Ame(-se) muito! Mas fuja dos extremos!

Ter consciência do próprio valor e não abrir mão daquilo que é muito importante para você é totalmente diferente de acreditar que ninguém está à sua altura. Da mesma forma, manter uma relação para se sentir importante e necessária é um grande erro. Entenda por que os extremos são tão prejudiciais quando falamos de relacionamentos!

Saber quem somos e ter consciência do nosso próprio valor é de extrema importância para viver bem e ter bons relacionamentos. No entanto, valorizar-se não significa acreditar que somos superiores a outras pessoas e que, portanto, ninguém está a nossa altura quando o assunto é se relacionar. Quem pensa assim, normalmente prefere ficar sozinha e aí, corre um grande risco de perder a mão nas relações sociais e de se tornar uma pessoa egoísta. Claramente não há nada de errado em optar ficar só, pelo contrário, muitas vezes, ficar solteira por um tempo pode ser muito saudável. Mas que não seja porque você se acha tão boa que ninguém te merece. Entendeu?

Em outros casos, quem acredita ser superior acaba se envolvendo em relações egóicas justamente para reafirmar sua superioridade. Sabe quando pensamos: “ele não é nada sem mim?”. Pois essa é a maior mentira que podemos contar a nós mesmas. Todo mundo sobrevive fora de uma relação, com raríssimos casos em que a própria pessoa esteja em uma situação emocionalmente doente. Mas quando nos achamos superiores, criamos uma fantasia de que somos indispensáveis e determinantes para felicidade do outro – o que nos faz sentir ainda mais superiores. De que forma isso pode ser saudável? Acreditar sermos as responsáveis pelo bem-estar do outro não pode, e não deve, ser motivo para “segurar” uma relação.

A situação oposta, ou o outro extremo, é quando nossa principal razão para entrar em um relacionamento é nos sentirmos importantes e amadas.  Isso acontece quando nossa autoestima e nosso amor-próprio estão tão baixos que enxergamos os relacionamentos como uma forma de provar que temos valor. Quem aí já pensou: “não sou nada sem ele”? Exatamente como na situação oposta, esta também é uma mentira das grandes. Pensar assim demonstra que optamos por deixar nas mãos do outro a tarefa de nos fazer sentir valorizadas, amadas e felizes. E, se por algum motivo ele cumpre essa função, tornamo-nos dependentes emocionais. [Para saber mais sobre dependência emocional, clique em https://bit.ly/2NVweO8]

Nenhuma dessas posturas é saudável, pelo contrário, podem causar muita dor e confusão. Se você se identifica com um dos exemplos acima, seu comportamento e sua maneira de pensar precisam ser curados e ressignificados. Usar o amor-próprio como desculpa para não nos relacionarmos é tão ruim quanto usar um relacionamento para garantir que somos especiais. Quando escolhemos estar só ou nos relacionar pelos motivos errados, certamente há sofrimento. Portanto, repense suas escolhas e fuja dos extremos! Ame-se, valorize-se e corra atrás da sua própria felicidade. E, de preferência, construa relacionamentos com pessoas que tenham essas mesmas atitudes.

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Por que temos tanto medo da traição?

É verdade que cada uma de nós, mulheres, é única.  Mas quando se trata de medos e de relacionamentos, a grande maioria de nós tem um medo em comum: o de ser traída. E de onde será que ele vem?

Para muitas mulheres, o medo da traição é um dos principais fatores de sofrimento nos relacionamentos. Pouco importam suas origens, sua idade, sua profissão, seu tipo de personalidade... o fato é que é raro encontrar uma mulher que não tenha (ou nunca tenha tido) medo de ser traída ou trocada por outra. Mas de onde vem esse medo?

Analisando o histórico e a trajetória da humanidade, podemos constatar que as relações monogâmicas e baseadas na fidelidade são relativamente recentes. A sociedade patriarcal e de educação machista sempre enxergou o “pular a cerca” como algo “natural” e até como uma “necessidade masculina”. Ou seja, esse tipo de comportamento perdurou por anos e anos e, mesmo não fazendo mais parte da realidade atual, infelizmente ainda persiste no imaginário cultural de muita gente. Além disso, também vale lembrar que, hoje, vivemos na era da superinformação e dos modelos superficiais criados para o consumo – seja de beleza, biótipo ou comportamento. Ansiamos por consumir cada dia mais e essa ansiedade se reflete, inclusive, na fragilidade e na superficialidade das relações humanas.

Mas então, o medo da traição, tão comum entre as mulheres é ou não é infundado? Em parte, sim. Porque, apesar de estarmos falando de algo que realmente acontece (e muito), é preciso entender que existe uma relação muito poderosa entre o medo de ser traída ou trocada e a baixa autoestima. Esse medo, na maioria das vezes, surge do sentimento de inadequação ou como fruto de crenças limitantes do tipo “eu não sou boa o bastante”, “ninguém vai me querer como eu sou” e “não consigo segurar uma relação”. Se você se identificou em algumas dessas frases, pare já.

Primeiro, segurar, ou melhor, dar continuidade a um relacionamento não é tarefa somente de um dos lados. Relacionar-se a dois é sinônimo de parceria, de partilha, e prescinde de companheirismo e lealdade. O código dos relacionamentos amorosos estáveis é baseado em fidelidade de ambas as partes. Portanto, não, nós mulheres não devemos nos sentir 100% responsáveis pela manutenção de uma relação, mesmo que nos dias de hoje ainda haja uma ideia social equivocada sobre o papel da mulher nos relacionamentos.

Se o medo de ser traída faz parte de seu repertório emocional, questione-se: de onde ele vem? Você já viveu algo real que o embase? Ainda que seja difícil admitir, perceba se ele está conectado à baixa autoestima, à falta de amor-próprio, à ideia de que sozinha não se pode ser feliz. Suas respostas a esse tipo de reflexão falam muito sobre você.

Acredite, sentir-se insegura em uma relação tem muito mais a ver com seus próprios fantasmas do que com o comportamento de quem vive com você. De um jeito ou de outro, temos que compreender de uma vez por todas que as pessoas são livres e têm o direito de fazer aquilo que bem entendem. De nada adianta tentarmos tolher ou controlar tal liberdade, pois, no final das contas, quem quer ficar, fica; quem quer nos respeitar, respeita; quem ir embora, vai. Então, qual o sentido desse medo? Bora viver no momento presente e ser feliz?!

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Autoestima x Vaidade - com qual delas você se relaciona?

Onde termina a vaidade que nos enfraquece e começa a autoestima que nos fortalece? Você saberia dizer? Cuidar de si é o primeiro passo para saber se relacionar, e isso não tem nada a ver com a necessidade de aprovação do outro.

Confundir autoestima com vaidade é um erro comum que gera muita confusão nos relacionamentos. Vamos começar do começo, como se diz por aí. O que é vaidade? Nos dicionários, vaidade é encontrada como “qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória”, ou “valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros”.

Embora algumas fontes atribuam vaidade como sinônimo de amor-próprio, eu discordo. Sob o meu ponto de vista, vaidade está longe de ser algo positivo, pois conota a necessidade de aprovação alheia – e é aí que mora o perigo! E fica tudo ainda mais confuso quando chamamos de “vaidosa” a mulher que gosta de se cuidar e se arrumar.

Por outro lado, autoestima tem um significado bem mais encorajador: “avaliação positiva que fazemos de nós mesmos”, ou “julgamento, apreciação que cada um faz de si mesmo, capacidade de gostar de si”. Percebe a diferença? Na vaidade, nosso ponto de referência é o olhar externo, sobre o qual nunca temos controle. Enquanto na autoestima, temos como observador máximo a nossa própria consciência, sobre a qual devemos ter cada vez mais controle e direção.

E por que será que é tão difícil manter a autoestima equilibrada?

A verdade é que vivemos na era da imagem. Muito do que chega até nossa mente é por meio do olhar. Estamos constantemente expostas a bombardeamentos de modelos de corpo, cabelos e estilo, que, de modo geral, precisam ser seguidos se quisermos garantir aceitação e apreciação. Infelizmente, o meio de a indústria da beleza se fortalecer, é gerando o oposto: insegurança e dúvida sobre a própria imagem e o próprio valor. Alguém com a autoestima equilibrada provavelmente não é uma consumidora tão boa, já que tem suas necessidades de afirmação sanadas por si mesma, e não por produtos e serviços, ou por se encaixar em padrões.

Na realidade que vivemos hoje, meninas ainda muito jovens se sentem inadequadas, têm vontade de mudar o corpo, desistem de seus sonhos e de seus próprios estilos de personalidade para se enquadrarem nos padrões de beleza existentes. E como mudar isso? Alimentando a autoestima. Podemos escolher julgar e criticar a nós mesmas ou sermos nossas melhores amigas e principais fonte de incentivo. Portanto, trabalhar o autoconhecimento é fundamental para o fortalecimento da imagem pessoal.

Conheça mais de si mesma. Mude a maneira de se olhar. Entenda que você pode ser vaidosa, mas que a vaidade sob a perspectiva do olhar e do reconhecimento, da aprovação e da admiração do outro, não pode ser seu principal parâmetro para ser feliz. Busque dentro de si o que tem de melhor e faça sua autoestima brilhar.

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