Amor incondicional existe?

Quando se fala sobre amor incondicional, o que vem à sua mente? Amor de amigos, de filhos, de casal? Pois eu digo com todas as letras: não existe amor incondicional nos relacionamentos amorosos. Saiba por quê.

Pelo dicionário, incondicional é um adjetivo que significa “que não depende de, não está sujeito a qualquer tipo de condição, restrição ou limitação; incondicionado”. Na linguagem dos relacionamentos, amor incondicional é aquele que não cobra nada em troca. Será que esse tipo de amor existe mesmo? Se relacionamento é troca e amor incondicional pode ser uma via de mão única, o amor incondicional não pode ser uma característica dos relacionamentos amorosos. Percebe?

Uma das principais características dos relacionamentos saudáveis é o equilíbrio entre dar e receber. O equilíbrio media as relações e cria laços profundos e duradouros. Quando uma das partes doa mais, cuida mais, cede mais, tolera mais, o desequilíbrio aparece. E aí, quem deu demais se sente no direito de cobrar a conta do outro e quem recebeu demais se sente em dívida. Nem precisamos falar sobre o estresse e a dificuldade de permanecer numa relação assim.

Mas, provavelmente, você esteja se questionando sobre o amor entre mães e filhos. Como a maioria das pessoas, talvez você acredite que o amor incondicional seja possível nesse caso, certo? Entretanto, se pararmos para pensar, até mesmo nesse tipo de relação há condições. E a primeira delas é: amamos nossos filhos “incondicionalmente” justamente porque são nossos filhos. Essa é uma condição! Ou será que amamos os filhos do vizinho exatamente da mesma forma que amamos os nossos? Ok, mas você ainda deve estar pensando que amamos nossos filhos independentemente do que nos dão em troca. E eu te pergunto: e durante aqueles segundos ou minutos em que estamos bravas com eles por não nos darem obediência em troca de todo o nosso amor, carinho e atenção? Ou por serem diferentes daquilo que imaginávamos?

Amor incondicional é algo que prescinde de um desprendimento profundo. Ainda estamos a anos luz de conseguir entender como amar incondicionalmente e sem querer nada em troca, mesmo nos relacionamentos com nossos filhos. Somos conduzidas pelas nossas próprias necessidades, nossos próprios desejos e, por isso, nossos relacionamentos também têm ciúmes, possessividade, controle – características totalmente opostas ao amor incondicional. Com nossos parceiros, construímos relações baseadas na condicionalidade do afeto e do reconhecimento do amor. E é assim que deve ser.

É importante refletirmos sobre esse assunto por duas razões: para avaliarmos o quanto de nós estamos doando ao outro e para entender que tipo de troca buscamos para a nossa vida. Observe suas relações: elas são satisfatórias? Você está feliz com o que está doando e recebendo? Não busque o amor incondicional. Busque um amor equilibrado e maduro.

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Impor limites também é amar

Quando falamos sobre filhos, limites é um assunto fundamental. Há quem acredite que amar é conceder, doar, permitir. Mas coloque-se na seguinte posição: você se sentiria amada por alguém que tudo aceita, nunca dá opinião ou parece não se importar se você age, ou não, de maneira correta?

Você, que já é mãe, responda: você acredita que impor limites também é amar? Ou é daquelas que acredita que, para amar seus filhos, é preciso apenas liberar, doar, permitir, entender sempre e deixá-los tomar as decisões? Este é um assunto extremamente importante. Se levarmos o tema para nossa vida amorosa (e já falamos sobre isso aqui – https://bit.ly/2KPKDGX), fica mais fácil de entender: se não impomos limites, corremos o risco de desaparecermos. Ficamos sem voz, sem vez, aceitamos tudo, perdemos a identidade.O outro, por sua vez e mesmo sem perceber, torna-se um tirano que, aos poucos, deixa de perceber nossas necessidades e desejos, já que para nós tudo está sempre bom. Assim, o relacionamento se torna tóxico, e esse certamente pode ser o início do fim da relação.

Voltando à maternidade, podemos afirmar que temos o mesmo panorama: mães permissivas, mesmo que por amor, criam filhos tiranos! As crianças que hoje mandam e desmandam em adultos, certamente amanhã, ao se relacionarem, terão imensa dificuldade de ouvir o que o outro tem a dizer e de entender e respeitar as necessidades e os desejos alheios. A criação sem limites gera adultos que dificilmente se portarão de maneira saudável em suas relações.

Assim como impor limites nas nossas relações pessoais é extremamente saudável para nós, impor limites como mães é também é saudável para nossos filhos. Afinal, educamos muito mais pelo exemplo do que pelas palavras, não é mesmo? E, ao entender que a mãe é uma pessoa que tem suas próprias opiniões e necessidades, e que entende seu lugar no mundo, a criança percebe que também é um ser único que precisa compreender e acolher não apenas sua própria individualidade como a do outro e que precisa respeitar para ser respeitada.

Muito se fala, hoje em dia, em criação com apego – que nada mais é do que criar filhos de forma empática, criando vínculos reais de amor e confiança. Mas muita gente confunde apego com falta de disciplina e de limites. Gerar empatia no outro também é fazê-lo entender e respeitar o fato de que cada um tem seu lugar. Inclusive as crianças. Na verdade, amar impondo limites nada mais é do que fazer com nossos filhos o que gostaríamos que fizessem conosco: respeitar a individualidade e as regras de cada um com gentileza, empatia e amor.  

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Existe relacionamento após a maternidade?

Esta é uma pergunta que muita gente se faz: existe relacionamento homem-mulher após a maternidade? Após a chegada do bebê, como fica a vida amorosa?

A questão do relacionamento após a maternidade é muito presente no dia a dia de muitas mulheres. Apesar de a maioria de nós desejarem ser mães e estarem em busca dessa experiência, muitas vivem com esse medo: como será minha vida como mulher depois que eu tiver filhos? Como tudo na vida, ser mãe e ser mulher (e namorada, esposa, companheira) requer uma boa dose de equilíbrio e outra de autoconhecimento profundo. Ah, e a busca constante do que é ou não válido para você, essa é sempre uma questão-chave – já que o que funciona para uma, pode não dar certo para a outra.

Quando o assunto é relacionamentos, há mulheres que se entregam com todas as suas forças, e que se esquecem, inclusive, de si mesmas. No outro extremo, há quem morra de medo de perder a individualidade e que, por isso, prefere até mesmo ficar sozinha – ou,  quando se relaciona, trata o parceiro quase como um inimigo, de quem precisa se defender constantemente para não se perder de si mesma.

Da mesma forma, há mulheres que se esquecem do mundo quando se tornam mães. Que, muitas vezes, projetam na maternidade uma saída para alguma insatisfação, seja consigo mesma, com a vida profissional ou com o relacionamento amoroso. Elas passam a transitar em volta dos filhos como satélites, esquecendo-se das suas próprias necessidades pessoais. Como exemplo oposto, há quem não muda sua vida em nada, que já planeja a gravidez em mínimos detalhes para que a maternidade não “atrapalhe”.

Certamente, nenhum desses comportamentos é o ideal. Negligenciar sua vida pessoal não fará de você uma mãe melhor. Pelo contrário!  Fará de você uma mãe impaciente e ainda mais cansada. E tratar a maternidade como apenas mais um assunto da vida, mesmo que seja em prol de seus relacionamentos, pode trazer prejuízos no longo prazo. Mas, então, qual a saída?

Existe relacionamento após a maternidade?

Como tudo na vida, relacionamento e maternidade só têm uma boa convivência com equilíbrio. Nossos parceiros têm que entender que, como mães, cumprimos um novo papel, mas não deixamos de ser mulher – essa é uma das maiores dificuldades dos novos papais. Essa fase da vida, em que um bebê chega em uma família, exige muita paciência e atenção para que nenhuma das partes seja negligenciada. Sim, o bebê precisa de cuidados e carinhos (praticamente em tempo integral), mas a mamãe e o papai também precisam – talvez mais do que nunca. E quando alguém se sente negligenciado, há um desequilíbrio e o relacionamento se torna pesado e frustrante.

Deixar de ser ver como mulher é um erro, assim como deixar de enxergar o parceiro. Mas negar que existem mudanças que surgem com a maternidade também é. Como você lida ou lidou com esse assunto? De que forma conseguiu equilibrar os papéis de mãe e mulher? Compartilhe sua experiência, isso pode ser riquíssimo para que outras mulheres possam se espelhar e entender seus próprios dilemas.

 

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