Reflexão de fim de ano: quem você precisa perdoar?

O fim do ano normalmente é uma época em que fazemos um balanço do ano que passou. E é normal que todo mundo fique mais sentimental e até mais amoroso. Muito se fala em perdão. Quem você precisa perdoar este ano? Mas, o que exatamente é o perdão, você sabe?

De modo geral, como foram seus relacionamentos este ano? Será que há alguém que você precisa perdoar para poder seguir em frente? Um familiar, uma amiga, alguém do seu trabalho, um parceiro... alguém que tenha te causado um dano de que você ainda não se recuperou totalmente. Para chegarmos ao perdão, passamos por algumas etapas internas que podem levar tempo. E, mesmo que não haja volta para uma relação, é preciso perdoar para poder seguir em frente sem carregar um peso emocional desnecessário. Mas, se você sente calafrio só de pensar em perdoar, pode ser que esteja com uma ideia errada sobre o que é o perdão.

Antes de tudo, é preciso entender claramente: perdoar não é concordar com o que o outro fez, não é achar que está certo e nem passar uma borracha, apagando o que aconteceu. Se você ainda tem essa ideia obre perdão, é preciso mudar seu conceito: perdoar não é esquecer e nem fingir que nada aconteceu – em hipótese alguma. Pelo contrário. Sabemos que perdoamos de verdade quando ficamos em paz com o que aconteceu, quando conseguimos tocar a vida adiante sem que aquilo seja um tormento ou nos puxe constantemente para trás. Perdoar é superar (de verdade) o que passou.

Para isso, temos que, em primeiro lugar, enfrentar o problema de frente. Olhar para o que aconteceu. Mesmo que seja muito dolorido. Fingir que nada aconteceu ou que não nos atingiu não é uma boa ideia e só vai fazer com que a situação siga com a gente como uma mochila pesada, dando aos nossos relacionamentos futuros um sabor amargo. Talvez não consigamos encarar o ocorrido de imediato – cada pessoa tem seu tempo. E, para isso, precisamos, antes, aceitar e digerir nossos próprios sentimentos – nossa raiva, tristeza, indignação. Depois, aos poucos, e com muita autocompaixão, temos que procurar entender a parte que nos cabe dessa história toda, a nossa parcela de responsabilidade (mesmo que inconsciente) em tudo o que aconteceu. Só então, o momento de perdoar se aproxima. O perdão faz com que seja possível falar sobre o que aconteceu sem que as feridas doam novamente. Quando ignoramos ou queimamos as etapas desse processo, partir adiante para novas experiências se faz a duras penas.

Perdoar é findar o assunto, inclusive no coração

Quando perdoamos, colocamos um ponto final na questão. Isso significa que, se o assunto segue voltando e gerando grandes emoções ou discussões, é porque ainda não houve perdão. E, se ainda não houve perdão, ainda estamos confortáveis no papel de vítimas. Mas, qual é a sua parcela de responsabilidade no que aconteceu? O que você pode aprender com isso? Se colocar em uma posição de autoconhecimento, ao invés de ajoelhar no milho, pode ser uma ótima ideia.

Afinal de contas, quando perdoamos, nos libertamos no peso, deixamos de carregar aquela situação conosco. Fechamos a conta e seguimos em frente com um novo olhar, com uma nova atitude. Voltar ou não a falar com a pessoa ou a se relacionar com ela fica a seu critério. Mas isso só é possível quando há perdão. Do contrário, é sofrimento. E mesmo que não haja volta para a relação, o perdão é curativo, é libertador. Ele nos deixa mais leve e nos prepara para novas histórias.

Agora, se você tem dificuldades de perdoar os outros, provavelmente tenha dificuldade de perdoar a si mesma. Pense nisso. Tenha autocompaixão e perdoe-se pelos erros que cometeu ou pelas escolhas que fez no passado. Você não tinha a maturidade que tem hoje. Perdoe-se e siga em frente. Faça diferente daqui para frente. É sempre tempo de recomeçar. Quando há autoperdão, fica muito mais fácil perdoar os outros. Reflita e liberte-se dos pesos do passado. Não deixe que a mágoa acompanhe você no ano que vai começar.

 

 

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Natal – época de retomar relacionamentos familiares

Muitas de nós buscam a cura para seus relacionamentos, mas esquecem que antes precisamos recuperar, curar e honrar nossos laços familiares. E esta época de festas pode ser o momento ideal para isso.

Como anda o seu relacionamento com os familiares? Você sabia que muitos dos problemas das relações da vida adulta têm sua origem na infância? Foi quando crianças que desenvolvemos as crenças limitantes que carregamos inconscientemente até hoje. E, provavelmente, a mágoa e o ressentimento que guardamos por anos, nasceram de uma interação mal resolvida com as pessoas que nos eram mais próximas na infância.  

Muitos dos nossos problemas que hoje têm foco nos relacionamentos amorosos começaram com desentendimentos com pais e irmãos. É incrível como as relações que trazemos da infância têm papel fundamental na forma como desenvolvemos o amor-próprio e o amor pelos outros. Portanto, a cura dos laços familiares pode reverberar positivamente na cura dos nossos relacionamentos amorosos.

Com a chegada do natal, instaura-se uma predisposição maior a perdoar, ou ao menos a retomar processos que estavam adormecidos durante o ano. Você também sente essa mudança? A publicidade, os programas de tevê, tudo nos incita a momentos em família. Que possamos aproveitar esses momentos para compreender melhor algumas situações passadas, colocar fim nas desavenças e honrar nossas raízes.

É claro que nem todas as famílias funcionam como nas propagandas de margarina. Pelo contrário, a maioria é cheia de problemas a serem resolvidos. Cada um de nós, como seres humanos, temos nossas próprias limitações que vão de problemas de comunicação (expor sentimentos e expressar carinho, por exemplo), dificuldades de interagir com diferentes personalidades, até a falta de autoaceitação – que fazem com que seja ainda mais complicado aceitar o outro como é. Estamos sempre julgando e criticando, principalmente as pessoas mais próximas e queridas. Já percebeu?

Mas como lidar? A proposta é entrar no clima natalino e nos empenharmos para retomar os relacionamentos familiares. Então, que tal chegar de coração aberto na confraternização? Releve, aceite, perdoe, acolha, faça as pazes, cure-se! Lembre-se de que somos todos ímpares, únicos e que temos defeitos e qualidades. Claro, questões antigas não podem ser curadas do dia para a noite, mas a vontade de realizar um novo momento e de agir de forma diferente é o primeiro passo. E esse passo pode ser o começo da cura e a melhor forma de entrar no ano novo com uma postura mais leve e feliz.

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