Por que algumas pessoas sentem ciúme e outras não?

Se você é daquelas que acredita ser imune ao ciúme, sinto informar, mas ciúme é um sentimento inerente a todos os seres humanos. Ele aparece como uma resposta emocional à necessidade de apego e ao medo da perda – que todos nós temos em algum nível. Mas, então, por que algumas pessoas não aparentam sentir ciúme?

 

Tem gente que se julga incapaz de sentir ciúme. Normalmente, são pessoas que se consideram empoderadas e super seguras de si, logo, não têm ciúme de nada e de ninguém. Mas, a verdade é que o ciúme é um sentimento como qualquer outro, portanto, inerente a todos nós, seres humanos. O mesmo acontece com a raiva e com a tristeza, por exemplo, todo mundo sente. O que varia é a forma como cada pessoa lida com seus sentimentos e suas emoções e, principalmente, como os expressa. Não é porque alguém quase não chora que não sente tristeza. E sabe aquela pessoa que aparenta estar sempre calma e centrada? Pode apostar, ela também sente raiva de vez em quando. Assim também funciona com o ciúme.

Acredite, todo mundo sente ciúme em algum nível ao longo da vida. E não há nada de errado nisso, desde que não prejudique nosso bem-estar e nossas relações. Quem não sofre por causa do ciúme, costuma olhar mais para dentro (para si mesma) do que para fora (para o outro). São pessoas que confiam em si mesmas, conhecem o próprio valor e estão no comando de suas emoções. Já quem sente muito ciúme, costuma olhar mais para fora do que para dentro, se preocupa mais com o que o outro faz do que com o próprio comportamento. Além disso, quando temos medo de ser trocadas por outra pessoa ou de ser menos amadas do que ela, estamos implicitamente fazendo uma comparação entre tal pessoa e nós mesmas. E é óbvio que, nessa comparação, nos sentimos ameaçadas, inseguras e inferiores. Ou seja, o ciúme pode ser um reflexo de uma série de outros sentimentos e fatores que precisam ser trabalhados dentro de nós.

A diferença entre as pessoas que dizem não sentir ciúme ou não demonstram senti-lo e você, que talvez morra de ciúme de tudo e de todos (e todo mundo já sabe), é que elas não deixam esse sentimento tomar conta de suas vidas. Elas não o alimentam, não se deixam ser comandadas por ele. No fundo, a impressão de não ter ciúme nada mais é do que a capacidade de controlá-lo. Mas, como controlar algo tão abstrato e que pode ser tão intenso? O caminho é um só: se conhecendo, aprendendo seu próprio funcionamento emocional, identificando suas dores, suas faltas, suas feridas, suas fraquezas e as situações em que você se sente desprotegida, rejeitada e abandonada.

O ciúme é uma resposta à nossa possessividade, ao nosso apego, ao medo de perder algo ou alguém que é importante para nós, à sensação de inadequação, ao receio de não ser boa o suficiente, à necessidade de controle. E ele se alimenta da insegurança, da falta de autoconfiança, da baixa autoestima. Por mais que essas não sejam características constantes nossas, certamente, há dias em que estamos mais frágeis e vulneráveis e elas vêm à tona. Então, para vencer o ciúme, o jeito é entender de si e se fortalecer emocionalmente.

Como eliminar o ciúme?

Eu não acredito que possamos eliminar o ciúme da nossa vida, pois é parte da natureza humana. A grande chave é aprender a lidar com ele. Pessoas que questionam suas crenças e verdades, que alimentam sua autoestima e que buscam apoio são capazes de lidar melhor com esse sentimento que, apesar de natural, pode ser bastante incômodo e danoso. Não deixe que o ciúme prejudique sua vida, suas relações e coloque seu bem-estar em jogo. Aprenda a controlar suas emoções para não ter sua vida e seus comportamentos controlados por elas.

Se você precisa de ajuda, venha participar do CLUBE DA CIUMENTA – um grupo de apoio para mulheres que sofrem com esse mal. Os encontros acontecerão a partir de 18 de junho, online e ao vivo, às 19h30 (horário de Brasília).

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A síndrome do “ele é demais pra mim”

Há um tipo de comportamento que muitas de nós costumam apresentar quando “o cara” chega à nossa vida: travamos, receamos, passamos a ter medo daquilo que sempre sonhamos. É o que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”.

 

Todo mundo já sonhou em encontrar a pessoa ideal e viver um relacionamento amoroso saudável e feliz, não é mesmo? Deixando de lado todas as expectativas irreais, as características dignas dos príncipes encantados, as imposições sociais, o que a nossa família e os nossos amigos pensam, essa pessoa existe! Acredite, há alguém que é exatamente o que a gente procura. E aí, quando fazemos a nossa “lição de casa” direitinho, desenvolvendo as mesmas características que procuramos no outro e nos abrindo para novas experiências, eis que ele aparece. Sim, isso é plenamente possível.

E o que acontece com você quando esse momento finalmente chega à sua vida? Você conhece “o cara”, há o encontro, há reciprocidade. E aí? É muito comum que nessas horas a gente trave, se desespere, comece a pensar que é bom demais para ser verdade, que essa pessoa é demais para nós e, então, perdemos o eixo. Começamos a agir de maneira diferente, temos receio de ser nós mesmas. Aí, passamos a aceitar tudo do jeito dele, porque “vai que ele desiste de nós”? Nos tornamos alguém que nunca diz “não”, que aceita todos os programas, que raramente coloca a própria opinião e expressa os próprios gostos, que muda até a própria vida para “caber” na vida do outro. Quem aí se identifica?

Esse tipo de comportamento ilustra aquilo que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”. É quando a gente passa a se sentir menor, inferior. Quando não nos sentimos merecedoras daquilo que a vida nos apresenta. Quando temos medo de perder o que temos. Assim, nosso amor-próprio e nosso autorrespeito pelas nossas vontades e pelos nossos valores parecem desaparecer no meio do receio de que a mágica simplesmente se desfaça. E então, sem que a gente perceba, passamos a jogar contra nós mesmas. Talvez a gente pense que agir assim favoreça a relação, mas o que acontece é o exato oposto. E é assim porque nossas ações estão sendo guiadas pelo medo e não pelo amor.

O intuito de parecer uma pessoa neutra, flexível e que agrada a todos vai contra a construção de um bom relacionamento. Pense bem: você gostaria de se relacionar com alguém que não se coloca, que não se expressa e que sempre concorda com tudo? Pode até parecer atraente no início. No entanto, aos poucos vai perdendo a graça. A gente gosta de pessoas com atitudes, opiniões, seguras de si, que têm vida própria, certo? Pois bem, achar que o outro é demais para nós vai contra tudo isso. Tenha a certeza de que se realmente há amor, há espaço suficiente para que você seja exatamente quem é e o ame do jeito que ele é.

Esqueça as comparações!

Eis uma verdade absoluta: ninguém é melhor do que ninguém. Pensar que alguém é demais para nós reflete a nossa mania descabida de comparação e de depreciação de quem somos. Sim, porque afirmar que o outro é demais, é dizer que não somos boas o suficiente. E essa é a maior mentira na qual podemos acreditar. Entenda: somos todos seres incomparáveis! Não existe ninguém nesse mundo melhor ou pior do que ninguém.

Existe alguém que esteja em sintonia com o seu momento, com os seus objetivos, com os seus sonhos, que vai te apoiar, complementar a sua vida. E, se ele apareceu, é porque você merece, sim! Não tenha medo. Não se boicote. Não jogue contra você mesma. Seja sempre quem você é, aconteça o que acontecer. Só assim você será capaz de construir e viver relacionamentos baseados em verdade, honestidade e sinceridade. Se não for dessa forma, nem vale a pena.

 

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