Por que a gente terminou, mesmo?

Há um efeito muito comum ligado ao fim dos relacionamentos amorosos: não importa por quem a decisão tenha sido tomada, quando chega o fim, costumamos nos lembrar apenas dos motivos pelos quais iniciamos a relação. As razões pelas quais ela terminou perdem intensidade. Por que será?

 

Sabe quando a gente tem certeza de que a relação não vai mais dar certo, que já tentou tudo o que podia e que a melhor solução é seguir cada um para o seu lado? Mas, por que será que, mesmo assim, quando o relacionamento efetivamente termina, o filme que fica passando na nossa mente é aquele em que aparecem apenas os motivos pelos quais ficamos juntos lá no início? A tristeza e o luto que marcam o final do ciclo de um relacionamento amoroso são inevitáveis e perfeitamente normais. E, no meio da dor, os motivos pelos quais a relação acabou parecem ficar em segundo plano e as boas memórias e a tristeza pelo que poderia ter sido prevalecem.

Muitas vezes, a pergunta que ecoa nesse momento de desconforto profundo é: “Por que a gente terminou, mesmo?”. Isso acontece com muito mais frequência do que você imagina. Especialmente com quem termina uma relação sem brigas e sem um grande trauma. “Ah, ele era tão romântico”, “costumávamos fazer tanta coisa juntos”, “ele sempre me levava aos lugares de que eu mais gosto”, “nos divertíamos muito juntos” são algumas frases que podem vir à mente, junto a suspiros de nostalgia e à dúvida: “será que fiz(emos) a escolha certa, ao terminar?”.

A questão é que, mesmo nos casos mais complicados e dolorosos, em que haja ocorrido uma traição, por exemplo, ainda assim, as lembranças boas tendem a prevalecer sobre aquelas não tão boas.  Como um mecanismo de defesa contra a dor e a tristeza, nosso subconsciente nos leva lá para o começo da relação – onde tudo era maravilhoso e idealizado. Sim, toda relação começa com paixão, atenção, cuidado, curiosidade, admiração e carinho redobrados. Queremos tanto que dê certo que, muitas vezes, até optamos por passar por cima de alguns valores e daquilo que verdadeiramente desejamos em uma relação. E só nos damos conta disso quando a rotina chega, quando nossos sonhos já não parecem ser algo em comum e quando precisamos repensar nossas escolhas.

 

A vontade de fazer dar certo como no começo volta quando terminamos?

Será que quando a relação termina, voltamos àquele estado de positividade de quando iniciamos o romance e desejamos que tudo dê certo? Não há como saber se acontece da mesma forma com todo mundo, mas que a nostalgia do começo e o desalento pelo que perdemos de bom aparecem com o final, não se pode negar. “E se tentássemos mais um pouco só dessa vez?” – sussurra nosso coração cheio de (falsas) esperanças.

A verdade é que o melhor a fazer é sempre focar na realidade. Busque esquecer, apenas durante o período de luto, o romantismo dos primeiros tempos. É claro que ele é maravilhoso e é o que nos move no início de um relacionamento a dois. Mas a realidade mesmo, acontece no dia a dia. A rotina de um casal é feita de momentos felizes e outros nem tanto, de alegrias e desentendimentos, de conexões profundas e fases de distanciamento. Mas, se vocês terminaram, muito provavelmente é porque a balança estava pendendo mais para o lado não tão positivo, certo? Se o que pesou foi a falta de compatibilidade, as divergências de opiniões, de desejos e de objetivos individuais, e as diferentes prioridades, mais vale focar na realidade. Não há porque fantasiar com os encantos dos primeiros tempos se eles viraram apenas lembranças.

E não me entenda mal! Eu não digo que os momentos felizes e encantadores devem ser esquecidos! Esses, sim, são os que devem ficar quando você se lembrar daquela pessoa no futuro. No entanto, no primeiro momento após o término, na fase de luto, o que deve prevalecer são os motivos e as decisões quem levaram o casal a colocar um fim no relacionamento. Foco no aqui e agora, foco na realidade e nas razões que nos trouxeram até o que vocês estão vivendo no presente.

Ter um bom nível de autoconhecimento ajuda bastante no término dos relacionamentos. Só entendendo nossos reais objetivos de vida, nossos desejos profundos e nos dando o devido valor é que podemos entender com mais clareza que o período saudoso do fim é uma forma de nos despedirmos da relação, de aprender com o que passou, de sermos gratas pelo que foi. Deixe ir. Assim, novos amores poderão surgir, no tempo certo.

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