Relacionamento é para somar, não subtrair

A música do Caetano diz que “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. E eu digo, gente é pra brilhar, não pra se apagar por amor! Relacionamento é para somar, não para subtrair, nem fazer sofrer. Vamos falar sobre isso?

Estar em um relacionamento amoroso é importante? Sim, pode ser. Vivemos para nos relacionar e é indiscutível o quanto aprendemos e crescemos por meio dos relacionamentos. Mas, quando fazemos de TUDO para estar em uma relação de casal ou para mantê-la a qualquer custo, podemos acabar nos anulando. E aí, ao invés de somar à nossa vida e ao nosso desenvolvimento pessoal, a relação pode nos prejudicar e diminuir. Em vez de a gente brilhar ainda mais na presença do outro, acontece o oposto: ofuscamos o nosso brilho. Anular-se constantemente na tentativa de fazer um relacionamento funcionar é como viver morrendo de fome – de atenção, de afeto, da própria essência. E quando nos perdemos de nós mesmas, qualquer relacionamento perde o sentido.

É triste constatar que nos dias de hoje ainda há muitas de nós, mulheres, que acreditam que é preciso estar numa relação amorosa para se sentirem completas e valorizadas. Mas, a verdade é que pode ser o contrário. Se o relacionamento não for saudável, em vez de agregar e complementar, nos suga, diminui e prejudica. E aí é que mora o grande problema, pois os custos para estar numa relação assim são altos demais. Sim, em pleno século XXI há quem aceite se afastar dos próprios valores, sonhos e até de si mesma para estar num relacionamento a dois. As consequências desse tipo de comportamento podem ser bastante prejudiciais a médio e longo prazos. E é por isso que muitas das mulheres que me procuram para atendimentos sobre relacionamentos estão, na verdade, sedentas de si mesmas. Sabe por quê?

Porque tendemos a achar que o problema e a causa da nossa infelicidade está na relação ruim, no outro, na falta de atenção, na vida corrida, na ausência de carinhos e elogios, no ciúme exagerado do parceiro. Só que, ao olharmos bem para nós mesmas, descobrimos que a falta que sentimos, a origem do que vemos como problema, está dentro de nós. Ao escolhermos nos anular e nos afastar da nossa essência, sentimos falta de nós mesmas! Nos diminuímos demais para caber numa realidade que não nos agrega e, por isso, acabamos nos percebendo pequenas, sem futuro, sem sonhos, sem amor. E, principalmente, sem amor-próprio!

Relacione-se para somar ainda mais amor ao que você já tem aí dentro

Eu acredito que não há melhor forma de evoluir senão através dos relacionamentos. Mas não podemos deixar que a necessidade de estar numa relação seja maior do que o olhar sobre nós mesmas e o nosso próprio bem-estar. Temos que aceitar a realidade de que para [re]descobrir quem realmente somos, muitas vezes, temos que estar sozinhas. É fácil perceber quando é o momento... se te apaga, se te faz sofrer, se te apequena, não te faz brilhar. E, se não te faz brilhar, qual o sentido da relação? Gente é pra brilhar, não pra se apagar por amor!

Mas, calma! Nem todo relacionamento que não anda bem ofusca o nosso brilho. Relacionamentos são feitos de fases e, definitivamente, não são um mar de rosas. No entanto, fazer um balanço e nos perceber dentro da relação é muito importante e nos dá um norte. Como VOCÊ tem se sentindo na relação? Como tem agido? Você tem sido quem realmente é? Ou tem escolhido se anular? Por quê? Talvez, a mudança de postura precise partir de você. Muitas vezes, não é o outro que te diminui, mas você quem esqueceu da sua força e de quem é de verdade. Resgate sua força interior, mostre seu brilho. Relacione-se! Mas que seja para somar ainda mais amor ao que você já tem aí dentro. Jamais subtrair.

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Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo

Sim, entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” há um meio termo, acredite. Encontrar esse caminho do meio nos traz para a realidade, nos proporciona equilíbrio e nos permite ser mais felizes nas relações.

 

Buscar preencher vazios existenciais nos relacionamentos é um erro mais comum do que a gente imagina. Muita gente que se sente carente ou pouco merecedora, acaba aceitando o que aparece, se apegando a qualquer pessoa que demonstra o mínimo interesse, ávida por viver um relacionamento amoroso. Só que a ideia de que uma relação possa nos curar das nossas crises existenciais é um mito que só traz frustração e mais sofrimento. Ninguém entra em um relacionamento só para receber, certo? Mas, como dar o que não temos? Quem se agarra a “qualquer coisa” ou a “qualquer um” pode acabar vivendo de migalhas. E, pior, pode se envolver numa relação tóxica sem se dar conta.

Por outro lado, temos lido e ouvido muito por aí a frase: “não aceite menos do que você merece”. Eu mesma já postei essa frase algumas vezes por aqui. No entanto, apesar de concordar plenamente com essa ideia, quero chamar a atenção para a situação oposta da que descrevi acima. Todas nós deveríamos nos sentir merecedoras de viver um amor verdadeiro, duradouro, profundo e saudável. Somos todas dignas de viver relações felizes. Mesmo. Mas não podemos nos iludir ou fantasiar com relacionamentos que só existem na ficção. Achar que ninguém é bom o suficiente para nós, também nos traz frustração e sofrimento.

Os dois cenários são lados da mesma moeda. O ideal é que a gente consiga encontrar um equilíbrio entre eles. Entre “qualquer um serve” e “ninguém é bom o suficiente” existe um meio termo. Para encontrarmos esse equilíbrio, necessitamos de muito autoconhecimento – já que temos que ter plena consciência do que realmente merecemos, sem deixar de lado o fato de não sermos perfeitas. Por que aceitaríamos nos envolver com pessoas que não tem nada a ver com a gente? Só para ter alguém? E por que acharíamos que merecemos nada menos do que um príncipe da Disney como parceiro? Quem aí se acha uma perfeita princesa de contos de fadas?

A verdade é que estamos vivendo um tempo ímpar para as relações. Por séculos, o mais importante para nós, mulheres, era estar em um relacionamento que preenchesse os requisitos sociais. Nossas avós (ou até mães) viveram em uma época em que encontrar um parceiro, namorar, casar e ter filhos era meta de vida. Por isso, eram condicionadas a aceitar determinados comportamentos, mesmo que eles não estivessem condizentes com seus desejos mais profundos. Algumas de nós, ainda têm esse pensamento, pois receberam ensinamentos dessas avós e dessas mães.

Contudo, o século XXI nos trouxe uma onda maior de feminismo e empoderamento feminino. Os movimentos atuais nos mostram de várias formas, que estar em uma relação não necessariamente precisa ser meta de vida. Que aceitar aquilo que não condiz com nossos reais desejos e nossos projetos de vida, é desnecessário e, inclusive, desleal com a própria alma.

Ufa! Só que aí, entramos em divergência: queremos uma relação, mas não qualquer uma. Queremos alguém que nos aceite 100% como somos, que se adapte, que nos entenda, que nos agrade, que nos ame, que nos faça feliz, que não seja exigente, que não seja chato, que não erre, enfim... que não tenha defeitos. E aí, pulamos de relação em relação na esperança de um dia encontrar a pessoa que tanto merecemos. Nos decepcionamos uma e outra vez, pois, nos esquecemos que relacionamento perfeito não existe e que amor verdadeiro não se encontra, se constrói. Essa é a verdadeira realidade.

O caminho do meio traz equilíbrio e bem-estar

Para escolher de uma forma equilibrada, é preciso estar com o autoconhecimento em dia. Quando nossa autoestima está em ordem, dificilmente aceitamos alguém que nos menospreze ou que não agregue à nossa vida. E quando levamos a frase “não aceite menos do que você merece” a um nível exagerado, talvez deixemos passar oportunidades de construir uma relação saudável por não encontrar ninguém à altura ou simplesmente por medo de perder nosso empoderamento pessoal.

O meio termo é, certamente, a forma mais concreta de se construir relações saudáveis. É o caminho do meio que traz equilíbrio às nossas relações e bem-estar aos nossos dias. Para isso, entender quais são nossos valores, o que realmente têm importância para nós, ajuda muito. Saber que não podemos aceitar menos do que oferecemos, por exemplo, também é uma ótima baliza. Esteja aberta para o que a vida tem a lhe oferecer em termos de relacionamentos e, sobretudo, atenta às suas escolhas. Escolha com sabedoria e seja feliz!

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Os relacionamentos tóxicos e a percepção que temos de nós mesmas

Um relacionamento tóxico pode falar mais sobre a percepção que temos de nós mesmas do que podemos imaginar. De que forma você tem se valorizado e se colocado na vida? É hora de começar a pensar.

Atraímos os relacionamentos de que precisamos para aprender, essa é uma verdade. Sim, cada relacionamento que temos durante a vida tem o propósito de nos ensinar algo, principalmente aqueles mais difíceis. E os relacionamentos tóxicos, especialmente a sucessão deles na nossa vida, nos fala muito da percepção que temos de nós mesmas e o que precisamos mudar. Você se valoriza? Não responda de forma automática. Pense bastante sobre isso. De que forma você se valoriza e expressa seu valor aos outros? Colocar suas relações não tão bem-sucedidas em cheque é a forma de entender o que precisa ser modificado para trocar de padrão e começar a ser mais feliz no amor.

Existem algumas explicações possíveis para o fato de atrairmos, e aceitarmos, especialmente, relacionamentos tóxicos: não acreditarmos que merecemos algo melhor é, talvez, uma das mais fortes. Iniciar um caminho de bons relacionamentos na vida parte do princípio da autovalorização, da geração de ideias saudáveis sobre nós mesmas, do acreditar que somos, sim, pessoas do bem, emocionalmente saudáveis e merecedoras de felicidade.

Por que aceitamos relacionamentos tóxicos?

Há diversos tipos de relacionamentos tóxicos. E, alguns deles, muitas vezes, nos fazem sentir necessárias e importantes. Acreditamos que o problema do outro é nossa chance de redenção, de mostrar nosso valor, de finalmente ser parte de uma transformação. Só que do outro, não nossa! Você consegue entender o quanto essa percepção está invertida? Se o outro tem um problema, é ele quem precisa resolver. Em uma relação de casal, nosso papel é ser companheira, apoiadora, incentivadora, não terapeuta ou psiquiatra.

Amar não é entregar nossa sanidade e nossa alegria em detrimento de ficarmos sozinhas. Até porque estar sozinha pode ser uma ótima oportunidade de entender melhor quem somos, o que queremos (e não queremos) e de aproveitar nossa própria companhia. Ter consciência de quem realmente somos e ser feliz em nossa própria companhia é extremamente libertador e pode ser o começo de atitudes mais saudáveis do ponto de vista da autovalorização. Quem tem medo de estar sozinha pode ter, na verdade, muito receio de se conhecer.

Não deixe que esse medo te coloque numa fria! Se você se encontra num relacionamento tóxico, questione-se! E, em vez de ficar olhando para fora e culpando o outro, perceba a sua parte nessa história toda. Por que você se envolveu nessa? Por que não consegue sair? De onde vêm seus maiores medos e inseguranças? Entenda quais são os seus problemas, as suas questões e corra atrás da solução. Apenas você pode resolvê-los. Sair da zona de conforto, especialmente para quem está acostumada a aceitar e viver relações tóxicas não é uma tarefa simples, é bem desafiadora, mas é o melhor caminho para quem busca felicidade na vida amorosa. Pois quem reconhece o próprio valor, raramente se emaranha em relações prejudiciais.

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Ame(-se) muito! Mas fuja dos extremos!

Ter consciência do próprio valor e não abrir mão daquilo que é muito importante para você é totalmente diferente de acreditar que ninguém está à sua altura. Da mesma forma, manter uma relação para se sentir importante e necessária é um grande erro. Entenda por que os extremos são tão prejudiciais quando falamos de relacionamentos!

Saber quem somos e ter consciência do nosso próprio valor é de extrema importância para viver bem e ter bons relacionamentos. No entanto, valorizar-se não significa acreditar que somos superiores a outras pessoas e que, portanto, ninguém está a nossa altura quando o assunto é se relacionar. Quem pensa assim, normalmente prefere ficar sozinha e aí, corre um grande risco de perder a mão nas relações sociais e de se tornar uma pessoa egoísta. Claramente não há nada de errado em optar ficar só, pelo contrário, muitas vezes, ficar solteira por um tempo pode ser muito saudável. Mas que não seja porque você se acha tão boa que ninguém te merece. Entendeu?

Em outros casos, quem acredita ser superior acaba se envolvendo em relações egóicas justamente para reafirmar sua superioridade. Sabe quando pensamos: “ele não é nada sem mim?”. Pois essa é a maior mentira que podemos contar a nós mesmas. Todo mundo sobrevive fora de uma relação, com raríssimos casos em que a própria pessoa esteja em uma situação emocionalmente doente. Mas quando nos achamos superiores, criamos uma fantasia de que somos indispensáveis e determinantes para felicidade do outro – o que nos faz sentir ainda mais superiores. De que forma isso pode ser saudável? Acreditar sermos as responsáveis pelo bem-estar do outro não pode, e não deve, ser motivo para “segurar” uma relação.

A situação oposta, ou o outro extremo, é quando nossa principal razão para entrar em um relacionamento é nos sentirmos importantes e amadas.  Isso acontece quando nossa autoestima e nosso amor-próprio estão tão baixos que enxergamos os relacionamentos como uma forma de provar que temos valor. Quem aí já pensou: “não sou nada sem ele”? Exatamente como na situação oposta, esta também é uma mentira das grandes. Pensar assim demonstra que optamos por deixar nas mãos do outro a tarefa de nos fazer sentir valorizadas, amadas e felizes. E, se por algum motivo ele cumpre essa função, tornamo-nos dependentes emocionais. [Para saber mais sobre dependência emocional, clique em https://bit.ly/2NVweO8]

Nenhuma dessas posturas é saudável, pelo contrário, podem causar muita dor e confusão. Se você se identifica com um dos exemplos acima, seu comportamento e sua maneira de pensar precisam ser curados e ressignificados. Usar o amor-próprio como desculpa para não nos relacionarmos é tão ruim quanto usar um relacionamento para garantir que somos especiais. Quando escolhemos estar só ou nos relacionar pelos motivos errados, certamente há sofrimento. Portanto, repense suas escolhas e fuja dos extremos! Ame-se, valorize-se e corra atrás da sua própria felicidade. E, de preferência, construa relacionamentos com pessoas que tenham essas mesmas atitudes.

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Amor-próprio para quê?

Investir em amor-próprio é fundamental. Só não pode usar esse processo como desculpa para se afastar das pessoas ou evitar se relacionar. O crescimento pessoal acontece quando somos capazes de usar nossos potenciais exatamente quando nos relacionamos. Já pensou nisso?

Falamos muito em amor-próprio aqui no Blog das Amarildas. Sim, tem que ter! Amor-próprio é essencial para sermos felizes e construirmos bons relacionamentos. E só é possível através do autoconhecimento e da valorização das nossas próprias potencialidades. Quando não nos amamos o suficiente, além de passarmos a vida mendigando pelo amor dos outros, nunca seremos capazes de amar alguém verdadeiramente.

No entanto, esses dias recebi um questionamento de uma leitora que me intrigou bastante e resultou neste texto: será que não estamos usando o amor-próprio como desculpa para ficar sozinhas e evitar relacionamentos amorosos? O raciocínio é o seguinte: “Eu me amo e estou muito bem sozinha, portanto não preciso de ninguém”. Você também pensa assim? Pensar dessa forma só mostra que ainda temos muito a aprender.

É verdade que o amor-próprio parte da compreensão e da aceitação plena de quem somos, que resulta em bem-estar e felicidade. E aí, para algumas de nós, pode bater aquela preguicinha de mexer em time que está ganhando, né? O que a gente esquece é que é justamente o amor-próprio que nos impulsiona a amar o próximo. E que são os relacionamentos que nos permitem crescer, amadurecer e evoluir.  

É nos relacionando que realmente confrontamos nossos potenciais e nossas habilidades descobertas no processo do autoconhecimento e da autovalorização. É na convivência que testamos nossa resiliência, nossa coragem, nossa amabilidade, nosso acolhimento, nossa empatia dentre tantos outros atributos. Sabe quando temos uma prova na escola, para ver se aprendemos a lição? Então, se relacionar é exatamente isso: é uma forma de comprovarmos se somos mesmo capazes de amar o outro e ainda manter a nossa individualidade, de respeitá-lo e aceitá-lo sem perder o amor-próprio, de socializar sem abrir mão dos nossos próprios valores.

Como já falamos aqui diversas vezes: a gente só aprende a se relacionar, se relacionando! Vivemos em sociedade, não nascemos para ser sozinhas. Muito pelo contrário, o desejo de unir-se a alguém é uma necessidade natural dos seres humanos. Fugir da interação ou do convívio com os outros pode significar uma certa forma de demonstrar orgulho ou mesmo medo – de não ser correspondida, de reviver traumas do passado, de ser traída e, principalmente, de se machucar.

Afinal, amor-próprio para quê?

Amor-próprio exatamente para sermos capazes de, além das nossas próprias barreiras e fronteiras, continuar sendo nós mesmas! Amor-próprio para sermos bem-sucedidas no amor a dois. Amor-próprio para não dependermos do amor que vem de fora. Não para passar a ideia de que somos autossuficientes. Fortalecer nosso amor-próprio não é desculpa para ficar sozinha, pelo contrário, é um meio de seguir nos relacionamentos humanos sem deixar de ser nossa melhor versão. Portanto, saia da sua zona de conforto! Estar sozinha e feliz é muito bom, mas estar com alguém pode ser ainda melhor! Não se utilize do amor-próprio como uma desculpa para evitar relacionamentos, mas sim, enxergue-o como uma espécie de capacitação para ser feliz em convívio.

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Dia dos Namorados – aquela pressão

Já consigo até imaginar a cena: Dia dos Namorados chegando, você solteira – e aquela pressão social para comemorar com alguém. Mas vamos lembrar que, por mais fofa que seja, essa é apenas uma data comercial, ok?

Nos dias que antecedem a comemoração de 12 de junho, o clima pode ser bem chato para quem está solteira. A impressão é de que todas as pessoas da face da Terra estão acompanhadas e que você é a única que está fora da festa? Pois essa é uma sensação muito comum. O comércio vibra com as datas comemorativas e o marketing corre a todo vapor para aumentar as vendas. Consequência: para onde quer que a gente olhe, há um lembrete sobre o Dia dos Namorados. Mas será que essa data é mesmo tão importante assim?

Por mais fofa que seja, não podemos nos esquecer de que é apenas uma data comercial. Ou seja, foi criada principalmente para que tenhamos o desejo de consumir. E, visto que, nesta época as solteiras e os solteiros convictos não são constituem um bom nicho de mercado, o comércio e as mídias passam a vender a ideia de que estar em um relacionamento é infinitamente melhor do que estar só. Mas será mesmo que estar sozinha é tão ruim? Já falamos aqui (https://bit.ly/2sCeSc7) sobre a diferença entre estar sozinha e se sentir só e do porquê a escolha de estar sozinha não precisa de explicações ou justificativas (https://bit.ly/2ssRsqD). Se você não está em um relacionamento amoroso, sua própria companhia deve ser a melhor de todas e não motivo de angústia ou até mesmo depressão.

Enxergar as datas comemorativas como realmente são – isto é, apenas lembretes para sermos gratas por tudo o que temos, pelas pessoas que estão em nossas vidas, pelos sentimentos que cultivamos – ajuda a minimizar as expectativas em torno delas. Não há a menor necessidade de estourar o cartão de crédito para fazer uma surpresa no dia dos namorados. O que importa é que o relacionamento seja vivido diariamente com amor e entusiasmo. Na verdade, isso vale para tudo na vida, certo?

Existe também uma outra pressão que envolve esta data: a que assombra casais recém-formados que ainda não sabem se estão ou não namorando. Ou aqueles que já estão, mas se conhecem há pouco para saberem bem sobre os gostos um do outro. Percebe que essa ansiedade pela data pode ser bem prejudicial inclusive para quem já está com alguém? O melhor da vida é construir as próprias regras – sejam nos relacionamentos, na forma de consumir ou na convivência com as pessoas. Dar presente por obrigação não é carinho, é convenção!

Que neste dia dos namorados, possamos nos dar conta de que a melhor companhia tem que ser aquela que está sempre ao nosso lado, seja um companheiro, uma amiga e até nós mesmas. Por que não? Que possamos, então, celebrar o amor (inclusive e principalmente o próprio) e as amizades verdadeiras. Que tal? Feliz 12 de junho!

Com amor,

Camilla Couto

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Estou sozinha e vou bem, obrigada!

De padrões sociais cruéis a preconceitos com a solteirice, não faltam motivos para ter medo da solidão. Mas é hora de pensar se estar sozinha é mesmo tão ruim assim.

Estou sozinha e vou bem, obrigada! A frase pode parecer um pouco dura, mas ela precisa ter um lugar em nosso repertório emocional (mesmo que seja apenas em pensamento). Estar sozinha não significa nada, a não ser que sua escolha, naquele momento, é estar em sua própria companhia. Ponto final. Não tem um porquê. Não requer absolutamente justificativas ou explicações. “Ela está sozinha porque...”. Quais são os primeiros motivos que te vêm em mente para completar essa frase? “Porque não conseguiu ninguém”? Se este não esteve nem entre os três primeiros que você pensou, parabéns!

Infelizmente nossa sociedade ainda faz uma correlação entre o valor de uma mulher e o fato de ela estar ou não em um relacionamento amoroso. Se ela é boa o suficiente, vai “conseguir” alguém. Como se o outro fosse um troféu que desse algum tipo de aval de pertencimento social. Esse código, configurado há muito tempo, acabou se tornando uma convenção – nosso julgamento acontece de maneira automática, mesmo que não percebamos. Mas não precisa mais ser assim.

Com o advento do feminismo e a luta das mulheres por igualdade, aos poucos (bem devagar mesmo) estamos modificando os papéis aceitos e redescobrindo valores que, durante muito tempo, foram varridos para debaixo do tapete (literalmente, já que a limpeza de casa sempre foi uma atividade associada ao universo feminino). Estar em uma relação é somente mais uma das muitas escolhas que podemos fazer na vida. Assim como estar sozinha.

O mais importante é iniciarmos a jornada de autoconhecimento e aprender o que, desse dicionário maluco de comportamentos sociais, realmente vale para a nossa vida. E, se nenhum deles te seduzir, é hora de inventar um novo papel, que seja autoral e que fale autenticamente de quem você quer ser. Estar sozinha é melhor do que estar em uma relação ruim. Estar sozinha é melhor do que estar com alguém só por estar. Estar sozinha é melhor do que qualquer alternativa que não te faça feliz.

Faça uma escolha consciente, longe do medo que é imposto e não é real. Quem sabe da sua vida é você e só você pode dizer o que é bom ou ruim de ser vivido. Experimente escolher com legitimidade e com verdade e veja como a vida sorri de volta, mandando situações e pessoas que realmente estejam em sintonia com o seu momento! E, quando decidir se envolver com alguém para escrever uma história a dois, mais do se questionar se a pessoa que escolheu é aquela certa, conheça bem os motivos pelos quais tomou tal decisão!

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Sozinha ou só?

Para você, o que é mais preocupante? Estar sozinha ou sentir-se só? Talvez você esteja se dizendo que dá na mesma, mas existe uma diferença grande entre os dois conceitos, quer ver só?

Muitas de nós confundem estar sozinha com a sensação de estar só, e essa confusão gera um medo que nos direciona e condiciona, sem que a gente perceba. Provavelmente você já tenha se visto em uma relação sem muito futuro apenas por estar com alguém. Posso apostar que sim. Mas também já se sentiu muito bem caminhando pela praia ou curtindo um cineminha em sua própria companhia, por exemplo. Consegue perceber a diferença?

Enquanto estar sozinha se refere a estar ou não com alguém, sentir-se só tem muito mais a ver com um estado emocional. Podemos estar sozinhas e não nos sentirmos sós. Isso acontece quando nos sentimos bem em nossa própria companhia, quando nos sentimos preenchidas e empoderadas, quando temos consciência de quem somos e quais os nossos desejos e objetivos. Por outro lado, também é possível estarmos em um relacionamento amoroso ou na companhia de alguém e, mesmo assim, nos sentirmos sós. É aquela velha história de estar só em meio à multidão. Quem nunca?

Quando nos sentimos inteiras, somos capazes de realizar nossos próprios desejos e nos mantemos no topo das nossas prioridades. Aprendemos a estar sozinhas de forma tranquila e descompromissada, tornamo-nos nossa melhor companhia e quase nunca nos sentimos sós. A grande questão é que, muitas vezes, colocamos todo o nosso interesse no mundo exterior e esquecemos de preencher o vazio interno, que nos deixa carentes e suscetíveis a modelos sociais de vida. Buscar alguém só porque temos que estar acompanhadas é tão ruim quanto evitar relacionamentos com base em sofrimentos anteriores.

Muitas de nós colecionam relacionamentos ruins especialmente porque aceitam o primeiro parceiro que aparece. O medo de ficar sozinha fala mais alto, os valores se invertem e tudo começa “errado”. Ok, é difícil falar o que é certo ou errado em termos de relacionamento, já falamos sobre isso aqui mesmo neste blog (https://bit.ly/2KJ5KtE). Mas existe algo que precisa ficar claro: enquanto você não se der o cuidado e o amor que dedica aos outros, invariavelmente sentirá que falta um tempero nas suas relações. E isso acontece porque o amor-próprio que está sendo esquecido!

Sentir-se só é esquecer de si mesma, a ponto de alimentar solidão, independentemente de estar ou não sozinha. Do contrário, quando nos nutrimos e estamos em sintonia com nossas vontades e objetivos, não “precisamos” estar acompanhadas, e, na verdade, nunca estamos desacompanhadas, mesmo sem ninguém ao lado. Estando inteiras, amizades e família têm mais valor, e inclusive um relacionamento é possível, mas sem estar embasado na sensação de escassez e de falta.

O preenchimento de si mesma é algo que precisa ser cultivado e que prescinde de autoconhecimento, autoavaliação e aprendizado sobre como lidamos com as mudanças da vida e como reagimos ao que nos acontece. Sofrer é uma grande escola. Mas o aprendizado não precisa ser sofrido, porque ele pode (e deve) ser realizado com amor. Coloque-se nessa jornada de autocuidado e reflita sobre como e por que você entra nas relações. Assim, você certamente entrará em sintonia com sua melhor versão e se perceberá bem independentemente de estar ao não acompanhada.

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Coloque-se em primeiro lugar!

Colocar-se em primeiro lugar não é egoísmo, é amor-próprio. Como podemos tratar bem os outros se negligenciamos a pessoa mais importante da nossa vida? Pense nisso.

Coloque-se em primeiro lugar! Já está na hora de entendermos que existe uma diferença enorme entre egoísmo e amor-próprio. Essa confusão já gerou muitas tristezas e vidas sem sentido. Na direção de ser altruísta, as pessoas acabam se esquecendo de si mesmas, de seus valores, de suas necessidades... tornando-se tristes e levando vidas sem sentido. E, dessa forma, atraem relacionamentos que também não dialogam com seu real mundo interior.

Quem já voou sabe que é preciso, em uma situação de emergência, primeiro colocar a máscara de oxigênio em si mesmo para só depois ajudar quem precisa, certo? Ou seja, se você estiver bem, poderá cuidar do outro, caso contrário, os dois correm o mesmo risco. Isso fala muito sobre a vida.

Quando estamos bem, quando temos oxigênio em nossas almas, somos mais aptos a cuidar do outro. Se não, somos apenas pessoas carentes e sedentas vivendo situações constantes de emergência emocional. E, portanto, não temos condições de nos relacionarmos com integridade de sentimento porque, invariavelmente, cobraremos o outro sobre nossa própria insatisfação. É um círculo vicioso: tomamos a decisão de nos deixar de lado para agradar o outro, mas depois cobramos dele nossa própria falta de agrado, de cuidado, de atenção.

Eleja seu principal foco de atenção

Não é o outro, não é a relação, é você! Mas, dessa forma não estarei sendo egoísta, egocêntrica? Não, se ao cuidar de você, estiver se preparando para se relacionar por completo com as outras pessoas. Estando inteira, conectada consigo mesma e realizada, você atrai pessoas na mesma sintonia, e pode ajudar outras, também, a se sentirem da mesma forma. Usando sua própria máscara de oxigênio, você pode salvar outras vidas emocionais. Essa pode ser a forma mais incrível de cuidar do outro, cuidando de si mesma.

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O maior amor que há

Só há uma maneira de ativar o amor universal, aquele que traz o senso de pertencimento, de gratidão e de felicidade... e que nos faz compreender tudo e todos sob um ponto de vista integral: aprendendo a amar a pessoa mais importante do mundo – VOCÊ.

Na maioria das vezes, temos a ideia errada sobre o que é amor-próprio e autovalorização. Tendemos a acreditar que amar a si mesma seja um ato egoísta, quando na verdade é esse amor que ativa em nós o altruísmo e o senso de gratidão. Não somos capazes de amar verdadeiramente o outro se não temos a capacidade de nos respeitar, cuidar e de tecer elogios mentais a nosso próprio respeito. É praticamente impossível fazer isso pelo outro enquanto somos extremamente autocríticas e depreciativas com relação a nós mesmas.

Assim como só se aprender a amar, amando, só podemos doar esse amor se o carregamos irrestritamente dentro de nós. Costumamos tratar os outros sob a ótica pela qual nos vemos, por isso se diz que não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. E, se somos extremamente inquisidoras a nosso respeito, como podemos ser complacentes com os outros?

A falta de amor e cuidado por si mesma também pode levar a um outro quadro: nos tornamos tão críticas e frias com relação ao que nos acontece a ponto de não nos reconhecermos como criaturas amorosas e merecedoras. Dessa forma, acabamos afastando as pessoas, criamos um muro à nossa volta e nos isolamos – mesmo vivendo em sociedade e, às vezes, até nos relacionando. Mas todo caso de solidão (inclusive a solidão a dois) é um caso de desamor próprio (e não de terceiros), pois somos nós que nos deixamos de lado e esquecemos que temos que ser as primeiras a nos aceitar e nos amar como somos.

A busca do amor-próprio

No caso do desamor, tanto a doença quanto a cura estão bem dentro de nós e dependem apenas de nós. Não importa o quanto de amor venha de fora, pois não nunca será suficiente para suprir uma autoimagem negativa! Mas, então, como agir? Buscando ajuda, entendendo as fontes que nos tornaram tão afastadas de nós mesmas, procurando encontrar nossas melhores qualidades e aprendendo a lapidar nossa sombra para que ela, um dia, se torne luz.

Se você se identificou, o primeiro passo é não se criticar tanto por estar vivendo um caso de desamor consigo mesma. Pare já de se depreciar e comece a investir em você! O desejo de mudança é a força impulsionadora de que você precisa para encontrar o melhor caminho para o amor. E nunca é tarde para começar.

 

 

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