Viva relacionamentos reais!

Assim como as pessoas, os relacionamentos amorosos são sempre únicos e incomparáveis, independentemente de como sejam. Então, precisamos sentir o que nos parece adequado para a vida a dois e parar de fazer comparações com outros casais! A verdade é que relacionamento bom é aquele que é real.

Existe jeito certo de se relacionar? Já falamos inúmeras vezes sobre não existir regras ou receitas para se construir e manter um bom relacionamento. No entanto, muitas de nós ainda têm o hábito de comparar seus relacionamentos com todos os outros que veem por aí: sejam de amigas, de parentes e até mesmo de famosos! Primeira observação: não existe uma fórmula, um jeito certo de se relacionar. Segunda observação: quem está de fora nunca tem a verdadeira dimensão do que se passa dentro de um relacionamento, especialmente daqueles que só acompanhamos pelas redes sociais. Então, não se engane. Não existe relação perfeita, nem casal perfeito. Vivemos aquilo que de alguma forma atraímos e de que precisamos para aprender, amadurecer e evoluir.

É verdade que os meios de comunicação social nos bombardeiam o tempo todo com exemplos de relacionamentos perfeitos. Mas quando alimentamos expectativas desproporcionais e acreditamos em modelos irreais de comportamento, a chance de nos decepcionarmos é enorme e os fantasmas emocionais passam a nos rondar mais de perto. Desconfiança, ciúme, insegurança, muitos desses sentimentos poderiam ser banidos da nossa vida se deixássemos de olhar a “grama da casa ao lado”. A tendência é sempre achar que a nossa não é tão verde.

Quando olhamos de fora para os casais com os quais não temos muito contato, tudo parece melhor, mais bonito e até mais romântico. Esse é um olhar superficial, de uma imagem que muitas de nós procuram passar para o meio social: a de  não ter problemas, principalmente conjugais. Estamos ainda engatinhando quando o assunto é viver a nossa verdade. Por outro lado, normalmente conhecemos muito bem os desafios, os perrengues e as crises pelas quais nossa melhor amiga enfrenta com o parceiro, não é verdade? Pois a intimidade entre amigas faz com que sejamos mais reais e mais verdadeiras umas com as outras.

E assim é a vida real, assim são os seres humanos reais e os relacionamentos reais: repletos de dificuldades, momentos de tensão, crises existenciais. Mas não por isso deixam de ser belos. O importante é que sejam reais e verdadeiros. Há casais que moram em casas separadas ou que dormem em quartos separados. Há aqueles que vivem grudados, inclusive no trabalho. Há casais que fazem tudo juntos e os que têm atividades totalmente diferentes. E todos eles podem ser felizes quando entendem que, independentemente do “como”, é a vontade de compartilhar a vida que tem que falar mais alto. Por isso, não se preocupe tanto com modelos de relacionamentos que existem por aí. Viva a sua verdade, individual e a dois. Aposte no sentimento, no romance, nas coisas que unem vocês. O resto é irrelevante.

Por isso é tão importante nos conhecermos, tão fundamental alimentar nossos valores e criar bases sólidas para nossa segurança emocional. Quando perdemos o medo de ser quem somos e o medo de ser julgadas, tudo fica mais leve e se relacionar se torna muito mais fácil. O que faz você feliz? De que jeito você quer viver um relacionamento a dois? Você quer seu relacionamento seja sinônimo de perfeição ou de realidade? As respostas a essas perguntas são fundamentais para você ter a certeza de que vive ou não vive um bom relacionamento. E elas estão dentro de você.

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A primeira viagem do casal – desafio ou puro prazer?

Aproveitando a chegada do mês de julho – para muitas pessoas, mês das férias – vamos trazer um tema que pode agitar as relações: a primeira viagem de um casal. Desafiadora ou extremamente prazerosa? Qual é a sua opinião?

Toda relação começa cheia de expectativas. Já falamos aqui [https://bit.ly/2HLFjlb], inclusive, sobre o quanto as expectativas em excesso podem ser prejudiciais. E aí, quando surge a primeira oportunidade de viajar, além da ansiedade, a pressão pode ser ainda maior para que tudo saia como esperado e tudo dê certo. Mas, antes de tudo, reflita comigo: o que é dar certo? É quando tudo sai de acordo com o que esperamos? E quais as chances de isso acontecer na prática?

Temos uma grande questão existencial que é a da felicidade constante. Imaginamos que, pelo fato de não sermos felizes o tempo todo, não somos felizes e ponto final. Quando aliamos a necessidade de controle à essa questão, restringimos ainda mais a nossa felicidade. Pois, se para sermos felizes temos que estar no controle dos acontecimentos, das situações e até das pessoas, estamos lascadas, né? A grande verdade é: nada está sob nosso controle e não somos felizes o tempo todo. Assim como nós, seres humanos, somos inconstantes (ora nos sentimos felizes, ora tristes, ora com raiva, etc.), uma relação não é alegre, leve e satisfatória o tempo todo. E isso não significa que ela não seja saudável e construtiva.

A função primordial das relações humanas é a do aprendizado e do crescimento mútuo. Convivendo, aprendemos a ceder, a compreender, a perdoar, a nos posicionar, a lidar como nossas emoções, e uma série de outros comportamentos que fazem de nós, pessoas melhores. Um relacionamento amoroso saudável acontece entre duas pessoas adultas, completas e maduras, e é fundamentado na troca equilibrada e na sexualidade.  Certamente atingir e manter uma troca equilibrada entre o casal nem sempre é fácil. E na situação de uma viagem a dois, principalmente na primeira, a importância da troca pode tomar proporções inesperadas.

Diferentemente da rotina do dia a dia, numa viagem o casal tende a ficar um na companhia exclusiva do outro 24 horas por dia. E é então que as coisas acontecem e fogem do controle. Ambos precisam estar preparados para lidar com as situações e reações inesperadas, e com novos desafios. É fundamental que os dois estejam disponíveis para lidar com o inusitado, tenham uma dose extra de compreensão e estejam prontos, também, para conhecer o lado mais profundo do outro. Fora do aconchego do lar, é possível que ambos se sintam menos acolhidos e mais na defensiva, e é aí que brigas, muitas vezes desnecessárias, podem acontecer.

Qual a solução? Esteja aberta, diminua suas expectativas e encare tudo com o máximo de leveza possível. Afinal de contas, uma viagem é um momento de lazer, e não se pode esperar que a ordem diária seja mantida. Férias são essencialmente uma quebra nessa ordem. Então, aproveite o inusitado! E não se esqueça de levar na mala: descontração, leveza, compreensão, paciência, espírito de parceria e uma boa dose de bom-humor. O que NÃO levar: expectativas altas demais, cobranças, egoísmo e má disposição. De resto, é aproveitar para criar memórias que ficarão para sempre, nas redes sociais e no coração.

E quando a primeira viagem é de lua de mel?

Nos tempos atuais, os casais dificilmente seguem a ordem namoro-casamento-lua de mel. Então, a primeira viagem nem sempre é depois de casados, quase nunca, talvez. Mas, e se for? Viajar como namorados pode ser mais leve, porque não tem o “peso” que o compromisso pode trazer para algumas pessoas. Por outro lado, é o momento de atingir a intimidade mais desejada, realizar um grande sonho, e viver e comemorar um amor, digamos, já professado. Certamente os desafios de qualquer viagem de casal permanecem, portanto, use e abuse da coragem para se mostrar por inteiro e da compreensão e da paciência para acolher o outro tanto durante os momentos mais agradáveis do passeio quanto nos imprevistos.

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Amor incondicional existe?

Quando se fala sobre amor incondicional, o que vem à sua mente? Amor de amigos, de filhos, de casal? Pois eu digo com todas as letras: não existe amor incondicional nos relacionamentos amorosos. Saiba por quê.

Pelo dicionário, incondicional é um adjetivo que significa “que não depende de, não está sujeito a qualquer tipo de condição, restrição ou limitação; incondicionado”. Na linguagem dos relacionamentos, amor incondicional é aquele que não cobra nada em troca. Será que esse tipo de amor existe mesmo? Se relacionamento é troca e amor incondicional pode ser uma via de mão única, o amor incondicional não pode ser uma característica dos relacionamentos amorosos. Percebe?

Uma das principais características dos relacionamentos saudáveis é o equilíbrio entre dar e receber. O equilíbrio media as relações e cria laços profundos e duradouros. Quando uma das partes doa mais, cuida mais, cede mais, tolera mais, o desequilíbrio aparece. E aí, quem deu demais se sente no direito de cobrar a conta do outro e quem recebeu demais se sente em dívida. Nem precisamos falar sobre o estresse e a dificuldade de permanecer numa relação assim.

Mas, provavelmente, você esteja se questionando sobre o amor entre mães e filhos. Como a maioria das pessoas, talvez você acredite que o amor incondicional seja possível nesse caso, certo? Entretanto, se pararmos para pensar, até mesmo nesse tipo de relação há condições. E a primeira delas é: amamos nossos filhos “incondicionalmente” justamente porque são nossos filhos. Essa é uma condição! Ou será que amamos os filhos do vizinho exatamente da mesma forma que amamos os nossos? Ok, mas você ainda deve estar pensando que amamos nossos filhos independentemente do que nos dão em troca. E eu te pergunto: e durante aqueles segundos ou minutos em que estamos bravas com eles por não nos darem obediência em troca de todo o nosso amor, carinho e atenção? Ou por serem diferentes daquilo que imaginávamos?

Amor incondicional é algo que prescinde de um desprendimento profundo. Ainda estamos a anos luz de conseguir entender como amar incondicionalmente e sem querer nada em troca, mesmo nos relacionamentos com nossos filhos. Somos conduzidas pelas nossas próprias necessidades, nossos próprios desejos e, por isso, nossos relacionamentos também têm ciúmes, possessividade, controle – características totalmente opostas ao amor incondicional. Com nossos parceiros, construímos relações baseadas na condicionalidade do afeto e do reconhecimento do amor. E é assim que deve ser.

É importante refletirmos sobre esse assunto por duas razões: para avaliarmos o quanto de nós estamos doando ao outro e para entender que tipo de troca buscamos para a nossa vida. Observe suas relações: elas são satisfatórias? Você está feliz com o que está doando e recebendo? Não busque o amor incondicional. Busque um amor equilibrado e maduro.

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