Quem você vê quando olha para seu parceiro?

Para ter um relacionamento saudável, é preciso respeitar as individualidades. Ampliar o olhar para realmente (re)conhecer e enxergar o parceiro é fundamental nesse processo.

Você enxerga seu parceiro como ele realmente é? Ou será que projeta nele aquilo que gostaria que ele fosse? Quem sabe até você o veja de acordo com aquilo que VOCÊ é, e não como ele é de fato. Parece confuso? Mas essa reflexão é muito importante no processo da construção de um relacionamento amoroso saudável. Para que uma relação cresça sobre bases sólidas, é preciso, antes de tudo, que ambos estejam dispostos a enxergar e receber o outro exatamente como é. Acontece que, muitas vezes, a gente se esquece disso. Passamos tanto tempo imaginando e fantasiando sobre o parceiro ideal que, quando alguém aparece, acabamos nos perdendo em nossas próprias ideias e necessidades – sem nem olhar para as dele.

Um dos maiores erros acontece quando entramos numa relação de cabeça levando nossas expectativas e carências conosco e esquecendo que do outro lado existe outra pessoa – que nem sempre irá supri-las. Aquele com quem nos relacionamos também é um ser humano que carrega seus próprios desejos, expectativas e ambições. E se ambos agirem de forma a concretizar suas próprias idealizações, grandes conflitos podem acontecer. Quando focamos apenas naquilo que sonhamos/criamos/esperamos por tanto tempo, colocamos o outro numa posição passiva e bastante incômoda. Relacionamentos amorosos são processos de construção de uma vida a dois e de pareamento de desejos e objetivos. Do contrário, ambos se perdem em suas fantasias e ilusões e acabam se frustrando.

Há quem diga que o amor de verdade é altruísta e olha primeiro para o outro e depois para si mesmo. Eu acredito que para que uma relação seja equilibrada, é preciso que ambos sejam contemplados: em seus desejos, suas expectativas, seus valores, seus objetivos, enfim, em seu modo de ser em geral. É claro que haverá algumas divergências, pois ninguém é igual a ninguém. O que importa é se é possível aceitá-las e lidar com elas de maneira saudável, sem grandes sacrifícios.

Certamente relacionamentos a dois pedem que a gente ceda ou abra mão de algo em prol da alegria do outro. Esta também é uma das muitas formas de amar: quando nos regozijamos com a felicidade do ser amado. Mas fazer disso uma regra pode levar à negligência das nossas próprias necessidades. Por isso o equilíbrio entre o dar e receber, o enxergar e ser enxergado é tão importante. E o desequilíbrio é muito comum em relações que começam de forma “errada”.

Mas, o que é começar de forma “errada”? É se envolver quando não nos sentimos inteiras, quando queremos apenas preencher nosso vazio, quando esperamos que o outro nos forneça o que não conseguimos por conta própria.  Quando entramos numa relação esperando que o outro tape os buracos da nossa alma e da nossa autoestima, satisfaça nossos desejos e corresponda às nossas expectativas, buscamos que ele nos sirva. Mas amor não é serventia, amor é complementariedade.

Observe-se e perceba se você está inteira antes de entrar de cabeça em um relacionamento. Então, fique atenta ao fato de continuar se sentindo inteira ao longo da relação e de conseguir entender que seu parceiro é outra pessoa, dissociada de você – que tem suas próprias necessidades e desejos, e que não está com você apenas para preencher seu vazio ou suprir suas expectativas e idealizações, muito menos para substituir alguém que já não faz parte da sua vida. Olhe para ele e veja exatamente quem ele é. Abra seus olhos e seu coração para enxergá-lo. Tudo isso tudo posto, acredite, suas chances de construir um relacionamento em bases sólidas e felizes são grandes!

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Parceria de amor e trabalho com a mesma pessoa – dá certo?

Amo com quem trabalho, trabalho com meu amor. E agora? O dilema de não saber separar trabalho e relacionamento ronda a vida de muitas mulheres. Vamos falar um pouco sobre o tema?

Amor e trabalho, como separar? Muitas mulheres vivem esse dilema: ou namoram/casam-se com alguém do ambiente de trabalho ou passam a trabalhar com seus parceiros amorosos em projetos em comum. E aí surgem várias dúvidas, principalmente sobre como não atrapalhar o dia a dia corporativo com os assuntos do relacionamento, e nem acabar levando trabalho para casa e matar a rotina romântica. É possível conviver com essa situação? Eu diria que sim, e há diversos casais que podem comprovar esse fato. Acredito que a chave é saber exercitar o bom senso para evitar pequenos deslizes que podem se transformar em grandes problemas.

Parte 1 – namorar/casar-se com o colega de trabalho ou chefe

Quando nos apaixonamos por alguém com quem já trabalhamos, o grande dilema fica por conta de não conseguir separar os sentimentos. Imagine que você namora seu chefe e ele (em sua posição profissional) tenha que te fazer uma crítica ou até te dar uma bronca. Se não há maturidade no relacionamento, a situação certamente vai virar uma DR em casa, muitas vezes sem necessidade. A grande dica é entender que temos diferentes papéis em cada situação da vida. Claro, não devemos fingir que não sentimos os desdobramentos de uma relação ruim a dois no ambiente de trabalho. Se um não está bem, certamente o outro vai estar comprometido, nem que seja de leve. Mas é preciso segurar a onda na hora de ser reativa, por exemplo, para não ser levada por um impulso e colocar os resultados do trabalho a perder. Não é simples, mas dá para exercitar.

Parte 2 – quando decidimos trabalhar com o parceiro

Os dois se dão super bem e decidiram empreender juntos? Ok, é hora de respirar e colocar alguns pontos nos “is” antes de arregaçar as mangas. Primeiro ponto: estabelecer tarefas e limites previamente é uma ótima estratégia para que ninguém se sobrecarregue e evita muita dor de cabeça depois. Segundo ponto: o combinado precisa ser: saímos do escritório (nem que ele seja virtual), voltamos a ser somente companheira e companheiro. Tem que ter a hora certa de voltar a falar de negócios e principalmente para fazer aquelas reuniões mais tensas. Um casal que sabe separar esses dois momentos, o de casa e o do trabalho, tem mais chances de ser bem-sucedido nas duas áreas da vida.

O que fazer?

Para que uma parceria profissional entre um casal renda bons frutos, é essencial que ambos tenham plena consciência da posição e do papel que desempenham no cenário do ambiente de trabalho. A intimidade entre o casal certamente pode ser um bônus, mas se transforma em ônus quando um se acha no direito de invadir o espaço do outro e trazer palpites ou críticas desnecessárias. Também é importante ressaltar que a competitividade atrapalha o conceito de parceria em si – tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Algumas dicas:

1. tenham papéis e funções profissionais bem definidos;

2. sejam claros e objetivos em suas colocações;

3. evitem palpites e críticas desnecessárias;

4. nunca levem uma discussão ou desentendimento profissional para casa, ou pessoal para o ambiente de trabalho;

5. priorizem a verdade e o conceito de parceria.

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Aja como parceira, não como mãe

Claro que estamos falando de relacionamentos. Existe uma facilidade muito grande de confundir papéis e acabar agindo de forma maternal em vez de se mostrar companheira. Como você tem agido ultimamente?

Em um relacionamento amoroso, trocar o comportamento de parceira pelo de mãe é um erro fácil de ser cometido, especialmente para quem já tem uma predisposição à maternidade e ao cuidado. Cuidar do outro é muito prazeroso, mas confundir os papéis pode levar a relação a um caminho sem volta. Quantas vezes dizemos ou escutamos frases como: “ele precisa de ajuda”, “ele gosta que eu o diga o que fazer”, ou mesmo “ele não vive sem mim”. Mas, será mesmo?

O primeiro ponto a ser observado para saber se estamos no papel correto numa relação de casal é compreender o que buscamos nesse relacionamento e o que temos a oferecer – assim como o que nossos parceiros esperam de nós e têm para nos dar. Será que seu parceiro busca alguém que faz por ele o que a mãe faz/fazia? Se esse for o caso, fuja! E você? Se você procura alguém de quem cuidar, olhe-se no espelho e comece por você mesma! Um casal que se une com um desses propósitos ou os dois, não vai muito longe. A não ser que, por algum motivo, ambos estejam contentes com os papéis distorcidos que desempenham.

Pare por alguns instantes e reflita sobre como você tem tratado seu parceiro. Se você se vê em um papel maternal que não reflete seus desejos e que não a traz felicidade, pare já! Não devemos agir como a mãe dos nossos namorados ou maridos. Não precisamos controlar e nem julgar seus comportamentos, e nem precisamos nos entregar de forma despersonalizante para garantir amor e reciprocidade. Quanto a eles, homens adultos e maduros não precisam que suas parceiras digam a eles o que fazer, o que deixar de fazer, como fazer, e assim por diante. O que é realmente necessário numa relação de casal é que ambos se amem e se aceitem como são. E que saibamos equilibrar, de maneira saudável, aquilo que damos e recebemos.

  • Observe se você:
  •  Doa mais do que recebe;
  •   Cuida de tudo (seja em casa, na agenda, etc.);
  •   Está sempre de olho em tudo que acontece e em tudo o que ele faz (ou não faz);
  •   Controla demais a vida de seu parceiro;
  •   Dificilmente faz coisas sem ele;
  •  Nem lembra quando foi que saiu com as amigas pela última vez.

Faz parte também da dinâmica do casal que confunde (ou projeta) os papéis de mãe e filho ter uma vida a dois menos apimentada, digamos. Agir como mãe reflete muito zelo e pouca intensidade. O cuidado e até o carinho, por maior que sejam, inevitavelmente vêm acompanhados de controle e julgamento. Não há uma troca equilibrada e não há reciprocidade – aquele que é cuidado pode até sentir-se em uma posição confortável, porém, inferior.

Observe sua relação e seus hábitos.  Você não se sente feliz? Mude! Exponha seus desejos, seus objetivos, suas vontades e até suas queixas e suas inquietações. No entanto, entenda que não dá para controlar tudo e que relacionamentos perfeitos não existem. Relaxe mais, invista em si mesma, divirta-se. A vida é uma só e há hora para tudo: de ser mãe, para quem deseja, e de ser mulher, amiga e companheira quando se trata de um relacionamento amoroso. Equilíbrio é tudo!

***Vale lembrar que, mesmo que seja menos comum, há casais em que o homem confunde o papel de parceiro com o de pai e a mulher, o de companheira com o de filha. A dinâmica é basicamente a mesma descrita acima e as consequências, tão desastrosas quanto.***

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O princípio da parceria nos relacionamentos

Muita gente imagina o romance como principal ingrediente de um relacionamento amoroso. E se eu te disser que o princípio de parceria é o que realmente faz uma relação durar no tempo?

O princípio de parceria talvez seja o ingrediente mais importante em um relacionamento amoroso. Você já deve ter lido, em algum lugar, aquela frase que diz: case-se com alguém com quem goste de conversar. E sabe por que essa frase carrega muita verdade? Porque a paixão leva um tempo, mas se extingue. O olhar se acostuma com a beleza, que deixa de ser novidade. O dia a dia faz com que aquele glamour dos inícios se transforme em algo normal. E sabe o que resta? Se o relacionamento for verdadeiro: a parceria!

Relações construídas em sentimentos de amizade, troca e admiração duram, mesmo depois que a paixão acaba. Sabe por que muitas vezes temos sentimentos de repulsa com relação aos nossos ex-namorados ou ex-maridos? Provavelmente porque foram relações baseadas no romance e na paixão do início e que, passado um tempo, resultaram em tédio ou mesmo em muita mágoa, já que as expectativas geradas nos primeiros tempos não se cumpriram. Quando acreditamos que o romance é o foco principal, construímos relações que realmente terminam. Não apenas no papel ou no dia a dia, mas no coração. Queremos distância daquela pessoa.

No caso de relacionamentos em que além da paixão, há parceria, o fim de um namoro ou casamento não necessariamente significa o fim da admiração e da amizade. Imagine a importância de ter uma realidade amigável que se perpetua no tempo para filhos de pais separados! Mas o que mais vemos é o contrário: ex-casais que brigam pela guarda dos filhos, pela casa que construíram juntos, por toda as mágoas que carregam no coração.

Amizade envolve muito amor

Fomos ensinadas a enxergar o amor como algo avassalador, e a paixão como o ingrediente mais importante de um relacionamento de casal. Mas será que isso é real? A amizade me parece algo muito mais simples e duradouro. Com nossos amigos verdadeiros, construímos relações sem cobrança. Estamos juntos por vontade espontânea, nos afastamos quando necessário, nos reaproximamos sem cerimônia. Importamo-nos com os sentimentos deles sem a necessidade de ter de volta, imediatamente, um sentimento na mesma medida.

Então, por que é tão diferente quando se trata de relacionamentos amorosos? Por que não conseguimos ter relações saudáveis, que durem no tempo, independentemente de continuarem da mesma forma? Muitas vezes, nos deixamos guiar pelas debilidades da nossa alma como carências, medos e faltas, e acreditamos piamente em nossas próprias crenças limitantes e nas imposições sociais.

É verdade que cada relação é única e diferente. Também é verdade que cada casal tem suas particularidades. Mas desde que haja amizade e parceria, é possível construir formas muito peculiares de fazer com que a relação perdure. Não se deixe levar por sentimentos ou pensamentos que só cobram e destroem. Pense por um minuto responda: de que forma você vê sua relação amorosa hoje?

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