Ciúme – de quem é o problema?

Quando a gente sente aquele medo de perder alguém ou de ser trocada por outra pessoa – o sentimento em questão diz respeito a quem? Tem mais a ver com quem somos e com as nossas próprias percepções ou é uma consequência do comportamento das pessoas com quem convivemos? O que você acha?

 

Na verdade, eu nem gosto de me referir ao ciúme como um “problema” porque, nem sempre ele é realmente um problema. O ciúme é um sentimento como qualquer outro, basta sabermos lidar com ele. Ele passa a ser um problema apenas quando e se começa a prejudicar nossa vida e nossas relações. Quando permitimos que ele cresça dentro de nós, ele pode tomar proporções enormes e fazer com que a gente perca a cabeça e faça até loucuras. E tudo isso com o intuito de “defender o que é nosso”, não é mesmo?

No entanto, nos esquecemos que, quando se trata de pessoas, nós não “temos” ninguém, não “possuímos” ninguém. Então, a sensação de posse é totalmente irreal. E esse medo de “perder” quem amamos surge da nossa própria insegurança, da nossa baixa autoestima e, principalmente, da falta de confiança em nós mesmas. E é isso que a gente revela para o outro quando sente ciúme dele: demonstramos que há algo em nós que não anda bem. Ou seja, o ciúme tem muito mais a ver com quem sente do que com o comportamento do outro, propriamente dito.

Talvez você não concorde com o que acabou de ler, pois seja como muita gente que, quando admite sentir ciúme, já vai logo arranjando uma justificativa: “é que ele não me passa confiança”, ou “é que ele dá muito mais atenção a outras pessoas do que a mim”. Há até quem diga: “mas, eu tenho razões para sentir ciúme, pois já fui traída por ele”. Acertei? Então, para essas pessoas, a culpa do ciúme sempre é do outro, não é mesmo? Só que, na minha opinião, não é bem assim.

Primeiro, porque não podemos culpar ninguém por algo que nós mesmas sentimos. Temos que ter autorresponsabilidade não só por aquilo que fazemos e dizemos, mas também pelo que sentimos. Segundo, porque só confiamos no outro quando temos, antes, confiança em nós mesmas, em nossos sentimentos, nas nossas capacidades e no fato de que somos amadas, que somos especiais e merecemos o melhor. E, terceiro, porque temos que levar em conta duas questões extremamente importantes nas nossas relações: ESCOLHAS e LIMITES. A escolha de estar ao lado de alguém que tem determinado tipo de comportamento que nos provoca ciúme é nossa. Não somos obrigadas a conviver com quem quebrou nossa confiança, com quem nos desperta medo e insegurança. A escolha é nossa. Talvez você diga que o faça por amor. Tudo bem, mas ainda assim é uma escolha sua, percebe?

E o fato de amar alguém não quer dizer que devamos tolerar todo e qualquer tipo de comportamento do outro. Tolera quem se sente insegura, não se valoriza, não confia em si mesma e não se ama o suficiente. E, sim, amar-se também é imprescindível num relacionamento. E quem se ama de verdade e se valoriza, coloca limites.

Se você ainda está pensando que o ciúme pode surgir da vontade de estar junto para sempre, pare e pense: junto para sempre em que condições? Você gostaria de viver num relacionamento em que sofre com o que sente e tenha que lutar constantemente para garantir a sua segurança? Não permita que o seu medo vença e que o ciúme tome conta de você e reja seus relacionamentos. Tenha autorresponsabilidade pelos seus sentimentos, pelas suas escolhas e imponha seus limites. Empodere-se, Amarilda! Assim você certamente conseguirá combater o ciúme ou, ao menos, conviver com ele de uma forma mais saudável.

 

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