Seu ciúme prejudica suas relações?

Alguém aí tem dúvida de que o ciúme prejudica o amor e a convivência? Tem? Então, vamos falar um pouco sobre o ciúme e as relações.

 

Muitas mulheres que me procuram com problemas de relacionamento, sofrem por causa de ciúme. E, a grande maioria delas, sofre porque acredita que o outro é quem precisa mudar para que elas possam deixar de sentir insegurança e voltar a confiar. Mas, será? Será mesmo que o remédio para o nosso ciúme e o nosso sofrimento está nas mãos do outro? E será que temos a real dimensão do quanto o ciúme prejudica as nossas relações? Eu acredito que não, e falar sobre isso é urgente e necessário.

A crença de que o ciúme é prova de amor e que é um bom tempero para os relacionamentos tem deixado muitos casais por aí em pé de guerra. Isso porque tem quem acredite que, se não há ciúme, não há amor! Mas, não poderia haver crença mais distorcida. Que tal trocarmos essa crença equivocada pelo pensamento de que “quem ama, confia”? Ou você acredita que é possível amar alguém sem confiar? Quando existe sentimento real, aprendemos a confiar no outro. Do contrário, não é amor... pode ser carência, dependência, apego ou algo do tipo. Mas, não amor. E para que a gente possa amar e confiar em alguém, a regra de ouro diz que devemos, antes, nos amar e confiar em nós mesmas. Lembra?

Compreender de verdade até que ponto o ciúme prejudica nossas relações pode ser um exercício sofrido. Muitas vezes, preferimos fugir a enxergar essa realidade. Isso porque, no fundo, ninguém gosta de admitir que sente ciúme. Muito menos que isso prejudica a nossa vida. Mas, calma. Vamos por partes. Você acha que suas amigas te veem como alguém ciumenta? Perguntar a elas pode ser bastante útil – não para que elas te definam, mas para ter uma noção de como as pessoas do seu convívio te enxergam. E seu companheiro, será que ele acaba não contando algumas coisas que acontecem no dia a dia dele, com medo de que você entenda como motivos para sentir ciúme? E você, lá no fundo, se considera uma pessoa insegura? Como essa insegurança reflete nas suas relações? Pensar sobre esses pontos pode te ajudar a entender se o ciúme é ou não prejudicial na sua vida.

Nossas relações merecem amor, não ciúme

Uma coisa é fato: todas nós sentimos ciúme em algum momento da vida. Sentir ciúme de forma amena e passageira, é perfeitamente normal, porque vem da nossa vontade de que as coisas permaneçam sempre como estão. A impermanência da vida pode ser bastante assustadora, não é? Se vivemos um amor maravilhoso, pertencemos a uma família especial, temos as melhores amigas que alguém poderia ter... não queremos que nada disso mude, certo? Mas, estar em estado de alerta ou de defesa, desconfiando de tudo e de todos é bastante prejudicial não apenas para nós, mas para nossas relações.

Faça uma análise das suas relações. O que não anda bem? Quem é o responsável por aquilo que não está como você gostaria? Observe como você se relaciona com a mudança, com o imprevisto, com a impermanência da vida. Geralmente, quem tem não teme o novo e o que não se pode controlar, consegue construir relacionamentos mais saudáveis, sólidos e duradouros. Do contrário, vive estressada e com receio do que pode estar por vir.

Assim acontece com quem sente muito ciúme: vive insegura e com medo do que pode vir a acontecer. E o ciúme passa a ser como um terceiro elemento na relação – sempre rondando, desgastando, semeando desconfiança, trazendo desconforto e até brigas.  Mas, e se fosse o contrário, e se você tivesse alguém sempre desconfiando de você, como se sentiria? Fazer esse exercício pode te ajudar a entender melhor a situação e o quanto o seu relacionamento tem sido prejudicado por conta do ciúme.

Experimente ouvir seu coração. Ele tem a resposta sobre o quanto, de verdade, você e suas relações sofrem por causa do seu ciúme. E saiba que tudo tem solução. Nós somos seres mutáveis e, conforme amadurecemos, podemos provocar muitas mudanças positivas em nossa vida. Lembre-se: se você precisar de ajuda para aprender a driblar o ciúme, nosso Clube da Ciumenta* começa na próxima terça-feira, dia 30 de abril, e as vagas são limitadas. Venha conversar sobre esse assunto, conhecer histórias de vida, trocar experiências. Você não está sozinha!

*Inscrições: https://bit.ly/2Hs8i1S

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Ciúme – de quem é o problema?

Quando a gente sente aquele medo de perder alguém ou de ser trocada por outra pessoa – o sentimento em questão diz respeito a quem? Tem mais a ver com quem somos e com as nossas próprias percepções ou é uma consequência do comportamento das pessoas com quem convivemos? O que você acha?

 

Na verdade, eu nem gosto de me referir ao ciúme como um “problema” porque, nem sempre ele é realmente um problema. O ciúme é um sentimento como qualquer outro, basta sabermos lidar com ele. Ele passa a ser um problema apenas quando e se começa a prejudicar nossa vida e nossas relações. Quando permitimos que ele cresça dentro de nós, ele pode tomar proporções enormes e fazer com que a gente perca a cabeça e faça até loucuras. E tudo isso com o intuito de “defender o que é nosso”, não é mesmo?

No entanto, nos esquecemos que, quando se trata de pessoas, nós não “temos” ninguém, não “possuímos” ninguém. Então, a sensação de posse é totalmente irreal. E esse medo de “perder” quem amamos surge da nossa própria insegurança, da nossa baixa autoestima e, principalmente, da falta de confiança em nós mesmas. E é isso que a gente revela para o outro quando sente ciúme dele: demonstramos que há algo em nós que não anda bem. Ou seja, o ciúme tem muito mais a ver com quem sente do que com o comportamento do outro, propriamente dito.

Talvez você não concorde com o que acabou de ler, pois seja como muita gente que, quando admite sentir ciúme, já vai logo arranjando uma justificativa: “é que ele não me passa confiança”, ou “é que ele dá muito mais atenção a outras pessoas do que a mim”. Há até quem diga: “mas, eu tenho razões para sentir ciúme, pois já fui traída por ele”. Acertei? Então, para essas pessoas, a culpa do ciúme sempre é do outro, não é mesmo? Só que, na minha opinião, não é bem assim.

Primeiro, porque não podemos culpar ninguém por algo que nós mesmas sentimos. Temos que ter autorresponsabilidade não só por aquilo que fazemos e dizemos, mas também pelo que sentimos. Segundo, porque só confiamos no outro quando temos, antes, confiança em nós mesmas, em nossos sentimentos, nas nossas capacidades e no fato de que somos amadas, que somos especiais e merecemos o melhor. E, terceiro, porque temos que levar em conta duas questões extremamente importantes nas nossas relações: ESCOLHAS e LIMITES. A escolha de estar ao lado de alguém que tem determinado tipo de comportamento que nos provoca ciúme é nossa. Não somos obrigadas a conviver com quem quebrou nossa confiança, com quem nos desperta medo e insegurança. A escolha é nossa. Talvez você diga que o faça por amor. Tudo bem, mas ainda assim é uma escolha sua, percebe?

E o fato de amar alguém não quer dizer que devamos tolerar todo e qualquer tipo de comportamento do outro. Tolera quem se sente insegura, não se valoriza, não confia em si mesma e não se ama o suficiente. E, sim, amar-se também é imprescindível num relacionamento. E quem se ama de verdade e se valoriza, coloca limites.

Se você ainda está pensando que o ciúme pode surgir da vontade de estar junto para sempre, pare e pense: junto para sempre em que condições? Você gostaria de viver num relacionamento em que sofre com o que sente e tenha que lutar constantemente para garantir a sua segurança? Não permita que o seu medo vença e que o ciúme tome conta de você e reja seus relacionamentos. Tenha autorresponsabilidade pelos seus sentimentos, pelas suas escolhas e imponha seus limites. Empodere-se, Amarilda! Assim você certamente conseguirá combater o ciúme ou, ao menos, conviver com ele de uma forma mais saudável.

 

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