Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo

Sim, entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo, acredite. Encontrar esse caminho do meio nos traz para a realidade, nos proporciona equilíbrio e nos permite ser mais felizes nas relações.

 

Buscar preencher vazios existenciais nos relacionamentos é um erro mais comum do que a gente imagina. Muita gente que se sente carente ou pouco merecedora, acaba aceitando o que aparece, se apegando a qualquer pessoa que demonstra o mínimo interesse, ávida por viver um relacionamento amoroso. Só que a ideia de que uma relação possa nos curar das nossas crises existenciais é um mito que só traz frustração e mais sofrimento. Ninguém entra em um relacionamento só para receber, certo? Mas, como dar o que não temos? Quem se agarra a “qualquer coisa” ou a “qualquer um” pode acabar vivendo de migalhas. E, pior, pode se envolver numa relação tóxica sem se dar conta.

Por outro lado, temos lido e ouvido muito por aí a frase: “não aceite menos do que você merece”. Eu mesma já postei essa frase algumas vezes por aqui. No entanto, apesar de concordar plenamente com essa ideia, quero chamar a atenção para a situação oposta da que descrevi acima. Todas nós deveríamos nos sentir merecedoras de viver um amor verdadeiro, duradouro, profundo e saudável. Somos todas dignas de viver relações felizes. Mesmo. Mas não podemos nos iludir ou fantasiar com relacionamentos que só existem na ficção. Achar que ninguém é bom o suficiente para nós, também nos traz frustração e sofrimento.

Os dois cenários são lados da mesma moeda. O ideal é que a gente consiga encontrar um equilíbrio entre eles. Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” existe um meio termo. Para encontrarmos esse equilíbrio, necessitamos de muito autoconhecimento – já que temos que ter plena consciência do que realmente merecemos, sem deixar de lado o fato de não sermos perfeitas. Por que aceitaríamos nos envolver com pessoas que não tem nada a ver com a gente? Só para ter alguém? E por que acharíamos que merecemos nada menos do que um príncipe da Disney como parceiro? Quem aí se acha uma perfeita princesa de contos de fadas?

A verdade é que estamos vivendo um tempo ímpar para as relações. Por séculos, o mais importante para nós, mulheres, era estar em um relacionamento que preenchesse os requisitos sociais. Nossas avós (ou até mães) viveram em uma época em que encontrar um parceiro, namorar, casar e ter filhos era meta de vida. Por isso, eram condicionadas a aceitar determinados comportamentos, mesmo que eles não estivessem condizentes com seus desejos mais profundos. Algumas de nós, ainda têm esse pensamento, pois receberam ensinamentos dessas avós e dessas mães.

Contudo, o século XXI nos trouxe uma onda maior de feminismo e empoderamento feminino. Os movimentos atuais nos mostram de várias formas, que estar em uma relação não necessariamente precisa ser meta de vida. Que aceitar aquilo que não condiz com nossos reais desejos e nossos projetos de vida, é desnecessário e, inclusive, desleal com a própria alma.

Ufa! Só que aí, entramos em divergência: queremos uma relação, mas não qualquer uma. Queremos alguém que nos aceite 100% como somos, que se adapte, que nos entenda, que nos agrade, que nos ame, que nos faça feliz, que não seja exigente, que não seja chato, que não erre, enfim... que não tenha defeitos. E aí, pulamos de relação em relação na esperança de um dia encontrar a pessoa que tanto merecemos. Nos decepcionamos uma e outra vez, pois, nos esquecemos que relacionamento perfeito não existe e que amor verdadeiro não se encontra, se constrói. Essa é a verdadeira realidade.

O caminho do meio traz equilíbrio e bem-estar

Para escolher de uma forma equilibrada, é preciso estar com o autoconhecimento em dia. Quando nossa autoestima está em ordem, dificilmente aceitamos alguém que nos menospreze ou que não agregue à nossa vida. E quando levamos a frase “não aceite menos do que você merece” a um nível exagerado, talvez deixemos passar oportunidades de construir uma relação saudável por não encontrar ninguém à altura ou simplesmente por medo de perder nosso empoderamento pessoal.

O meio termo é, certamente, a forma mais concreta de se construir relações saudáveis. É o caminho do meio que traz equilíbrio às nossas relações e bem-estar aos nossos dias. Para isso, entender quais são nossos valores, o que realmente têm importância para nós, ajuda muito. Saber que não podemos aceitar menos do que oferecemos, por exemplo, também é uma ótima baliza. Esteja aberta para o que a vida tem a lhe oferecer em termos de relacionamentos e, sobretudo, atenta às suas escolhas. Escolha com sabedoria e seja feliz!

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