Os novos tempos do romance cibernético

Em tempos de redes sociais, aplicativos de relacionamentos, crushes e likes, fica cada vez mais complicado entender os comportamentos do romance cibernético. 

Quem aí nunca usou app de namoro? Hoje em dia, muitas de nós acabam partindo para esse tipo de ferramenta na hora de conhecer alguém. A vida anda corrida, é cada vez mais difícil conhecer pessoas na forma, digamos, tradicional, e é aí que os apps entram, dando uma ajudinha na hora de encontrar o parceiro ideal. Mas acontece que essa aventura nem sempre é tão simples quanto pode parecer. Porque os novos tempos do romance virtual também trouxeram novos comportamentos, muitas vezes difíceis de entender.

Sabe aquele cara que você conheceu e estava saindo, numa boa, e que, de repente, sumiu, do nada? Ou então aquele com quem que deu match, que vive curtindo suas fotos, acompanhando seus posts, mas nunca te chamou para sair? Ou aquele que é gente boa pra caramba, vocês têm tudo a ver, mas aí você descobre que ele tem namorada... É claro que quando se trata de relacionamentos, qualquer pessoa pode sumir da nossa vida quando menos esperamos, pode se interessar por outra, pode se revelar comprometida, pode aparecer só de tempos em tempos. Mas esses comportamentos acabaram se tornando mais comuns e até aceitos, de certa forma, com o surgimento e a proliferação dos romances nascidos na internet.

Se você conhece alguém por intermédio de um conhecido, por exemplo, é mais difícil que essa pessoa simplesmente desapareça sem dar satisfações. O mundo virtual nos dá a falsa impressão (que talvez não seja tão falsa assim, de todo modo) de que o envolvimento é mais superficial e que, portanto, ninguém vai sair assim tão machucado. Pior, dá respaldo para que a pessoa pense e haja como ela quer, sem se importar, necessariamente, com o que o outro está sentindo.

O mais importante é sempre ter consciência do tipo de relação em que você está entrando. Dar o tempo certo para conhecer o outro e entender a dinâmica da relação (conforme já falamos aqui: https://bit.ly/2pTpWAJ) é essencial. Além disso, mostrar-se transparente desde o início e evitar joguinhos emocionais a qualquer custo deveriam ser regras básicas dos romances modernos. Deixar de ser superficial é uma decisão dos dois, sempre. Mas podemos dar o primeiro passo. Afinal, caso o outro não queria ou demonstre desinteresse, só estará encurtando o caminho que já está traçado desde o começo.

 

Dicionário dos relacionamentos modernos

Casos como os que descrevemos aqui são tão frequentes na atualidade que já existem termos para cada comportamento – que traduzem de uma forma que seria até engraçada, se não fosse triste – como agem os pretendentes desse universo da paquera virtual:

Ghosting – Vocês se conhecem, saem juntos, às vezes até mais de uma vez, o cara age como se estivesse gostando de você e, do nada, some. Vira um fantasma. Sem explicações, sem amizade, sem nada. A justificativa é que é melhor sumir do que magoar a pessoa. Oi? Ninguém merece, né?

Orbiting – O cara não sai com você de novo, mas segue curtindo suas fotos, visualizando seus posts, mandando um “oi, sumida!” lá de vez em quando, com conversas que não evoluem. Manda esse cara para fora do seu sistema solar e vai ser feliz!

Phubbing – O “Phubber” é aquele cara que sai com você, mas fica o tempo todo no celular. Não está namorando você e talvez nem queira ou vá namorar ninguém. Na dúvida, use a seguinte fórmula para decidir se aposta ou não em algo com ele: está prestando atenção em você? Se não, já era.

Breadcrumbing – Sabe aquele cara que te joga migalhas de vez em quando para garantir atenção só na hora que é conveniente para ele? Caia fora. Essa coisa de ficar ciscando aqui e ali, não engatar um relacionamento, mas também não abrir espaço para o novo é mais velho do que andar para a frente. Quem vive de migalha é passarinho, e até eles voam. Voe para longe de pessoas que têm esse tipo de atitude.

Cushioning – É quando a pessoa já tem um relacionamento, que não vai bem, mas não quer desapegar ou ficar sozinha. Então, começa a paquerar nos aplicativos para ver se consegue alguém para melhor para substituir, sabe? Ninguém merece quem é indeciso e nem quem engana outra pessoa, certo? Fique de olhos e coração bem abertos. De enrolada, já basta a vida!

[Fonte: Revista Cidade Jardim]

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O princípio da parceria nos relacionamentos

Muita gente imagina o romance como principal ingrediente de um relacionamento amoroso. E se eu te disser que o princípio de parceria é o que realmente faz uma relação durar no tempo?

O princípio de parceria talvez seja o ingrediente mais importante em um relacionamento amoroso. Você já deve ter lido, em algum lugar, aquela frase que diz: case-se com alguém com quem goste de conversar. E sabe por que essa frase carrega muita verdade? Porque a paixão leva um tempo, mas se extingue. O olhar se acostuma com a beleza, que deixa de ser novidade. O dia a dia faz com que aquele glamour dos inícios se transforme em algo normal. E sabe o que resta? Se o relacionamento for verdadeiro: a parceria!

Relações construídas em sentimentos de amizade, troca e admiração duram, mesmo depois que a paixão acaba. Sabe por que muitas vezes temos sentimentos de repulsa com relação aos nossos ex-namorados ou ex-maridos? Provavelmente porque foram relações baseadas no romance e na paixão do início e que, passado um tempo, resultaram em tédio ou mesmo em muita mágoa, já que as expectativas geradas nos primeiros tempos não se cumpriram. Quando acreditamos que o romance é o foco principal, construímos relações que realmente terminam. Não apenas no papel ou no dia a dia, mas no coração. Queremos distância daquela pessoa.

No caso de relacionamentos em que além da paixão, há parceria, o fim de um namoro ou casamento não necessariamente significa o fim da admiração e da amizade. Imagine a importância de ter uma realidade amigável que se perpetua no tempo para filhos de pais separados! Mas o que mais vemos é o contrário: ex-casais que brigam pela guarda dos filhos, pela casa que construíram juntos, por toda as mágoas que carregam no coração.

Amizade envolve muito amor

Fomos ensinadas a enxergar o amor como algo avassalador, e a paixão como o ingrediente mais importante de um relacionamento de casal. Mas será que isso é real? A amizade me parece algo muito mais simples e duradouro. Com nossos amigos verdadeiros, construímos relações sem cobrança. Estamos juntos por vontade espontânea, nos afastamos quando necessário, nos reaproximamos sem cerimônia. Importamo-nos com os sentimentos deles sem a necessidade de ter de volta, imediatamente, um sentimento na mesma medida.

Então, por que é tão diferente quando se trata de relacionamentos amorosos? Por que não conseguimos ter relações saudáveis, que durem no tempo, independentemente de continuarem da mesma forma? Muitas vezes, nos deixamos guiar pelas debilidades da nossa alma como carências, medos e faltas, e acreditamos piamente em nossas próprias crenças limitantes e nas imposições sociais.

É verdade que cada relação é única e diferente. Também é verdade que cada casal tem suas particularidades. Mas desde que haja amizade e parceria, é possível construir formas muito peculiares de fazer com que a relação perdure. Não se deixe levar por sentimentos ou pensamentos que só cobram e destroem. Pense por um minuto responda: de que forma você vê sua relação amorosa hoje?

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