Orientação emocional – por que precisamos de ajuda?

Reconhecer os próprios anseios, saber separar os próprios valores, desejos e sentimentos dos do outro, respeitar os próprios limites e compreender até aonde vai nossa capacidade de doação são passos para a libertação da alma. E são eles que nos permitem traçar caminhos mais assertivos, maduros e satisfatórios em nossos relacionamentos.

Embora a guiança e as respostas estejam sempre dentro de nós, por que será que é tão difícil sair de certos relacionamentos ou de estados de desesperança e melancolia sozinha? A questão é que muitas vezes não conseguimos identificar onde está o problema. Sentimentos, sensações, medos e desejos também vivem dentro de nós de maneira confusa. Mas quando temos a oportunidade de expressar o que pensamos, o que sentimos, o que tememos, o que nos incomoda e o que desejamos, em terapias, por exemplo, compreendemos mais claramente o que se passa.

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Por mais fortes que sejamos, às vezes desmoronamos na fragilidade do nosso sofrimento. E tudo bem. O conforto pode vir quando alguém, de forma verdadeira e com a intenção de ouvir e ajudar, nos pergunta: “como você está?”. A terapia possibilita a abertura do coração. Daí a importância de realizar um processo terapêutico individualmente ou em grupo e de participar de encontros em que reconheçamos, nos outros, nossas próprias incertezas e frustrações. Não é fraqueza procurar ajuda, é sinal de fortaleza, de ânimo e de coragem para conquistar novos patamares emocionais. Vamos juntas? 

Culpa – entenda mais sobre esse sentimento e liberte-se

Culpa – uma palavra tão curtinha, mas tão pesada. E quem não sabe o que é culpa, que atire a primeira pedra! Mas, o que será que a sensação de culpa diz sobre nós e o que ela tem a nos dizer?

Primeiramente, o que é culpa? Culpa é, basicamente a responsabilidade por dano, mal ou desastre causado a outrem. O interessante é que a palavra “culpa” precisa necessariamente de um sujeito: o culpado. Não existe culpa sem um culpado! Portanto, ela só existe quando nos relacionamos. E o fardo da culpa cai categoricamente sobre duas possibilidades de culpados: nós mesmas ou o(s) outro(s) – ora nos sentimos culpadas por algo que causou danos a nós próprias ou a outrem, ora culpamos o(s) outro(s). Mas há quem tem a tendência a se culpar sempre por tudo e há quem costuma culpar o(s) outro(s) por tudo. Em qual das opções você se encaixa?

Viver se culpando por tudo revela não apenas insegurança pessoal e falta de autoconfiança como também arrogância – pois enxergamos nas situações e reações da vida uma forma de comprovar o quanto nossas ações são poderosas, já que afetam as pessoas à nossa volta. Por outro lado, culpar os outros pelo que acontece na nossa vida é uma maneira de fugir da nossa autorresponsabilidade. Em um relacionamento, as duas pessoas envolvidas são responsáveis por tudo aquilo que acontece, ou seja, a “culpa” é sempre dos dois. 

Para podermos nos libertar da sensação de culpa, precisamos antes saber de que “tipo de culpa” se trata. Vamos assumir que existem dois tipos básicos de culpa: a culpa real e a culpa falsa:

·         Basicamente, culpa real é quando reconhecemos que algo que fizemos ou dissemos causou um dano ao outro. É quando percebemos a dor dentro de nós por ter causado dor ao outro.

·         Por outro lado, culpa falsa é quando nos sentimos culpadas por algo pensando sob o ponto de vista, a opinião ou o julgamento dos outros sobre o que somos ou o que fazemos. É quando, por exemplo, sentimos culpa ao deixar o marido/namorado em casa para passar um tempinho com as amigas. É quando estamos nos divertindo, viajando e sentimos culpa porque outras pessoas no mesmo momento estão trabalhando. É quando nos culpamos por algum aspecto da nossa personalidade. É uma sensação de culpa que não causa nenhum dano real aos outros.

Além de real e falsa, a culpa também pode ser consciente ou inconsciente:

·         Culpa consciente é quando intencionalmente causamos algum tipo de dano ao outro. É quando fazemos algo de propósito e estamos cientes da nossa parcela de responsabilidade em provocar um dano ao outro. 

·         Culpa inconsciente é quando de alguma forma causamos um mal ao outro sem querer, sem intenção.  

Todas nós sabemos o quanto a culpa é um sentimento desagradável. No entanto, até termos total consciência da maneira como poder evitá-la, temos que aprender a lidar com ela. É muito importante saber o que fazer quando nos sentimos invadidas pela culpa, pois ela pode ser tanto útil para o nosso desenvolvimento pessoal, quanto completamente inútil.

Ficar remoendo situações do passado e nos martirizando com pensamentos do tipo: “se eu tivesse feito diferente...”, “eu deveria (ou não deveria) ter feito ou dito isso ou aquilo”, é um ótimo exemplo do quanto a culpa pode ser inútil, pois nada é capaz de mudar o que já aconteceu no passado. Carregar uma culpa totalmente passiva e inútil apenas nos perturba e consome nossas energias em vão.  

Em contrapartida, a sensação de culpa pode ser útil quando a enxergamos como elemento para transformação e mudança. Mais do que uma punição, o sentimento de culpa pode ser interpretado como uma constatação de que temos que rever nossa forma de agir, falar ou pensar. Ao analisamos nossa culpa, fica mais claro o que temos de fazer diferente no futuro.

Sentir culpa pode ainda ser considerado um alerta, um momento de pararmos para refletir. E tal reflexão é a chave para podermos nos libertar. O primeiro passo desse processo é voltar nosso foco e atenção exclusivamente a nós mesmas, esquecendo o envolvimento, as reações e o comportamento do outro. A primeira pergunta a se fazer é: “minha culpa é real?” (Causei, de fato, algum dano real a alguém?). E a resposta não pode ser subjetiva e nem deve conter nossos julgamentos e opiniões pessoais. Por mais “sem cabimento” que a dor alheia possa nos parecer, ela é sempre digna de respeito.

Se a culpa for real, ela ainda pode ser consciente ou inconsciente. Então, a segunda pergunta a fazer é: “minha culpa é consciente ou inconsciente?” (Tive ou não tive a intenção de causar dano?). Na maioria das vezes, a resposta não é tão óbvia quanto pode parecer. Para que essa resposta seja verdadeira, precisamos de tempo suficiente para realmente refletir, meditar e analisar nossas motivações pessoais. Sinceridade e humildade são essenciais neste passo.

E o que fazemos quando descobrimos uma culpa real e consciente? Provavelmente, o melhor a fazer é avaliar se a dor causada em ambas as partes valeu a pena – isto é, o fim justifica os meios? Aquele momento passado, em que nossas emoções falaram mais alto do que a razão, nos ajudou a cumprir nosso objetivo? Esta reflexão nos leva a pensar duas vezes antes de ferir alguém, pois compreendemos que ao ferir o outro também nos prejudicamos (nem que seja apenas com o peso da culpa).

No caso da culpa real inconsciente (quando não tivemos a intenção de causar dano), além de nos policiarmos para agir de maneira diferente no futuro, o importante é tomarmos uma boa dose de autoperdão e autocompaixão. Não somos perfeitas, temos nossas limitações e fazer do sentimento de culpa uma forma de autopunição só piora as coisas.

Ao detectarmos a sensação de culpa falsa, temos que lembrar que ela é sempre inútil. E o que fazer a com ela? Nesses casos, o melhor remédio é focar e aproveitar o momento presente. Muitas vezes nos retiramos do momento presente pensando no passado, no futuro, em situações hipotéticas, e na opinião e julgamentos alheios. Mas, se o que estamos fazendo não é prejudicial a ninguém, que mal tem? Bora focar em nós mesmas e ser feliz sem culpa!