Os relacionamentos tóxicos e a percepção que temos de nós mesmas

Um relacionamento tóxico pode falar mais sobre a percepção que temos de nós mesmas do que podemos imaginar. De que forma você tem se valorizado e se colocado na vida? É hora de começar a pensar.

Atraímos os relacionamentos de que precisamos para aprender, essa é uma verdade. Sim, cada relacionamento que temos durante a vida tem o propósito de nos ensinar algo, principalmente aqueles mais difíceis. E os relacionamentos tóxicos, especialmente a sucessão deles na nossa vida, nos fala muito da percepção que temos de nós mesmas e o que precisamos mudar. Você se valoriza? Não responda de forma automática. Pense bastante sobre isso. De que forma você se valoriza e expressa seu valor aos outros? Colocar suas relações não tão bem-sucedidas em cheque é a forma de entender o que precisa ser modificado para trocar de padrão e começar a ser mais feliz no amor.

Existem algumas explicações possíveis para o fato de atrairmos, e aceitarmos, especialmente, relacionamentos tóxicos: não acreditarmos que merecemos algo melhor é, talvez, uma das mais fortes. Iniciar um caminho de bons relacionamentos na vida parte do princípio da autovalorização, da geração de ideias saudáveis sobre nós mesmas, do acreditar que somos, sim, pessoas do bem, emocionalmente saudáveis e merecedoras de felicidade.

Por que aceitamos relacionamentos tóxicos?

Há diversos tipos de relacionamentos tóxicos. E, alguns deles, muitas vezes, nos fazem sentir necessárias e importantes. Acreditamos que o problema do outro é nossa chance de redenção, de mostrar nosso valor, de finalmente ser parte de uma transformação. Só que do outro, não nossa! Você consegue entender o quanto essa percepção está invertida? Se o outro tem um problema, é ele quem precisa resolver. Em uma relação de casal, nosso papel é ser companheira, apoiadora, incentivadora, não terapeuta ou psiquiatra.

Amar não é entregar nossa sanidade e nossa alegria em detrimento de ficarmos sozinhas. Até porque estar sozinha pode ser uma ótima oportunidade de entender melhor quem somos, o que queremos (e não queremos) e de aproveitar nossa própria companhia. Ter consciência de quem realmente somos e ser feliz em nossa própria companhia é extremamente libertador e pode ser o começo de atitudes mais saudáveis do ponto de vista da autovalorização. Quem tem medo de estar sozinha pode ter, na verdade, muito receio de se conhecer.

Não deixe que esse medo te coloque numa fria! Se você se encontra num relacionamento tóxico, questione-se! E, em vez de ficar olhando para fora e culpando o outro, perceba a sua parte nessa história toda. Por que você se envolveu nessa? Por que não consegue sair? De onde vêm seus maiores medos e inseguranças? Entenda quais são os seus problemas, as suas questões e corra atrás da solução. Apenas você pode resolvê-los. Sair da zona de conforto, especialmente para quem está acostumada a aceitar e viver relações tóxicas não é uma tarefa simples, é bem desafiadora, mas é o melhor caminho para quem busca felicidade na vida amorosa. Pois quem reconhece o próprio valor, raramente se emaranha em relações prejudiciais.

relacionamentos tóxicos.jpg

Quem é responsável pela sua felicidade?

Imagine que você escolha uma pessoa para ser responsável por todo o seu ouro, aquilo que você tem de mais precioso. Enquanto ela cuida, administra e decide onde investir e no que gastar, você só observa, não age. Pois troque “ouro” por “felicidade” e você entenderá a importância de ser protagonista da sua própria história.

Esperar que os outros nos façam felizes é viver num mar de decepções e frustrações. Se a necessidade de ser feliz é nossa, que sentido faz esperar que seja atendida por outra pessoa? A boa notícia é: a responsabilidade está em nossas mãos e as escolhas são nossas. A frustração de colocar a nossa felicidade nas mãos do outro é diretamente proporcional à necessidade de sermos protagonistas da nossa própria história, você sabia disso? Quando tomamos as rédeas da nossa vida, as chances de sermos felizes são muito maiores.

Viver esperando que alguém supra todas as nossas necessidades é terceirizar a administração do nosso ouro. Se pararmos para pensar, perceberemos que é praticamente impossível que alguém nos dê exatamente tudo o que desejamos e de que precisamos, certo? E aí, ficamos com a sensação de falta, de escassez: nunca temos o bastante (já falamos um pouco sobre isso aqui – https://bit.ly/2HLFjlb). Para virar a chave e começar a viver uma vida mais plena, é preciso entender que nossa felicidade, na verdade, depende apenas de nós mesmas!

É importante entendermos também que mesmo na hipótese de termos todas as nossas expectativas e necessidades atendidas, o modo como nos colocamos para receber o que vem de um relacionamento, de uma profissão e da vida pode fazer toda a diferença. Quando nosso estado emocional não está dos melhores, tendemos a não valorizar e reconhecer o que recebemos, entende? E então, mesmo que o outro aja exatamente como gostaríamos, ainda corremos o risco de não sermos felizes.

Nosso estado emocional dita muito sobre a forma como recebemos o que nos acontece. Então, mesmo quando acreditamos que cabe ao outro fazer algo que desejamos, não é de responsabilidade dele o modo como nos sentimos com relação ao que ele faz. E é aí que entra o nosso protagonismo: ao tomarmos as rédeas da nossa própria felicidade, determinamos como receber tudo que nos acontece, independentemente de onde ou de quem venha. E, se for preciso trabalhar algo em nós para que possamos receber de forma mais tranquila e grata, cabe a nós realizar esse burilamento da alma.

O que não podemos é ficar esperando pelo outro. Responsabilizar alguém por nosso próprio ouro, mesmo que seja quem amamos, pode ser muito perigoso. É a NOSSA vida, a NOSSA felicidade que está em jogo. E ser feliz sempre depende mais da gente, de como agimos, de como sentimos a vida e de como reagimos ao que nos acontece do que de fatos e pessoas propriamente ditos. Concorda?

felicidade responsável.jpg

Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és

O ditado não é bem esse, mas pode ter certeza: as pessoas com quem você se relaciona, que estão sendo atraídas para sua vida, dizem muito sobre como você se posiciona no mundo. Você está feliz com suas relações?

Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és. Sim, é verdade! Nossos relacionamentos são um reflexo de quem somos, de como nos posicionamos no mundo e, inclusive, mostram se estamos (ou não) sendo verdadeiras em nossas escolhas. Se pararmos um pouco de reclamar do outro e de como ele se comporta ou deixa de se comportar, para olharmos para dentro, para como nós nos comportamos dentro de uma relação, talvez possamos entender melhor o que há de errado.

Faz parte de um exercício profundo de autoconhecimento compreender quais são as nossas próprias verdades. Às vezes, temos a ilusão de que conhecemos a verdade do outro e, inclusive, somos ótimas em julgá-la. Mas quantas vezes, mentimos para nós mesmas, deixamos de confrontar nossas crenças sociais, imposições familiares ou aquilo que nossa mente acredita que seja certo e seguro? Quando julgamos e criticamos o outro, julgamos e criticamos a nós mesmas.

Por mais difícil que seja olhar para isso, viver uma relação ruim não tem a ver somente com o que o outro traz. Em um relacionamento a dois, tudo o que acontece é de igual responsabilidade de ambas a as partes. Aceitar o que nos é imposto evita que tenhamos que mostrar quem realmente somos e o que pensamos, ou seja, a nossa verdade. É preciso coragem para confrontar, para reagir e para mostrar nossa verdadeira essência. Mas esse é o único caminho para a construção de relacionamentos autênticos e saudáveis. Toda relação baseada em mentiras, inclusive aquelas que contamos para nós mesmas, é palco de estresse e infelicidade.

Diga-me com quem te relacionas. Você sabe?

Em primeiro lugar, quero convidar você a uma reflexão: você sabe quem é realmente? Você olha para dentro e acolhe suas dúvidas, seus ressentimentos, suas reações extremas, suas limitações, suas crenças e seus sentimentos mais profundos? Acredite, sem esse exercício de autoconhecimento, entender o que suas relações refletem fica bem mais difícil.

Quando vasculhamos nossa alma e confrontamos nosso verdadeiro eu, encontramos o tesouro mais precioso, mesmo que ele cause estranheza, em um primeiro momento. Só então, passamos a compreender melhor o que já nos aconteceu no passado e o porquê de estarmos vivendo determinadas situações no presente. Enxergar a nossa parcela de responsabilidade em cada acontecimento de nossa vida é libertador.

Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és não é uma frase sobre julgamentos. Mas, sim, sobre procurar dentro de nós qual é o erro, qual é o problema que precisa (e pode) ser resolvido para que nossas relações sejam mais proveitosas, criativas, positivas e construtivas. Você pode começar já, abraçando um novo caminho de busca interior. Que tal?

Diga-me com que te relacionas e te direi quem és.jpg

Todo relacionamento nos mostra aquilo que ainda precisamos trabalhar em nós

Já falamos por aqui de como nossos relacionamentos são espelhos do nosso interior e sobre como o que nos incomoda no outro, geralmente, é algo que precisa ser trabalhado em nós mesmas. Você já fez esse exame de consciência para começar um ano mais feliz? O que precisa ser modificado em você para que possa curar seus relacionamentos?

Sempre temos questões a trabalhar dentro de nós para viver de forma mais livre e plena – esta é uma verdade absoluta. Mas, muitas vezes, cometemos o erro de acreditar que só olhar para dentro, para aquilo que nos incomoda em nós mesmas já é o suficiente para garantir mudanças. O ponto é que, quando olhamos apenas para nós mesmas, podemos deixar passar uma preciosa informação: o que nos incomoda no outro é, de certa forma, um espelho da nossa personalidade.

Esse fato tão rico nos permite enxergar algo que, sozinhas, seria mais difícil ou até impossível. Outro fato que temos que levar em consideração é que é muito difícil realizar uma autoavaliação (para encontrar o que realmente precisamos trabalhar) por nós mesmas, desacompanhadas – daí a importância das terapias e da ajuda profissional.

Relacionamentos em que há muito ciúme e possessividade, por exemplo, podem revelar, dentre outros aspectos, a necessidade de controle sobre o outro e sobre a vida. Em alguns casos, nos encontramos no lugar de quem quer controlar tudo, em outros, podemos estar no papel de quem aceita o controle alheio – talvez por não conseguirmos nos impor para construir a relação que realmente desejamos. De qualquer forma, em relacionamentos que estão doentes não há vilão e vítima. Um abusa, o outro permite, um controla, o outro aceita. Impor-se requer muito autoconhecimento e coragem.

Provavelmente você conheça pessoas que já passaram por muitos empregos, sempre reclamando de chefes tóxicos. Amigas que colecionam ex-namorados violentos ou negligentes. Outras, que vivem para satisfazer as expectativas da família, deixando seus verdadeiros desejos e talentos de lado. De quem é a culpa? Será que há culpado?

Buscando a cura das relações

Todo relacionamento, seja ele pessoal, amoroso ou profissional, mostra, na verdade, aquilo que precisamos trabalhar em nós. Para que possamos curar nossas relações, precisamos: 1) enxergar nossa parcela de responsabilidade perante a todos aspectos e a tudo que ocorre no relacionamento; e 2) compreender que tudo aquilo que nos incomoda nos outros, de certa forma, vive dentro da gente também.

Por exemplo: se você vive se queixando da negligência do seu parceiro, pergunte-se: Por que eu atraí uma pessoa negligente para me relacionar? Que parte minha permite que a negligência se instale e perdure no relacionamento? E, por fim, em que situações da vida eu mesma ajo de forma negligente?

Assim como em tudo na vida, temos que esquecer a atitude vitimizada e tomar as rédeas da mudança. Somos senhoras do nosso destino, mas traçar a própria linha de conduta é tarefa que precisa de coragem, amor e determinação. Vamos juntas?

positive-thoughts-happy-life--1024x640.jpg

Solidariedade – um princípio básico do relacionamento saudável

Muitas vezes, esquecemos que amar também é se colocar no lugar do outro. A solidariedade, tão discutida no âmbito social, acaba perdendo destaque nas relações mais íntimas. E se resolvêssemos mudar isso no ano que está começando?

Quantas vezes você se colocou no lugar da outra pessoa em uma conversa, em uma questão importante, em um julgamento, praticando o princípio básico da solidariedade? Apontar dedos é algo tão normal em nossa sociedade, que esquecemos o princípio mais importante: para qualquer relacionamento dar certo, é preciso que sejamos solidárias.

Ser solidária implica uma responsabilidade recíproca. Ambas as partes são atuantes e formadores em conjunto de qualquer relacionamento – seja ele familiar, amigável, profissional ou amoroso. Ver-nos como vítimas das situações torna tudo mais difícil, já que culpamos atitudes e trazemos um peso desnecessário às decisões.

Somos pessoas diferentes, vivemos em um mundo infinitamente rico em diferenças. E essa deve ser encarada como a grande riqueza da vida. Entretanto, muitas vezes lidamos com a realidade como crianças que não têm aquilo que querem e acreditam que são renegadas em seus desejos e vontades. Ser solidária nos relacionamentos é entender que há mais de uma opinião, que há mais de uma pessoa envolvida e que, por isso mesmo, opções, decisões e resultados podem ser os mais adversos.

Confira aqui três perguntas básicas que podem mostrar seu nível de solidariedade nos relacionamentos:

1.       Você acredita que a opinião do outro é tão importante quanto a sua?

2.       Você entente que o outro pode estar vivendo um momento diferente do seu e que, por isso, pode não ter as reações que você espera?

3.       Você entende que você e o outro são co-fundadores do relacionamento e que, por isso, ambos têm suas responsabilidades em tudo que acontece?

O contrário de solidariedade é a indiferença, o desinteresse e a omissão. Não deixe que esses sentimentos tomem conta de seus relacionamentos. Mudar a forma como vemos o mundo sempre muda a forma como o mundo nos vê.

original (1).jpg