A síndrome do “ele é demais pra mim”

Há um tipo de comportamento que muitas de nós costumam apresentar quando “o cara” chega à nossa vida: travamos, receamos, passamos a ter medo daquilo que sempre sonhamos. É o que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”.

 

Todo mundo já sonhou em encontrar a pessoa ideal e viver um relacionamento amoroso saudável e feliz, não é mesmo? Deixando de lado todas as expectativas irreais, as características dignas dos príncipes encantados, as imposições sociais, o que a nossa família e os nossos amigos pensam, essa pessoa existe! Acredite, há alguém que é exatamente o que a gente procura. E aí, quando fazemos a nossa “lição de casa” direitinho, desenvolvendo as mesmas características que procuramos no outro e nos abrindo para novas experiências, eis que ele aparece. Sim, isso é plenamente possível.

E o que acontece com você quando esse momento finalmente chega à sua vida? Você conhece “o cara”, há o encontro, há reciprocidade. E aí? É muito comum que nessas horas a gente trave, se desespere, comece a pensar que é bom demais para ser verdade, que essa pessoa é demais para nós e, então, perdemos o eixo. Começamos a agir de maneira diferente, temos receio de ser nós mesmas. Aí, passamos a aceitar tudo do jeito dele, porque “vai que ele desiste de nós”? Nos tornamos alguém que nunca diz “não”, que aceita todos os programas, que raramente coloca a própria opinião e expressa os próprios gostos, que muda até a própria vida para “caber” na vida do outro. Quem aí se identifica?

Esse tipo de comportamento ilustra aquilo que eu chamo de síndrome do “ele é demais pra mim”. É quando a gente passa a se sentir menor, inferior. Quando não nos sentimos merecedoras daquilo que a vida nos apresenta. Quando temos medo de perder o que temos. Assim, nosso amor-próprio e nosso autorrespeito pelas nossas vontades e pelos nossos valores parecem desaparecer no meio do receio de que a mágica simplesmente se desfaça. E então, sem que a gente perceba, passamos a jogar contra nós mesmas. Talvez a gente pense que agir assim favoreça a relação, mas o que acontece é o exato oposto. E é assim porque nossas ações estão sendo guiadas pelo medo e não pelo amor.

O intuito de parecer uma pessoa neutra, flexível e que agrada a todos vai contra a construção de um bom relacionamento. Pense bem: você gostaria de se relacionar com alguém que não se coloca, que não se expressa e que sempre concorda com tudo? Pode até parecer atraente no início. No entanto, aos poucos vai perdendo a graça. A gente gosta de pessoas com atitudes, opiniões, seguras de si, que têm vida própria, certo? Pois bem, achar que o outro é demais para nós vai contra tudo isso. Tenha a certeza de que se realmente há amor, há espaço suficiente para que você seja exatamente quem é e o ame do jeito que ele é.

Esqueça as comparações!

Eis uma verdade absoluta: ninguém é melhor do que ninguém. Pensar que alguém é demais para nós reflete a nossa mania descabida de comparação e de depreciação de quem somos. Sim, porque afirmar que o outro é demais, é dizer que não somos boas o suficiente. E essa é a maior mentira na qual podemos acreditar. Entenda: somos todos seres incomparáveis! Não existe ninguém nesse mundo melhor ou pior do que ninguém.

Existe alguém que esteja em sintonia com o seu momento, com os seus objetivos, com os seus sonhos, que vai te apoiar, complementar a sua vida. E, se ele apareceu, é porque você merece, sim! Não tenha medo. Não se boicote. Não jogue contra você mesma. Seja sempre quem você é, aconteça o que acontecer. Só assim você será capaz de construir e viver relacionamentos baseados em verdade, honestidade e sinceridade. Se não for dessa forma, nem vale a pena.

 

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Emendar um relacionamento no outro diz muito sobre você

Você vive de relação em relação, emendando um “amor” no outro? Cuidado! Esse tipo de comportamento pode revelar uma característica muito importante: o medo de ficar sozinha e de cuidar da própria vida.

Gente que emenda um relacionamento no outro. Mal termina com alguém, já está se envolvendo com uma pessoa nova. Você é assim? Se não é, certamente conhece alguém que seja, né? Muitas mulheres têm esse tipo de comportamento: nem bem acabam uma relação, já iniciam outra, em busca de conforto e satisfação pessoal. Isso acontece quando acreditamos que só podemos ser felizes estando com alguém. Mas isso é uma mentira!

Quem emenda um relacionamento no outro pode ter, lá no fundo, um medo gigante:  ficar sozinha. Aliás, quem nunca? A verdade é que esse medo foi alimentado por séculos! Há menos de 100 anos, as mulheres eram criadas para serem esposas. E há muito menos do que isso, uma mulher divorciada era colocada à margem da sociedade. Ou seja, nós realmente viemos de um tempo em que ficar sozinha era motivo de exclusão. Ainda hoje existe, no inconsciente coletivo, a informação de que estar sozinha não é bom.

No entanto, isso não faz o menor sentido nos tempos atuais. Estar sozinha é a melhor forma de nos conhecermos, de ter contato com nossas próprias necessidades, de experimentar o que nos faz realmente bem. Infelizmente, muitas de nós ainda passam a vida toda fazendo o que o parceiro gosta, o que o marido quer, o que o namorado acha certo. Em pleno 2019! E não é fraqueza. É que ir contra esse inconsciente coletivo requer muita coragem e uma dose extra de determinação, mesmo.

Mas não é só isso. Além do medo de ficar sozinha, quem emenda um relacionamento no outro e faz de tudo o tempo todo para estar com alguém pode estar fugindo de si mesma. Relacionamentos nos mantêm ocupadas e com menos tempo de olhar para dentro. Quando o foco está do lado de fora, não precisamos nos confrontar com nossas verdades internas. Pare e reflita: de que exatamente você tem fugido quando escolhe fixar sua atenção no lado de fora? Carência? Julgamentos? Medo? Fazer uma autoanálise é muito importante para entender o seu funcionamento emocional. Assim, poderá fazer escolhas mais conscientes e saudáveis daqui para frente.

Por que, então, emendamos um relacionamento no outro?

Provavelmente porque temos medo de nunca mais estar com alguém. Porque temos medo de ter algum “defeito de fábrica” que faz com que a gente não consiga manter um relacionamento por muito tempo. Porque temos medo de descobrir que somos muito diferentes da nossa família e das nossas amigas. Porque vivemos querendo provar algo para alguém.

Mesmo que tudo isso aconteça de forma inconsciente, a necessidade de emendar um relacionamento no outro é sinal de que estamos em falta com nós mesmas. Não, ninguém tem o dever de segurar relacionamento. Relacionamentos permanecem porque fazem sentido, porque alimentam duas almas, porque são feitos de sonhos em conjunto e de duas pessoas inteiras. Ninguém deveria ter medo da solitude, da própria companhia, da oportunidade de fazer as próprias escolhas, da própria verdade e de se honrar por tudo isso.

Emendar um relacionamento no outro é uma fuga que apenas afasta você de si mesma. Se estiver sozinha ou prestes a ficar, experimente estar um tempo a sós com seu próprio universo. Investigue sua alma, descubra suas reais afinidades. Prove a calma de tomar um chá vendo o pôr do sol, ou de ir à praia no horário em que bem quiser, sem necessariamente precisar de companhia. Escolha o filme, a série, o livro. Por você. Exercite primeiro esse amor, que o amor a dois virá melhor, depois.

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Você tem medo de amar?

Relacionar-se envolve abrir a alma e o coração, ter disposição para enfrentar uma realidade de incertezas, confrontar a própria sombra e, talvez, fantasmas do passado. Muitas pessoas têm medo só de pensar. Mas só há um jeito de se curar: permitindo-se amar e ser amada.

Tem muita gente por aí morrendo de medo de embarcar em novos relacionamentos. Seja porque já viveram relações muito conturbadas há algum tempo, porque colecionam uma série de decepções e frustrações ou porque não foram correspondidas em amores passados. Há quem ache que relacionamentos só trazem problemas e quem acredite que amar é sofrer. Os motivos são muitos e variados, mas carregam a mesma realidade: receio de se machucar novamente.

A verdade é que quando se trata de relacionamentos, quem está na chuva é para se molhar. Não se pode absolutamente ter garantias de que da próxima vez será diferente. No entanto, não podemos nos esquecer do fato de já não sermos mais aquela pessoa que se envolveu com aquela outra. Podemos, sim, fazer diferente daqui em diante. Relacionamentos, principalmente aqueles ruins, têm muito a nos ensinar. O que você aprendeu com aquele seu relacionamento traumático do passado?

Não podemos deixar que nossas experiências doloridas nos impeçam de acreditar no amor. Como seres humanos, nascemos para a convivência, e não para sermos sozinhas. Ficar sozinha é muito bom e necessário por um tempo – mais longo para algumas de nós, mais curto para outras. Mas, a vida só se perpetua através do amor – este é o único caminho. Portanto, se você se identifica com o medo de se relacionar, saiba que ele só pode ser combatido ao experienciar essa condição de seres sociais: precisamos amar novamente para curar o medo do amor.

E amar não é apenas dar amor, mas principalmente, permitir-se e abrir-se para recebê-lo, para ser amada. E isso exige que a gente se mostre exatamente como é, sem proteções ou barreiras. Amar é, sim, um estado de vulnerabilidade. E algumas mulheres confundem essa vulnerabilidade com a perda do poder que exercem sobre a própria vida. Uma crença extremamente limitante, já que mostrar quem se é de verdade é sinal, pelo contrário, de força e de certeza da própria capacidade de ser.

O medo de amar afasta o amor

O que acontece é que, por medo, vamos nos fechando para o outro. A insistência dá lugar à acomodação. E é aí que mora o perigo, porque podemos nos dar conta, um tempo depois, de que deixamos de viver experiências extraordinárias. Sabe quando temos medo de nadar e todos os nossos amigos se jogam ao mar naquele passeio do último ano de colégio? Anos depois, inevitavelmente, nos pegaremos questionando: “Será que não teria sido melhor pular?”.

Amar é um salto no escuro, é esquecer o medo a favor da vida, é permitir que o outro nos veja assim, como somos: um misto de fortaleza e pavor de que nada dê certo. Mas a vida é um jogo de 50-50. Pode dar tudo errado, mas pode simplesmente ser fácil e bonito. E é mais provável que seja assim quando estamos abertas e dispostas. Quando nos permitimos. Quando deixamos que a coragem nos faça seguir, mesmo com medo. Porque quem vive com medo e permite que ele vença, acaba vivendo pela metade.

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Sozinha ou só?

Para você, o que é mais preocupante? Estar sozinha ou sentir-se só? Talvez você esteja se dizendo que dá na mesma, mas existe uma diferença grande entre os dois conceitos, quer ver só?

Muitas de nós confundem estar sozinha com a sensação de estar só, e essa confusão gera um medo que nos direciona e condiciona, sem que a gente perceba. Provavelmente você já tenha se visto em uma relação sem muito futuro apenas por estar com alguém. Posso apostar que sim. Mas também já se sentiu muito bem caminhando pela praia ou curtindo um cineminha em sua própria companhia, por exemplo. Consegue perceber a diferença?

Enquanto estar sozinha se refere a estar ou não com alguém, sentir-se só tem muito mais a ver com um estado emocional. Podemos estar sozinhas e não nos sentirmos sós. Isso acontece quando nos sentimos bem em nossa própria companhia, quando nos sentimos preenchidas e empoderadas, quando temos consciência de quem somos e quais os nossos desejos e objetivos. Por outro lado, também é possível estarmos em um relacionamento amoroso ou na companhia de alguém e, mesmo assim, nos sentirmos sós. É aquela velha história de estar só em meio à multidão. Quem nunca?

Quando nos sentimos inteiras, somos capazes de realizar nossos próprios desejos e nos mantemos no topo das nossas prioridades. Aprendemos a estar sozinhas de forma tranquila e descompromissada, tornamo-nos nossa melhor companhia e quase nunca nos sentimos sós. A grande questão é que, muitas vezes, colocamos todo o nosso interesse no mundo exterior e esquecemos de preencher o vazio interno, que nos deixa carentes e suscetíveis a modelos sociais de vida. Buscar alguém só porque temos que estar acompanhadas é tão ruim quanto evitar relacionamentos com base em sofrimentos anteriores.

Muitas de nós colecionam relacionamentos ruins especialmente porque aceitam o primeiro parceiro que aparece. O medo de ficar sozinha fala mais alto, os valores se invertem e tudo começa “errado”. Ok, é difícil falar o que é certo ou errado em termos de relacionamento, já falamos sobre isso aqui mesmo neste blog (https://bit.ly/2KJ5KtE). Mas existe algo que precisa ficar claro: enquanto você não se der o cuidado e o amor que dedica aos outros, invariavelmente sentirá que falta um tempero nas suas relações. E isso acontece porque o amor-próprio que está sendo esquecido!

Sentir-se só é esquecer de si mesma, a ponto de alimentar solidão, independentemente de estar ou não sozinha. Do contrário, quando nos nutrimos e estamos em sintonia com nossas vontades e objetivos, não “precisamos” estar acompanhadas, e, na verdade, nunca estamos desacompanhadas, mesmo sem ninguém ao lado. Estando inteiras, amizades e família têm mais valor, e inclusive um relacionamento é possível, mas sem estar embasado na sensação de escassez e de falta.

O preenchimento de si mesma é algo que precisa ser cultivado e que prescinde de autoconhecimento, autoavaliação e aprendizado sobre como lidamos com as mudanças da vida e como reagimos ao que nos acontece. Sofrer é uma grande escola. Mas o aprendizado não precisa ser sofrido, porque ele pode (e deve) ser realizado com amor. Coloque-se nessa jornada de autocuidado e reflita sobre como e por que você entra nas relações. Assim, você certamente entrará em sintonia com sua melhor versão e se perceberá bem independentemente de estar ao não acompanhada.

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Por que temos tanto medo da traição?

É verdade que cada uma de nós, mulheres, é única.  Mas quando se trata de medos e de relacionamentos, a grande maioria de nós tem um medo em comum: o de ser traída. E de onde será que ele vem?

Para muitas mulheres, o medo da traição é um dos principais fatores de sofrimento nos relacionamentos. Pouco importam suas origens, sua idade, sua profissão, seu tipo de personalidade... o fato é que é raro encontrar uma mulher que não tenha (ou nunca tenha tido) medo de ser traída ou trocada por outra. Mas de onde vem esse medo?

Analisando o histórico e a trajetória da humanidade, podemos constatar que as relações monogâmicas e baseadas na fidelidade são relativamente recentes. A sociedade patriarcal e de educação machista sempre enxergou o “pular a cerca” como algo “natural” e até como uma “necessidade masculina”. Ou seja, esse tipo de comportamento perdurou por anos e anos e, mesmo não fazendo mais parte da realidade atual, infelizmente ainda persiste no imaginário cultural de muita gente. Além disso, também vale lembrar que, hoje, vivemos na era da superinformação e dos modelos superficiais criados para o consumo – seja de beleza, biótipo ou comportamento. Ansiamos por consumir cada dia mais e essa ansiedade se reflete, inclusive, na fragilidade e na superficialidade das relações humanas.

Mas então, o medo da traição, tão comum entre as mulheres é ou não é infundado? Em parte, sim. Porque, apesar de estarmos falando de algo que realmente acontece (e muito), é preciso entender que existe uma relação muito poderosa entre o medo de ser traída ou trocada e a baixa autoestima. Esse medo, na maioria das vezes, surge do sentimento de inadequação ou como fruto de crenças limitantes do tipo “eu não sou boa o bastante”, “ninguém vai me querer como eu sou” e “não consigo segurar uma relação”. Se você se identificou em algumas dessas frases, pare já.

Primeiro, segurar, ou melhor, dar continuidade a um relacionamento não é tarefa somente de um dos lados. Relacionar-se a dois é sinônimo de parceria, de partilha, e prescinde de companheirismo e lealdade. O código dos relacionamentos amorosos estáveis é baseado em fidelidade de ambas as partes. Portanto, não, nós mulheres não devemos nos sentir 100% responsáveis pela manutenção de uma relação, mesmo que nos dias de hoje ainda haja uma ideia social equivocada sobre o papel da mulher nos relacionamentos.

Se o medo de ser traída faz parte de seu repertório emocional, questione-se: de onde ele vem? Você já viveu algo real que o embase? Ainda que seja difícil admitir, perceba se ele está conectado à baixa autoestima, à falta de amor-próprio, à ideia de que sozinha não se pode ser feliz. Suas respostas a esse tipo de reflexão falam muito sobre você.

Acredite, sentir-se insegura em uma relação tem muito mais a ver com seus próprios fantasmas do que com o comportamento de quem vive com você. De um jeito ou de outro, temos que compreender de uma vez por todas que as pessoas são livres e têm o direito de fazer aquilo que bem entendem. De nada adianta tentarmos tolher ou controlar tal liberdade, pois, no final das contas, quem quer ficar, fica; quem quer nos respeitar, respeita; quem ir embora, vai. Então, qual o sentido desse medo? Bora viver no momento presente e ser feliz?!

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Você tem medo da escassez?

O medo da escassez nos faz viver achando que vamos perder algo, que não temos tudo de que precisamos e nem somos merecedoras de ter tudo que queremos. Duvidar desse conceito nos leva para mais perto da verdadeira abundância nos relacionamentos.

Você tem medo da escassez? Calma, não responda assim, sem pensar. Faça uma autoanálise e perceba se você vive insegura, com ciúmes ou com receio de se abrir e mostrar quem realmente é, para não perder o outro. Esses são sintomas reais do medo da escassez. Muitas de nós fomos criadas com essa insegurança, com a ideia de que encontrar o amor é algo difícil e de que reciprocidade é raridade, acreditando que há poucas oportunidades e que, portanto, ter um relacionamento é como um grande prêmio recebido por poucas pessoas que realmente sabem como conquistá-lo e não deveriam perdê-lo.

Assim, o medo da escassez nos relacionamentos nos leva a atitudes como:

1.      Dificuldade de dizer “não”;

2.      Estar sempre disponível;

3.      Agir para agradar o outro.

Quando adotamos essa postura, perdemos uma parte imensa do amor próprio, porque nem tudo o que fazemos vai ao encontro dos nossos valores. Por medo de perder o parceiro, nos diminuímos, abaixamos o tom de voz, passamos por cima das nossas vontades, abafamos nossas opiniões, mudamos de gosto musical, de trabalho, de roupa inclusive. Tudo para nos enquadrarmos ao padrão desejado. Mas, desejado por quem, afinal?

O paradigma da escassez vale para tudo

Estamos falando de relacionamentos amorosos, mas é possível levar o dilema da escassez para todos os âmbitos da nossa vida. Mudamos a postura para não perder o emprego, deixamos de ouvir nossa voz interior para não ter confrontos com nossos familiares e amigos, nos portamos de certo modo porque a sociedade diz que é o certo. O medo de ficar só e de perder o que já conquistamos acaba dirigindo nossas vidas. Mas quem disse que tem que ser assim?

Nosso papel é questionar qualquer tipo de padrão que chega até nós. A primeira pergunta a se fazer é: isso serve para mim e está de acordo com meus princípios de felicidade? É isso que eu quero? Estar com alguém é mais importante do que estar bem consigo mesma? Será que tudo isso que “temos” continua sendo realmente nosso, a partir do momento que temos que mudar para manter?

Repense a maneira como você vê seus relacionamentos. Sempre é hora de recomeçar, de dar um passo na direção do autocuidado, da autovalorização, do amor-próprio, de entender nossas verdadeiras necessidades e de criar uma vida mais condizente com elas. Sem medo de perder, porque o que é nosso sempre fica!

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Medo: o maior impedimento para o amor

Quem ama verdadeiramente, primeiro tem que amar a si mesmo para depois amar ao outro. E nesse caminho, precisamos de doses extras de coragem para enfrentar o medo – que é o exato oposto do amor.

É verdade que o medo, sob a ótica social, é o mediador de nossas ações. Sem ele, não teríamos medida e nem segurança. É o medo que preserva a nossa vida nas situações de risco e de perigo. E, de certa forma, ele também acaba preservando nossas emoções. Acontece que nos relacionamentos, não há nada pior do que o medo, pois ele é o maior impedimento para que grandes encontros aconteçam e grandes amores floresçam. 

Sim, às vezes conhecemos pessoas e nos apaixonamos. Mas o medo nos impede de seguir e de nos aprofundarmos na relação. Porque para que haja um relacionamento real, é preciso entrega, e entregar-se requer coragem. Coragem não é quando não sentimos medo, mas quando o enfrentamos. Se o medo nos freia e paralisa, perdemos a capacidade de acreditar em nós mesmas, de enxergar que existem, sim, pessoas capazes de nos respeitar pelo que somos. Perdemos também a espontaneidade e a força de seguir abertas, aceitando o que a vida nos traz.

Por outro lado, se mesmo sentindo medo, nos impulsionamos ao novo, nos jogamos de cabeça em nossos sentimentos e nos permitimos amar, poderemos viver experiências incríveis. Ninguém está livre de errar e nem de se machucar. Mas se o medo nos impede de errar e nos machucar, ele também nos priva de aprender e crescer.  Errando aprendemos muito sobre quem somos e nos machucando, aprendemos sobre nossas medidas pessoais de afeto, limites e entrega.

Como ultrapassar a barreira

Provavelmente jamais estaremos isentas do medo. No entanto, já que coragem não é ausência de medo, e, sim, seguir apesar dele, precisamos vencer essa barreira para atingir nossos objetivos. E o primeiro grande passo para isso é se conhecer, compreender os próprios limites e descobrir os valores essenciais e imprescindíveis para si para que uma relação seja satisfatória.

Quando conhecemos a nós mesmas, entendemos melhor os nossos sentimentos e sabemos com mais clareza o que desejamos do outro, fica mais fácil abrir os braços para receber uma nova relação. O medo é inerente ao ser humano, mas podemos seguir nos relacionando apesar dele... Abraçando nossas fraquezas e nossas fortalezas, acertando e errando, aprendendo e nos machucando, e aceitando que tudo que vem é para nos ensinar. Só assim seremos capazes de amar e sermos amadas verdadeiramente.

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Orientação emocional – por que precisamos de ajuda?

Reconhecer os próprios anseios, saber separar os próprios valores, desejos e sentimentos dos do outro, respeitar os próprios limites e compreender até aonde vai nossa capacidade de doação são passos para a libertação da alma. E são eles que nos permitem traçar caminhos mais assertivos, maduros e satisfatórios em nossos relacionamentos.

Embora a guiança e as respostas estejam sempre dentro de nós, por que será que é tão difícil sair de certos relacionamentos ou de estados de desesperança e melancolia sozinha? A questão é que muitas vezes não conseguimos identificar onde está o problema. Sentimentos, sensações, medos e desejos também vivem dentro de nós de maneira confusa. Mas quando temos a oportunidade de expressar o que pensamos, o que sentimos, o que tememos, o que nos incomoda e o que desejamos, em terapias, por exemplo, compreendemos mais claramente o que se passa.

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Por mais fortes que sejamos, às vezes desmoronamos na fragilidade do nosso sofrimento. E tudo bem. O conforto pode vir quando alguém, de forma verdadeira e com a intenção de ouvir e ajudar, nos pergunta: “como você está?”. A terapia possibilita a abertura do coração. Daí a importância de realizar um processo terapêutico individualmente ou em grupo e de participar de encontros em que reconheçamos, nos outros, nossas próprias incertezas e frustrações. Não é fraqueza procurar ajuda, é sinal de fortaleza, de ânimo e de coragem para conquistar novos patamares emocionais. Vamos juntas?