o modo como você trata o outro diz muito mais de você do que dele. Sacou? Grosseria, descaso, ciúme exagerado, necessidade de controle são sintomas que dizem respeito a quem os expressa, e não àqueles com quem a pessoa se relaciona. Nossos relacionamentos refletem nosso próprio universo interior. Sentimentos de mágoa, dúvida, baixa autoestima, insegurança e apego, por exemplo, assim como de amor, confiança, gratidão, alegria e serenidade direcionam nossas atitudes e regem nosso comportamento com os outros.

Olho por olho, dente por dente?

Muitas vezes, tendemos a espelhar nossas atitudes nas atitudes alheias. Isto é, quando somos tratadas com gentileza, retribuímos com gentileza, quando alguém se dirige a nós com grosseria, revidamos de igual forma, não é mesmo? Agimos assim instintivamente na maioria das nossas relações, certo? No entanto, esse é, na verdade, um modo de REAGIR e não de AGIR. Reagimos quando deixamos que o comportamento do outro direcione o nosso. Agimos quando nossas atitudes são reflexo daquilo que realmente somos por dentro, independentemente do que vem de fora.  

O que eu quero dizer com tudo isso é que da próxima vez que alguém te tratar de maneira desagradável:

1)      lembre-se de que o modo como tal pessoa te trata diz muito mais sobre a história dela e o que ela está enfrentando no momento do que sobre você, as suas atitudes e a sua bagagem;

2)      não caia na armadilha de acreditar que você fez por merecer, não se culpe pelas atitudes dos outros;

3)      não permita que o modo como você é tratada dite a forma como você trata o outro. Essa pessoa não precisa que você a trate mal, as atitudes dela demonstram o quanto ela já não está se sentindo bem. Trate-a da melhor maneira possível, mostre como você é por dentro.

Somos todos responsáveis pelos nossos atos. Quando estiver vivendo uma situação em que não foi tratada como gostaria, pare por alguns instantes e analise: o que a atitude do outro demonstra? Que história de vida a pessoa teve e que reflete na maneira como ela age? Da mesma forma, não deixe que os seus fantasmas, conflitos e descontentamentos internos reflitam no modo como você trata seu parceiro, seus familiares, suas amigas e seus colegas de trabalho. Relacionamento é troca. Que sejam trocas de amor, carinho, cuidado, atenção, gentileza, e não de raiva, frustrações, decepções, culpa e grosseria. Se cada um souber cuidar das próprias emoções e dos próprios sentimentos, relacionar-se se torna muito mais fácil e prazeroso.

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Seu ciúme prejudica suas relações?

Alguém aí tem dúvida de que o ciúme prejudica o amor e a convivência? Tem? Então, vamos falar um pouco sobre o ciúme e as relações.

 

Muitas mulheres que me procuram com problemas de relacionamento, sofrem por causa de ciúme. E, a grande maioria delas, sofre porque acredita que o outro é quem precisa mudar para que elas possam deixar de sentir insegurança e voltar a confiar. Mas, será? Será mesmo que o remédio para o nosso ciúme e o nosso sofrimento está nas mãos do outro? E será que temos a real dimensão do quanto o ciúme prejudica as nossas relações? Eu acredito que não, e falar sobre isso é urgente e necessário.

A crença de que o ciúme é prova de amor e que é um bom tempero para os relacionamentos tem deixado muitos casais por aí em pé de guerra. Isso porque tem quem acredite que, se não há ciúme, não há amor! Mas, não poderia haver crença mais distorcida. Que tal trocarmos essa crença equivocada pelo pensamento de que “quem ama, confia”? Ou você acredita que é possível amar alguém sem confiar? Quando existe sentimento real, aprendemos a confiar no outro. Do contrário, não é amor... pode ser carência, dependência, apego ou algo do tipo. Mas, não amor. E para que a gente possa amar e confiar em alguém, a regra de ouro diz que devemos, antes, nos amar e confiar em nós mesmas. Lembra?

Compreender de verdade até que ponto o ciúme prejudica nossas relações pode ser um exercício sofrido. Muitas vezes, preferimos fugir a enxergar essa realidade. Isso porque, no fundo, ninguém gosta de admitir que sente ciúme. Muito menos que isso prejudica a nossa vida. Mas, calma. Vamos por partes. Você acha que suas amigas te veem como alguém ciumenta? Perguntar a elas pode ser bastante útil – não para que elas te definam, mas para ter uma noção de como as pessoas do seu convívio te enxergam. E seu companheiro, será que ele acaba não contando algumas coisas que acontecem no dia a dia dele, com medo de que você entenda como motivos para sentir ciúme? E você, lá no fundo, se considera uma pessoa insegura? Como essa insegurança reflete nas suas relações? Pensar sobre esses pontos pode te ajudar a entender se o ciúme é ou não prejudicial na sua vida.

Nossas relações merecem amor, não ciúme

Uma coisa é fato: todas nós sentimos ciúme em algum momento da vida. Sentir ciúme de forma amena e passageira, é perfeitamente normal, porque vem da nossa vontade de que as coisas permaneçam sempre como estão. A impermanência da vida pode ser bastante assustadora, não é? Se vivemos um amor maravilhoso, pertencemos a uma família especial, temos as melhores amigas que alguém poderia ter... não queremos que nada disso mude, certo? Mas, estar em estado de alerta ou de defesa, desconfiando de tudo e de todos é bastante prejudicial não apenas para nós, mas para nossas relações.

Faça uma análise das suas relações. O que não anda bem? Quem é o responsável por aquilo que não está como você gostaria? Observe como você se relaciona com a mudança, com o imprevisto, com a impermanência da vida. Geralmente, quem tem não teme o novo e o que não se pode controlar, consegue construir relacionamentos mais saudáveis, sólidos e duradouros. Do contrário, vive estressada e com receio do que pode estar por vir.

Assim acontece com quem sente muito ciúme: vive insegura e com medo do que pode vir a acontecer. E o ciúme passa a ser como um terceiro elemento na relação – sempre rondando, desgastando, semeando desconfiança, trazendo desconforto e até brigas.  Mas, e se fosse o contrário, e se você tivesse alguém sempre desconfiando de você, como se sentiria? Fazer esse exercício pode te ajudar a entender melhor a situação e o quanto o seu relacionamento tem sido prejudicado por conta do ciúme.

Experimente ouvir seu coração. Ele tem a resposta sobre o quanto, de verdade, você e suas relações sofrem por causa do seu ciúme. E saiba que tudo tem solução. Nós somos seres mutáveis e, conforme amadurecemos, podemos provocar muitas mudanças positivas em nossa vida. Lembre-se: se você precisar de ajuda para aprender a driblar o ciúme, nosso Clube da Ciumenta* começa na próxima terça-feira, dia 30 de abril, e as vagas são limitadas. Venha conversar sobre esse assunto, conhecer histórias de vida, trocar experiências. Você não está sozinha!

*Inscrições: https://bit.ly/2Hs8i1S

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Ciúme – de quem é o problema?

Quando a gente sente aquele medo de perder alguém ou de ser trocada por outra pessoa – o sentimento em questão diz respeito a quem? Tem mais a ver com quem somos e com as nossas próprias percepções ou é uma consequência do comportamento das pessoas com quem convivemos? O que você acha?

 

Na verdade, eu nem gosto de me referir ao ciúme como um “problema” porque, nem sempre ele é realmente um problema. O ciúme é um sentimento como qualquer outro, basta sabermos lidar com ele. Ele passa a ser um problema apenas quando e se começa a prejudicar nossa vida e nossas relações. Quando permitimos que ele cresça dentro de nós, ele pode tomar proporções enormes e fazer com que a gente perca a cabeça e faça até loucuras. E tudo isso com o intuito de “defender o que é nosso”, não é mesmo?

No entanto, nos esquecemos que, quando se trata de pessoas, nós não “temos” ninguém, não “possuímos” ninguém. Então, a sensação de posse é totalmente irreal. E esse medo de “perder” quem amamos surge da nossa própria insegurança, da nossa baixa autoestima e, principalmente, da falta de confiança em nós mesmas. E é isso que a gente revela para o outro quando sente ciúme dele: demonstramos que há algo em nós que não anda bem. Ou seja, o ciúme tem muito mais a ver com quem sente do que com o comportamento do outro, propriamente dito.

Talvez você não concorde com o que acabou de ler, pois seja como muita gente que, quando admite sentir ciúme, já vai logo arranjando uma justificativa: “é que ele não me passa confiança”, ou “é que ele dá muito mais atenção a outras pessoas do que a mim”. Há até quem diga: “mas, eu tenho razões para sentir ciúme, pois já fui traída por ele”. Acertei? Então, para essas pessoas, a culpa do ciúme sempre é do outro, não é mesmo? Só que, na minha opinião, não é bem assim.

Primeiro, porque não podemos culpar ninguém por algo que nós mesmas sentimos. Temos que ter autorresponsabilidade não só por aquilo que fazemos e dizemos, mas também pelo que sentimos. Segundo, porque só confiamos no outro quando temos, antes, confiança em nós mesmas, em nossos sentimentos, nas nossas capacidades e no fato de que somos amadas, que somos especiais e merecemos o melhor. E, terceiro, porque temos que levar em conta duas questões extremamente importantes nas nossas relações: ESCOLHAS e LIMITES. A escolha de estar ao lado de alguém que tem determinado tipo de comportamento que nos provoca ciúme é nossa. Não somos obrigadas a conviver com quem quebrou nossa confiança, com quem nos desperta medo e insegurança. A escolha é nossa. Talvez você diga que o faça por amor. Tudo bem, mas ainda assim é uma escolha sua, percebe?

E o fato de amar alguém não quer dizer que devamos tolerar todo e qualquer tipo de comportamento do outro. Tolera quem se sente insegura, não se valoriza, não confia em si mesma e não se ama o suficiente. E, sim, amar-se também é imprescindível num relacionamento. E quem se ama de verdade e se valoriza, coloca limites.

Se você ainda está pensando que o ciúme pode surgir da vontade de estar junto para sempre, pare e pense: junto para sempre em que condições? Você gostaria de viver num relacionamento em que sofre com o que sente e tenha que lutar constantemente para garantir a sua segurança? Não permita que o seu medo vença e que o ciúme tome conta de você e reja seus relacionamentos. Tenha autorresponsabilidade pelos seus sentimentos, pelas suas escolhas e imponha seus limites. Empodere-se, Amarilda! Assim você certamente conseguirá combater o ciúme ou, ao menos, conviver com ele de uma forma mais saudável.

 

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Por que a gente terminou, mesmo?

Há um efeito muito comum ligado ao fim dos relacionamentos amorosos: não importa por quem a decisão tenha sido tomada, quando chega o fim, costumamos nos lembrar apenas dos motivos pelos quais iniciamos a relação. As razões pelas quais ela terminou perdem intensidade. Por que será?

 

Sabe quando a gente tem certeza de que a relação não vai mais dar certo, que já tentou tudo o que podia e que a melhor solução é seguir cada um para o seu lado? Mas, por que será que, mesmo assim, quando o relacionamento efetivamente termina, o filme que fica passando na nossa mente é aquele em que aparecem apenas os motivos pelos quais ficamos juntos lá no início? A tristeza e o luto que marcam o final do ciclo de um relacionamento amoroso são inevitáveis e perfeitamente normais. E, no meio da dor, os motivos pelos quais a relação acabou parecem ficar em segundo plano e as boas memórias e a tristeza pelo que poderia ter sido prevalecem.

Muitas vezes, a pergunta que ecoa nesse momento de desconforto profundo é: “Por que a gente terminou, mesmo?”. Isso acontece com muito mais frequência do que você imagina. Especialmente com quem termina uma relação sem brigas e sem um grande trauma. “Ah, ele era tão romântico”, “costumávamos fazer tanta coisa juntos”, “ele sempre me levava aos lugares de que eu mais gosto”, “nos divertíamos muito juntos” são algumas frases que podem vir à mente, junto a suspiros de nostalgia e à dúvida: “será que fiz(emos) a escolha certa, ao terminar?”.

A questão é que, mesmo nos casos mais complicados e dolorosos, em que haja ocorrido uma traição, por exemplo, ainda assim, as lembranças boas tendem a prevalecer sobre aquelas não tão boas.  Como um mecanismo de defesa contra a dor e a tristeza, nosso subconsciente nos leva lá para o começo da relação – onde tudo era maravilhoso e idealizado. Sim, toda relação começa com paixão, atenção, cuidado, curiosidade, admiração e carinho redobrados. Queremos tanto que dê certo que, muitas vezes, até optamos por passar por cima de alguns valores e daquilo que verdadeiramente desejamos em uma relação. E só nos damos conta disso quando a rotina chega, quando nossos sonhos já não parecem ser algo em comum e quando precisamos repensar nossas escolhas.

 

A vontade de fazer dar certo como no começo volta quando terminamos?

Será que quando a relação termina, voltamos àquele estado de positividade de quando iniciamos o romance e desejamos que tudo dê certo? Não há como saber se acontece da mesma forma com todo mundo, mas que a nostalgia do começo e o desalento pelo que perdemos de bom aparecem com o final, não se pode negar. “E se tentássemos mais um pouco só dessa vez?” – sussurra nosso coração cheio de (falsas) esperanças.

A verdade é que o melhor a fazer é sempre focar na realidade. Busque esquecer, apenas durante o período de luto, o romantismo dos primeiros tempos. É claro que ele é maravilhoso e é o que nos move no início de um relacionamento a dois. Mas a realidade mesmo, acontece no dia a dia. A rotina de um casal é feita de momentos felizes e outros nem tanto, de alegrias e desentendimentos, de conexões profundas e fases de distanciamento. Mas, se vocês terminaram, muito provavelmente é porque a balança estava pendendo mais para o lado não tão positivo, certo? Se o que pesou foi a falta de compatibilidade, as divergências de opiniões, de desejos e de objetivos individuais, e as diferentes prioridades, mais vale focar na realidade. Não há porque fantasiar com os encantos dos primeiros tempos se eles viraram apenas lembranças.

E não me entenda mal! Eu não digo que os momentos felizes e encantadores devem ser esquecidos! Esses, sim, são os que devem ficar quando você se lembrar daquela pessoa no futuro. No entanto, no primeiro momento após o término, na fase de luto, o que deve prevalecer são os motivos e as decisões quem levaram o casal a colocar um fim no relacionamento. Foco no aqui e agora, foco na realidade e nas razões que nos trouxeram até o que vocês estão vivendo no presente.

Ter um bom nível de autoconhecimento ajuda bastante no término dos relacionamentos. Só entendendo nossos reais objetivos de vida, nossos desejos profundos e nos dando o devido valor é que podemos entender com mais clareza que o período saudoso do fim é uma forma de nos despedirmos da relação, de aprender com o que passou, de sermos gratas pelo que foi. Deixe ir. Assim, novos amores poderão surgir, no tempo certo.

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