Talvez o que você sente não seja amor

Quantas vezes acabamos vivendo relações que duram por anos, mas que são baseadas em diversos sentimentos, menos em amor? Como você avalia os sentimentos que direcionam e mantêm suas relações? E aí, será que é amor?

 

Ah, o amor! Esse sentimento tão romantizado, tão desejado e tão distorcido. Quantas vezes será que você já amou de verdade? O que é o amor em uma relação de casal? Há quem viva por anos com alguém, e descubra, no fim da vida, que não amou de verdade. Não deve haver arrependimento maior do que não ter vivido um sentimento de verdade, não é mesmo? Então, é preciso observar se as suas relações têm te permitido amar e ser amada.

Quando estamos com alguém, há muito envolvido: experiências passadas, traumas, crenças, expectativas, opinião familiar, status social. Dos dois. Saber se o amor está presente, no meio disso tudo, pode ser uma tarefa um tanto complexa, é verdade. Principalmente quando começamos um relacionamento e nos vemos envoltos pela paixão, pelo desejo, pelas fantasias – aí, é ainda mais difícil saber. Mas, com o tempo, é possível perceber e identificar o que realmente faz parte da relação.

Tem gente que acaba permanecendo em uma relação, depois que a paixão passa, por apego ou carência. A paixão pode, inclusive, ser fruto desses sentimentos. Quando estamos muito carentes, costumamos aceitar o que vem, nos apaixonamos pela primeira pessoa que parece preencher os requisitos básicos. Depois, temos medo de estar novamente sozinhas, e vamos deixando a relação acontecer. Quem nunca?

Tem, também, gente que opta por ir levando uma relação porque o outro é super amoroso. Muitas vezes, quando gostamos do jeito que somos tratadas, surge o medo de nos distanciarmos dessa proteção. Acreditamos que, talvez, jamais encontraremos alguém que nos ame tanto assim e nos trate tão bem. Quem se identifica?

Só que, em nenhuma dessas situações há amor, percebe? Ao menos, da nossa parte. E nem sempre temos consciência disso e do que realmente rege as nossas relações, até começarmos efetivamente a olhar para os nossos sentimentos. Fazer essa avaliação faz parte de se conhecer, de se entender, de buscar mais saúde emocional, para pode viver relacionamentos mais assertivos e harmoniosos.

É amor ou vingança?

Muitas vezes, quem sai de um relacionamento de forma conturbada, em que se sentiu traída ou trocada, por exemplo, pode engatar outra relação e permanecer nela pelo pior dos motivos: vingança. Para evitar ficar sozinha, para que o ex a veja “feliz”, muita gente segue em uma parceria que nem de perto é a ideal. Será que vale a pena?

Ou então, há quem fique com alguém por pura conveniência...  para agradar a família, para desfilar na frente das amigas, para se aproveitar das boas condições financeiras do outro, para causar ciúme em outro alguém. Tudo errado. E o amor, fica onde? Quando amamos, nada disso importa! Sei que parece clichê, mas é assim mesmo!

Diversas vezes já atendi mulheres que não faziam ideia do porquê mantinham suas relações. Ou, pior, não conseguiam responder de maneira espontânea e verdadeira à simples pergunta: “Você o ama?”. Tem gente que até diz que sim, mas se justifica com motivos que nada têm a ver com o amor.

Lembre-se: o amor é fluido, é fácil, é simples, acontece. Não requer grandes esforços e mais: não compara, não olha conta bancária, não vem cheio de estratégias, não é previsível e não vem com manual. Se tem respeito, se é recíproco, se evolui e faz com que os dois cresçam e amadureçam, aí, sim, há grandes chances de ser amor. Fora isso, pode ser um monte de fantasia e de minhocas da cabeça ou até do seu coração. Fuja disso!

Tenha clareza do que realmente você sente por seu parceiro e o que move suas relações. Será que é mesmo amor? Não se culpe se sua resposta for outra. Mas faça a sua parte. Olhe para dentro de si e busque as respostas e os sentimentos que direcionam a sua vida e os seus relacionamentos. Faça isso enquanto é tempo. O que importa, no final das contas, é que seja de verdade. Não desperdice sua vida vivendo pela metade.

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Orientação emocional – por que precisamos de ajuda?

Reconhecer os próprios anseios, saber separar os próprios valores, desejos e sentimentos dos do outro, respeitar os próprios limites e compreender até aonde vai nossa capacidade de doação são passos para a libertação da alma. E são eles que nos permitem traçar caminhos mais assertivos, maduros e satisfatórios em nossos relacionamentos.

Embora a guiança e as respostas estejam sempre dentro de nós, por que será que é tão difícil sair de certos relacionamentos ou de estados de desesperança e melancolia sozinha? A questão é que muitas vezes não conseguimos identificar onde está o problema. Sentimentos, sensações, medos e desejos também vivem dentro de nós de maneira confusa. Mas quando temos a oportunidade de expressar o que pensamos, o que sentimos, o que tememos, o que nos incomoda e o que desejamos, em terapias, por exemplo, compreendemos mais claramente o que se passa.

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Por mais fortes que sejamos, às vezes desmoronamos na fragilidade do nosso sofrimento. E tudo bem. O conforto pode vir quando alguém, de forma verdadeira e com a intenção de ouvir e ajudar, nos pergunta: “como você está?”. A terapia possibilita a abertura do coração. Daí a importância de realizar um processo terapêutico individualmente ou em grupo e de participar de encontros em que reconheçamos, nos outros, nossas próprias incertezas e frustrações. Não é fraqueza procurar ajuda, é sinal de fortaleza, de ânimo e de coragem para conquistar novos patamares emocionais. Vamos juntas? 

Culpa – entenda mais sobre esse sentimento e liberte-se

Culpa – uma palavra tão curtinha, mas tão pesada. E quem não sabe o que é culpa, que atire a primeira pedra! Mas, o que será que a sensação de culpa diz sobre nós e o que ela tem a nos dizer?

Primeiramente, o que é culpa? Culpa é, basicamente a responsabilidade por dano, mal ou desastre causado a outrem. O interessante é que a palavra “culpa” precisa necessariamente de um sujeito: o culpado. Não existe culpa sem um culpado! Portanto, ela só existe quando nos relacionamos. E o fardo da culpa cai categoricamente sobre duas possibilidades de culpados: nós mesmas ou o(s) outro(s) – ora nos sentimos culpadas por algo que causou danos a nós próprias ou a outrem, ora culpamos o(s) outro(s). Mas há quem tem a tendência a se culpar sempre por tudo e há quem costuma culpar o(s) outro(s) por tudo. Em qual das opções você se encaixa?

Viver se culpando por tudo revela não apenas insegurança pessoal e falta de autoconfiança como também arrogância – pois enxergamos nas situações e reações da vida uma forma de comprovar o quanto nossas ações são poderosas, já que afetam as pessoas à nossa volta. Por outro lado, culpar os outros pelo que acontece na nossa vida é uma maneira de fugir da nossa autorresponsabilidade. Em um relacionamento, as duas pessoas envolvidas são responsáveis por tudo aquilo que acontece, ou seja, a “culpa” é sempre dos dois. 

Para podermos nos libertar da sensação de culpa, precisamos antes saber de que “tipo de culpa” se trata. Vamos assumir que existem dois tipos básicos de culpa: a culpa real e a culpa falsa:

·         Basicamente, culpa real é quando reconhecemos que algo que fizemos ou dissemos causou um dano ao outro. É quando percebemos a dor dentro de nós por ter causado dor ao outro.

·         Por outro lado, culpa falsa é quando nos sentimos culpadas por algo pensando sob o ponto de vista, a opinião ou o julgamento dos outros sobre o que somos ou o que fazemos. É quando, por exemplo, sentimos culpa ao deixar o marido/namorado em casa para passar um tempinho com as amigas. É quando estamos nos divertindo, viajando e sentimos culpa porque outras pessoas no mesmo momento estão trabalhando. É quando nos culpamos por algum aspecto da nossa personalidade. É uma sensação de culpa que não causa nenhum dano real aos outros.

Além de real e falsa, a culpa também pode ser consciente ou inconsciente:

·         Culpa consciente é quando intencionalmente causamos algum tipo de dano ao outro. É quando fazemos algo de propósito e estamos cientes da nossa parcela de responsabilidade em provocar um dano ao outro. 

·         Culpa inconsciente é quando de alguma forma causamos um mal ao outro sem querer, sem intenção.  

Todas nós sabemos o quanto a culpa é um sentimento desagradável. No entanto, até termos total consciência da maneira como poder evitá-la, temos que aprender a lidar com ela. É muito importante saber o que fazer quando nos sentimos invadidas pela culpa, pois ela pode ser tanto útil para o nosso desenvolvimento pessoal, quanto completamente inútil.

Ficar remoendo situações do passado e nos martirizando com pensamentos do tipo: “se eu tivesse feito diferente...”, “eu deveria (ou não deveria) ter feito ou dito isso ou aquilo”, é um ótimo exemplo do quanto a culpa pode ser inútil, pois nada é capaz de mudar o que já aconteceu no passado. Carregar uma culpa totalmente passiva e inútil apenas nos perturba e consome nossas energias em vão.  

Em contrapartida, a sensação de culpa pode ser útil quando a enxergamos como elemento para transformação e mudança. Mais do que uma punição, o sentimento de culpa pode ser interpretado como uma constatação de que temos que rever nossa forma de agir, falar ou pensar. Ao analisamos nossa culpa, fica mais claro o que temos de fazer diferente no futuro.

Sentir culpa pode ainda ser considerado um alerta, um momento de pararmos para refletir. E tal reflexão é a chave para podermos nos libertar. O primeiro passo desse processo é voltar nosso foco e atenção exclusivamente a nós mesmas, esquecendo o envolvimento, as reações e o comportamento do outro. A primeira pergunta a se fazer é: “minha culpa é real?” (Causei, de fato, algum dano real a alguém?). E a resposta não pode ser subjetiva e nem deve conter nossos julgamentos e opiniões pessoais. Por mais “sem cabimento” que a dor alheia possa nos parecer, ela é sempre digna de respeito.

Se a culpa for real, ela ainda pode ser consciente ou inconsciente. Então, a segunda pergunta a fazer é: “minha culpa é consciente ou inconsciente?” (Tive ou não tive a intenção de causar dano?). Na maioria das vezes, a resposta não é tão óbvia quanto pode parecer. Para que essa resposta seja verdadeira, precisamos de tempo suficiente para realmente refletir, meditar e analisar nossas motivações pessoais. Sinceridade e humildade são essenciais neste passo.

E o que fazemos quando descobrimos uma culpa real e consciente? Provavelmente, o melhor a fazer é avaliar se a dor causada em ambas as partes valeu a pena – isto é, o fim justifica os meios? Aquele momento passado, em que nossas emoções falaram mais alto do que a razão, nos ajudou a cumprir nosso objetivo? Esta reflexão nos leva a pensar duas vezes antes de ferir alguém, pois compreendemos que ao ferir o outro também nos prejudicamos (nem que seja apenas com o peso da culpa).

No caso da culpa real inconsciente (quando não tivemos a intenção de causar dano), além de nos policiarmos para agir de maneira diferente no futuro, o importante é tomarmos uma boa dose de autoperdão e autocompaixão. Não somos perfeitas, temos nossas limitações e fazer do sentimento de culpa uma forma de autopunição só piora as coisas.

Ao detectarmos a sensação de culpa falsa, temos que lembrar que ela é sempre inútil. E o que fazer a com ela? Nesses casos, o melhor remédio é focar e aproveitar o momento presente. Muitas vezes nos retiramos do momento presente pensando no passado, no futuro, em situações hipotéticas, e na opinião e julgamentos alheios. Mas, se o que estamos fazendo não é prejudicial a ninguém, que mal tem? Bora focar em nós mesmas e ser feliz sem culpa!