Querer controlar a vida do parceiro é normal?

Confundir amor com possessividade é algo que acontece facilmente quando nos descuidamos dos nossos próprios sentimentos e das nossas crenças limitantes. Mas afinal, querer controlar a vida do outro é normal?

Cada casal tem suas regras e, para alguns, controlar os passos do outro pode ser compreendido como forma de cuidado e atenção. Para certas pessoas, inclusive, o comportamento controlador é percebido como medida de afeição, ou seja, mostrar necessidade em controlar cada passo do outro é sinônimo de um sentimento de grande amor. Mas será mesmo? Você também pensa assim? Já se relacionou com alguém que acredita que controle é sinônimo de carinho? A verdade é que o controle envolve sofrimento de ambos os lados: sofre de ansiedade e insegurança quem sente a necessidade de controlar a vida do outro e da sensação de sufocamento quem tem seus passos controlados como se vivesse em uma prisão.

Enquanto para algumas pessoas esse tipo de comportamento, digamos, mais apegado, é fundamental para manter a chama da paixão acesa, para outras, isso simplesmente apaga o amor. Por isso é que esse assunto gera tanta discussão e até brigas entre os casais. Cada pessoa é única e cada casal, formado por duas individualidades, tem que ter seu conjunto próprio de “regras”. Comunicar-se de maneira clara e objetiva desde o começo da relação é imprescindível para que ambos decidam o que é e o que não é aceitável.

 

Mas, afinal, querer controlar a vida do parceiro é normal?

Não deveria ser. Num relacionamento de casal, a confiança deveria vir em primeiro lugar. Até porque duas pessoas escolhem ficar juntas por livre e espontânea vontade, certo? Ninguém é obrigada a nada.  Acontece que muitos casais se formam não somente pela vontade de estar juntos, mas por inúmeras outras razões (como carência, medo da solidão, vingança, interesse, dentre outros). E é aí que as cobranças começam a surgir. Se você já sabe que ele é infiel, por exemplo, e opta por entrar num relacionamento com ele mesmo que fidelidade seja uma regra de ouro para você, as chances de você virar uma namorada totalmente neurótica e querer controlar cada passo da vida dele são enormes.

O mesmo acontece quando acreditamos no conjunto de verdades sociais repassadas por livros, novelas, filmes e músicas de que o amor é sofrido, a traição está à espreita, os homens não conseguem resistir a um rabo de saia. Essas são crenças limitantes que devem ser esquecidas urgentemente. Porque não, não é absolutamente verdade que todos os homens traem. Talvez você até já tenha sido traída no passado. Mas isso não significa que você deve viver insegura no relacionamento atual e ser tornar campeã no quesito controle da vida do parceiro. Já falamos sobre carregar traumas do relacionamento anterior aqui: https://bit.ly/2D0oJjz

O medo da perda, de ser traída e de ser trocada, assim como o sentimento de posse, vêm do senso de escassez que rege boa parte das nossas relações sociais. Aprendemos desde garotinhas que há mais mulheres do que homens e crescemos em um clima de disputa – assim é com quase tudo em nossa sociedade. Mas precisamos dar um basta! Não precisamos mais viver com medo e muito menos com a necessidade de controlar a vida do outro para nos sentirmos seguras.

Cuidar daquilo em que acreditamos é um ponto fundamental para exercitar o desapego nas relações. Desapegar da necessidade de ter a vida do parceiro sob controle não significa viver uma relação aberta, e sim, entender que, se ele está com você, é porque quer. E, sim, ele ESTÁ com você – isso não quer dizer que ele É SEU. De nada adianta controlar e stalkear pois, no fundo, quem quer mesmo trair dá um jeito e quem costuma mentir vai continuar mentindo, certo? A escolha de viver um relacionamento baseado na falta de confiança e na ansiedade é sua. Você também está com ele porque quer, não é mesmo?

Se você acredita que amar é desejar saber cada passo do ser amado, reveja seus conceitos. Se estar em uma relação, para você, é sinônimo de medo e insegurança, reveja suas crenças. Se você confunde possessividade com amor e carinho, reveja seus sentimentos. O controle não ajuda em nada. Na melhor das hipóteses, pode até parecer sossegar seu coração descompassado por alguns momentos. Mas a verdade é que, ao contrário de unir, o controle sufoca e afasta o outro. O verdadeiro amor precisa ser livre. Liberte-se já do peso e da ansiedade de querer controlar a vida do seu parceiro. Liberte-o da sensação de sufocamento que o controle traz. Sejam livres! Se não há confiança, não vale a pena.

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Quem aí gosta de controlar?

Um dos nossos maiores erros na vida é acreditar que podemos controlar tudo que nos acontece. E, quando o inesperado chega, nos sentimos sem chão, não é mesmo? Mas que tal tentar aceitar que o mais belo da vida é a surpresa?

Acreditar que podemos controlar tudo (e até todos) a nossa volta nos traz muitos problemas. Alguns deles são: o desgaste, o desperdício de energia e a perda de foco, sem contar com ansiedade, fobias, estresse e, em um grau mais elevado, até depressão. A verdade é que não podemos controlar absolutamente nada que está fora de nós. Nada. E nem ninguém. Portanto, o melhor que podemos fazer é exercitar a aceitação do desconhecido e o entendimento de que o melhor da vida está no inesperado, naquilo que pode nos surpreender.

A grande questão é que acreditamos, lá no fundo, que tendo controle sobre as coisas, pessoas e situações, evitaremos o sofrimento. O ser humano foge, com todas as suas forças, daquilo que possa machucar e provocar dor. Mas quem garante que o controle realmente é capaz de evitar o sofrimento? A tentativa de controle, especialmente sobre outra pessoa, pode inclusive ser a causa de sofrimentos desnecessários. Não temos como nos blindar o tempo todo contra forças contrárias, pessoas desafiantes, comportamentos alheios que nos causam desconforto, contratempos e negativas.

A vida é feita de altos e baixos, alegria e tristeza, tempos de paz e tempos de turbulência. Enquanto os primeiros nos confortam e nos trazem alegria, os segundos nos tiram da zona de conforto, mas podem ser incrivelmente engrandecedores. Não que seja possível aprender somente quando estamos sofrendo, mas é certo que a dor é um burilamento da alma, pois nos ajuda a repensar fatos e situações, nos leva aos nossos limites, testa nossa paciência, nossa força e nossa resiliência. E quando saímos dela, nos tornamos inevitavelmente mais fortes e maduras e, se soubermos viver a tormenta em sua totalidade, ainda ganhamos em autoconhecimento.

Você gosta de controlar?

Pare por um instante e responda sinceramente à essa pergunta: O que exatamente você acha que pode controlar, além de si mesma e de seus próprios pensamentos? Pois vou te contar duas coisas: 1) o controle não passa de uma ilusão e 2) boa parte do seu sofrimento está sendo causado por você mesma.

Controlar tudo não é possível. Criar expectativas, então, é o caminho certo para a decepção e a frustração. Em vez de se desgastar tentando controlar os acontecimentos da sua vida e as pessoas do seu convívio, tente viver um dia de cada vez. Tente acolher o que vem. Tente experimentar o inesperado, acreditar que a vida e as pessoas revelam muitas belezas na surpresa. Saindo da ilusão do controle, é possível aprender a arte de alegrar-se com a beleza do que vem ou a lidar com a feiura do que aparece – na hora certa. Um dia de cada vez.

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