Para que o amor dê certo: Tire as lentes cor de rosa

Sabe quando a gente imagina e idealiza a pessoa com quem nos relacionamos e isso acaba se tornando uma lente que nos impede de ver quem o outro é de verdade? Para que o amor dê certo, é preciso tirar os óculos cor de rosa da ilusão.

Quando imaginamos o amor ou idealizamos uma relação, criamos, mesmo que sem querer, uma ilusão baseada em fantasias e expectativas. Podemos pensar nessa ilusão como lentes cor de rosa que nos fazem enxergar somente aquilo que desejamos ver, não necessariamente o que é real. Dispomos-nos a enxergar claramente as qualidades que nos agradam no outro e privamos-nos de ver aquelas que não condizem com o que esperávamos. Quem aí nunca fez isso?

Tirar as lentes cor de rosa da ilusão significa enxergar o outro exatamente como ele é. Não como imaginamos que ele seja, nem como gostaríamos que ele fosse. Pode parecer um pouco radical em um primeiro momento, mas é a mais pura verdade: o amor só acontece de forma mais profunda quando nos deparamos com a realidade. Do contrário, não passa de uma ilusão.

Existem casais que convivem por anos nessa situação e, quando alguma ruptura acontece, eles se veem como realmente são. A pergunta é: a pessoa não se mostrava como realmente é ou a outra é que não viu? Será que é possível fingir ser alguém durante tanto tempo na intimidade de um casal? O mais comum é que uma das partes (ou ambas) não desejasse ver o outro exatamente como é, para não correr o risco de ver sua idealização desmoronar.

O medo da realidade, de sermos contrariadas ou de termos que conviver com algo que não seja tão fácil e confortável são os fatores mais comuns para insistirmos na manutenção das lentes cor de rosa. Fazemos isso acreditando que seja melhor pensar que a pessoa é quem queremos que ela seja. Fazemos isso com a intenção de nos proteger das diferenças. E não nos damos conta do quanto isso é prejudicial para a relação. De que forma viver uma ilusão pode ser melhor do que viver a verdade? A realidade pode não ser tão doce, mas é dela que precisamos viver e é nela que os verdadeiros sentimentos se baseiam.

Tudo que é ilusão tende a acabar

Tudo que é ilusão não dura para sempre. Em algum momento, a ruptura de que falei acima acontece. Pode vir em forma de uma reação exagerada e brusca, de uma decisão inesperada, de uma traição ou de uma decepção. E então, as lentes se desfazem e nos vemos cara a cara com a realidade: ele não é exatamente como imaginamos e idealizamos. E aí, nos sentimos enganadas pela vida. Enganadas pelo outro. Enganadas por nós mesmas. Mas só a última alternativa é correta: fomos enganadas pelo nosso próprio medo de enxergar a verdade como realmente é.

Relações que duram no tempo têm menos idealização e mais compreensão. Menos superficialidade e mais parceria. Amar de verdade, acontece quando conhecemos o outro como é: com suas sombras, suas fragilidades, suas fraquezas, suas incertezas, seus medos – e, ainda assim, escolhemos conviver, compartilhar e crescer juntos. As lentes cor de rosa deixam tudo lindo em um primeiro momento, são as lentes dos contos de fadas, da paixão, dos sonhos. E não podem durar para sempre, nem vão. Entender que é preciso olhar para a vida sem lentes que a filtrem, faz de nós mais maduras e mais prontas para amar verdadeiramente.

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Quem você vê quando olha para seu parceiro?

Para ter um relacionamento saudável, é preciso respeitar as individualidades. Ampliar o olhar para realmente (re)conhecer e enxergar o parceiro é fundamental nesse processo.

Você enxerga seu parceiro como ele realmente é? Ou será que projeta nele aquilo que gostaria que ele fosse? Quem sabe até você o veja de acordo com aquilo que VOCÊ é, e não como ele é de fato. Parece confuso? Mas essa reflexão é muito importante no processo da construção de um relacionamento amoroso saudável. Para que uma relação cresça sobre bases sólidas, é preciso, antes de tudo, que ambos estejam dispostos a enxergar e receber o outro exatamente como é. Acontece que, muitas vezes, a gente se esquece disso. Passamos tanto tempo imaginando e fantasiando sobre o parceiro ideal que, quando alguém aparece, acabamos nos perdendo em nossas próprias ideias e necessidades – sem nem olhar para as dele.

Um dos maiores erros acontece quando entramos numa relação de cabeça levando nossas expectativas e carências conosco e esquecendo que do outro lado existe outra pessoa – que nem sempre irá supri-las. Aquele com quem nos relacionamos também é um ser humano que carrega seus próprios desejos, expectativas e ambições. E se ambos agirem de forma a concretizar suas próprias idealizações, grandes conflitos podem acontecer. Quando focamos apenas naquilo que sonhamos/criamos/esperamos por tanto tempo, colocamos o outro numa posição passiva e bastante incômoda. Relacionamentos amorosos são processos de construção de uma vida a dois e de pareamento de desejos e objetivos. Do contrário, ambos se perdem em suas fantasias e ilusões e acabam se frustrando.

Há quem diga que o amor de verdade é altruísta e olha primeiro para o outro e depois para si mesmo. Eu acredito que para que uma relação seja equilibrada, é preciso que ambos sejam contemplados: em seus desejos, suas expectativas, seus valores, seus objetivos, enfim, em seu modo de ser em geral. É claro que haverá algumas divergências, pois ninguém é igual a ninguém. O que importa é se é possível aceitá-las e lidar com elas de maneira saudável, sem grandes sacrifícios.

Certamente relacionamentos a dois pedem que a gente ceda ou abra mão de algo em prol da alegria do outro. Esta também é uma das muitas formas de amar: quando nos regozijamos com a felicidade do ser amado. Mas fazer disso uma regra pode levar à negligência das nossas próprias necessidades. Por isso o equilíbrio entre o dar e receber, o enxergar e ser enxergado é tão importante. E o desequilíbrio é muito comum em relações que começam de forma “errada”.

Mas, o que é começar de forma “errada”? É se envolver quando não nos sentimos inteiras, quando queremos apenas preencher nosso vazio, quando esperamos que o outro nos forneça o que não conseguimos por conta própria.  Quando entramos numa relação esperando que o outro tape os buracos da nossa alma e da nossa autoestima, satisfaça nossos desejos e corresponda às nossas expectativas, buscamos que ele nos sirva. Mas amor não é serventia, amor é complementariedade.

Observe-se e perceba se você está inteira antes de entrar de cabeça em um relacionamento. Então, fique atenta ao fato de continuar se sentindo inteira ao longo da relação e de conseguir entender que seu parceiro é outra pessoa, dissociada de você – que tem suas próprias necessidades e desejos, e que não está com você apenas para preencher seu vazio ou suprir suas expectativas e idealizações, muito menos para substituir alguém que já não faz parte da sua vida. Olhe para ele e veja exatamente quem ele é. Abra seus olhos e seu coração para enxergá-lo. Tudo isso tudo posto, acredite, suas chances de construir um relacionamento em bases sólidas e felizes são grandes!

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Cada relacionamento, uma sentença!

Independentemente do tipo de relacionamento que você viva, uma coisa é certa: não existe padrão ideal, nem regras fixas para se ter uma relação satisfatória. Assim como cada pessoa é única, relacionamentos também o são.

Buscar o padrão ideal é cansativo e inútil. Cada relacionamento, uma sentença! Converso com mulheres de todos os tipos, com os mais variadas queixas e inseguranças em seus relacionamentos. E se, em meus atendimentos, eu buscar um padrão do que funciona ou não, certamente vou confundir mais do que orientar. Por quê? Porque o que vale para um casal não necessariamente vale para o outro! Somos todos seres únicos e temos jeitos diferentes de ver a vida e de realizar nossas escolhas. Quando dois universos se unem em uma relação, são eles que precisam, juntos, construir suas próprias condutas.  

Sabe aquela sua amiga que tem um casamento maravilhoso? Pois é, o que ela faz pode não funcionar para você. Será que vocês reagem da mesma forma a situações semelhantes? Lembre-se de que vocês vêm de famílias diferentes, cada uma viveu sua infância de forma diferente, e foram criadas com diferentes princípios, valores e regras. E, por mais que tenham frequentado a mesma escola, a mesma faculdade e sigam sendo muito amigas, ainda assim vocês constituem universos particulares completamente distintos. Você sabe se o que ela espera do outro é o mesmo que você? Nem adianta ficar imaginando, porque certamente você só saberá uma parte das reações de outra pessoa, por mais próxima que ela seja.

Da mesma forma, a comparação inevitável causada pela superexposição da internet pode ser um veneno para as relações. Vemos fotos de casais incríveis, em dias felizes, férias intermináveis, sorrisos diários e pensamos: por que nossos relacionamentos não são assim? Mas, acredite, apenas uma mínima parte do que vemos na internet é real. Atualmente, o mundo virtual costuma refletir nosso ideal, aquilo que gostaríamos de ser o tempo todo. Ninguém posta foto durante ou após uma discussão de casal, com caras tristes, desiludidos da vida, concordam? Mesmo quem “parece” feliz o tempo todo está mostrando a parte da vida que lhe convém, não seus dias reais. Ninguém é satisfeito e leve o tempo todo. Nenhum relacionamento longo e duradouro é um mar de rosas. Nem o seu, nem os dos seus modelos virtuais de felicidade.

O foco tem que ser você, seu ideal de vida, a realidade que está construindo sozinha ou acompanhada. Entender aquilo que realmente faz bem para você, independentemente da opinião alheia e do que é considerado “certo” ou “errado” é o mais importante. Seja você mesma a todo tempo e ouça a voz do seu coração. Só tendo essa baliza de valor projetada nas suas relações é que você poderá atrair, observar e escolher o que funciona melhor para você e para o seu relacionamento.

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Existe antídoto contra a traição?

Ter controle sobre a forma como o outro age e se comporta não é uma opção. Mas viver a nossa verdade, construindo relações igualmente verdadeiras, pode ser o melhor antídoto para o veneno da infidelidade.

Existe antídoto contra a traição? Mais de 90% das mulheres temem ser traídas e podemos dizer que esse é o maior fantasma das relações. O grande dilema é: não podemos controlar o comportamento de nossos parceiros e é justamente da tentativa de controle que nascem tantas decepções. Mas, então, se não podemos controlar o que eles fazem ou deixam de fazer, seremos inevitavelmente traídas? É claro que não! Traição é um veneno, sim, mas que aparece por razões diversas, especialmente por um descompasso entre o casal. E sabe qual o antídoto para essa realidade? A verdade!

Uma coisa é certa: não há espaço para a traição quando o relacionamento anda às mil maravilhas. E se a relação não vai bem, certamente há algo que não está sendo comunicado – por uma das partes ou por ambas – ou seja, há algo oculto. Quanto mais nos conhecemos e conseguimos transparecer nossos valores, desejos e opiniões de forma amorosa, menos turbulências há no relacionamento. Existe uma preciosidade infinita em vivermos a nossa verdade! Mas será que isso realmente impede uma traição?

Obviamente, há casos e casos. Mas quando vivemos em verdade, tudo fica mais claro. Quando nós optamos por “jogar limpo” sob quaisquer circunstâncias e independentemente das atitudes do outro, também fica mais fácil de detectar se ele também está em verdade. E então, na hipótese de uma traição acontecer mesmo assim, ao menos saímos com a certeza de que fizemos a nossa parte. Saímos também menos machucadas, até porque, antes da traição acontecer, já tínhamos uma visão mais realista sobre o andamento da relação. Isso não acontece quando optamos por não transparecer nossos sentimentos, objetivos e anseios claramente.

Se somos verdadeiras, atraímos também pessoas que se impulsionam a ser verdadeiras. Quando comunicamos de maneira clara e impomos limites, quem não se enquadra no perfil de relacionamento que desejamos, rapidamente vai embora. E isso é um presente do universo! Ao sermos verdadeiras, vivemos relações igualmente verdadeiras, nas quais as chances de uma traição diminuem drasticamente.

Então, qual o antídoto contra a traição?

Viva a sua verdade. Empreenda um caminho de autoconhecimento. Reconheça suas virtudes e fraquezas, apaixone-se por você antes de se apaixonar por alguém. Seja verdadeira ao entrar em uma relação. Não aceite menos do que merece, mas não busque modelos impossíveis de pessoas e comportamentos. A realidade pode ser menos cor de rosa do que os contos de fadas, mas nada supera o colorido de uma realidade verdadeira e bem vivida.

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Qual a receita do casamento perfeito?

Não temos como saber se vai dar certo ou não. Mas existe um jeito de fazer com que você seja mais feliz no casamento e na vida: sendo você mesma. Viva a sua verdade!

Por que alguns casamentos dão certo e outros não? Qual a receita do casamento perfeito? Eu adoraria ter essa resposta. Ela me permitiria, no mínimo, ajudar muita gente a ser feliz. Mas não há como saber. Somos todos seres únicos, e cada casal tem sua dinâmica própria, seus objetivos, seu jeito de se comunicar. Estar aberta para entender as diferenças e abraçá-las, sem julgamentos, pode ser um ótimo caminho para se construir uma vida a dois mais saudável.

É importante ressaltar que a maioria das pessoas tem uma ideia errada sobre o que é um relacionamento dar ou não dar certo. Por exemplo, um casamento dura 8 anos e, quando termina, costumamos dizer: “que pena que não deu certo”. Mas deu! Por 8 anos. Foram 8 anos de convivência, muitas experiências e aprendizados. Os dois, certamente, saíram transformados e mais maduros. Quem disse que isso é não dar certo?

Claro, não estamos falando sobre casos de relacionamentos em que há abuso, traição, violência. Esses podem durar meses ou décadas e nunca darão certo. Estamos falando sobre experiências que, por mais doídas que sejam quando chegam ao fim, tiveram sua importância e o seu tempo certo. Tudo que vivemos nos prepara para o que vamos viver depois. Por isso, é importante viver o luto de um relacionamento que termina, recolher os cacos de um coração partido e, depois, no tempo certo, partir para outra. Conforme já falamos por aqui, só se aprende a se relacionar, se relacionando. E cada relacionamento é realmente único.

Existem pessoas que colecionam casamentos ruins. Muitas vezes, repetem padrões de comportamento diversas vezes sem se darem conta e, pior, acabam culpando os outros pela própria infelicidade.  Geralmente, isso acontece quando estamos machucadas, ou quando não somos bem resolvidas em nossas emoções. Aí, buscamos tapar buracos emocionais ou existenciais com relacionamentos, e essa é uma prática que dificilmente termina bem.

Bons relacionamentos são feitos de pessoas inteiras e maduras, que aprenderam a se amar e a se respeitar e que, por isso, são capazes de amar e respeitar seus parceiros. Não existe fórmula para o casamento perfeito. Mas, certamente há um ingrediente que não pode faltar em um casamento feliz: a verdade. Entenda quem você é, seja verdadeira consigo mesma, e valide seus anseios, seus objetivos e suas emoções. Somente então, e busque alguém que ame essa sua essência. Da mesma forma, esteja com alguém com quem você possa ser verdadeira e cuja essência você ame.

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Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és

O ditado não é bem esse, mas pode ter certeza: as pessoas com quem você se relaciona, que estão sendo atraídas para sua vida, dizem muito sobre como você se posiciona no mundo. Você está feliz com suas relações?

Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és. Sim, é verdade! Nossos relacionamentos são um reflexo de quem somos, de como nos posicionamos no mundo e, inclusive, mostram se estamos (ou não) sendo verdadeiras em nossas escolhas. Se pararmos um pouco de reclamar do outro e de como ele se comporta ou deixa de se comportar, para olharmos para dentro, para como nós nos comportamos dentro de uma relação, talvez possamos entender melhor o que há de errado.

Faz parte de um exercício profundo de autoconhecimento compreender quais são as nossas próprias verdades. Às vezes, temos a ilusão de que conhecemos a verdade do outro e, inclusive, somos ótimas em julgá-la. Mas quantas vezes, mentimos para nós mesmas, deixamos de confrontar nossas crenças sociais, imposições familiares ou aquilo que nossa mente acredita que seja certo e seguro? Quando julgamos e criticamos o outro, julgamos e criticamos a nós mesmas.

Por mais difícil que seja olhar para isso, viver uma relação ruim não tem a ver somente com o que o outro traz. Em um relacionamento a dois, tudo o que acontece é de igual responsabilidade de ambas a as partes. Aceitar o que nos é imposto evita que tenhamos que mostrar quem realmente somos e o que pensamos, ou seja, a nossa verdade. É preciso coragem para confrontar, para reagir e para mostrar nossa verdadeira essência. Mas esse é o único caminho para a construção de relacionamentos autênticos e saudáveis. Toda relação baseada em mentiras, inclusive aquelas que contamos para nós mesmas, é palco de estresse e infelicidade.

Diga-me com quem te relacionas. Você sabe?

Em primeiro lugar, quero convidar você a uma reflexão: você sabe quem é realmente? Você olha para dentro e acolhe suas dúvidas, seus ressentimentos, suas reações extremas, suas limitações, suas crenças e seus sentimentos mais profundos? Acredite, sem esse exercício de autoconhecimento, entender o que suas relações refletem fica bem mais difícil.

Quando vasculhamos nossa alma e confrontamos nosso verdadeiro eu, encontramos o tesouro mais precioso, mesmo que ele cause estranheza, em um primeiro momento. Só então, passamos a compreender melhor o que já nos aconteceu no passado e o porquê de estarmos vivendo determinadas situações no presente. Enxergar a nossa parcela de responsabilidade em cada acontecimento de nossa vida é libertador.

Diga-me com quem te relacionas e te direi quem és não é uma frase sobre julgamentos. Mas, sim, sobre procurar dentro de nós qual é o erro, qual é o problema que precisa (e pode) ser resolvido para que nossas relações sejam mais proveitosas, criativas, positivas e construtivas. Você pode começar já, abraçando um novo caminho de busca interior. Que tal?

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Uma verdade doída é infinitamente melhor do que qualquer ilusão

Muitas de nós vivem em busca de uma realidade que não existe, pois na verdade não passa de uma ilusão. Mas será que não é melhor aceitar a verdade, mesmo que doa?

Você concorda que uma verdade, mesmo que doída, é melhor do que uma ilusão? Aquele filme chamado “Ele não está tão a fim de você” mostra uma situação muito corriqueira na vida de várias mulheres: conhecer alguém novo e imediatamente passar a olhar tal pessoa com os próprios olhos. Isto é: você olha para o outro, mas não consegue enxergar exatamente que ele é, pois enxerga apenas seus próprios desejos, sua carência, e sua idealização de parceiro. Dessa forma, passa a viver uma ilusão, afirmando para si mesma que esse alguém é exatamente quem você vem esperando conhecer há anos e que, incrivelmente, ele está tão a fim dessa relação quanto você – sem avaliar e até sem enxergar exatamente a forma como ele age, quem de fato é o que realmente sente.

O maior perigo desse tipo de comportamento é criar expectativas demais e se machucar constantemente, toda vez que perceber a realidade. E isso acontece normalmente quando o outro vai embora, deixa de atender, ou simplesmente fala a verdade. O choque da realidade com a ilusão criada é cruel. Mas, veja bem, existe nisso um aprendizado incrível: nada e ninguém é como nós imaginamos, as coisas e as pessoas simplesmente são como são. E quando paramos de idealizar, passamos a compreender as situações e as pessoas, aprender com elas. Isso é amadurecimento.

Crescer é aceitar a verdade, por mais que doa

A vida não é um conto de fadas, embora tenha momentos incríveis de felicidade e conexão. E quanto mais estamos despertas para a verdade, mais esses momentos aparecem. Acontece que, na maioria das vezes, estamos tão focadas no sonho, na idealização, que inclusive nos privamos de enxergar a beleza dos momentos corriqueiros. Queremos algo grandioso, mas há poesia no trivial. O que fazer então? O melhor é realmente despertar para a vida, aceitar que cada pessoa é única e que somos diferentes, compreender que nem sempre nossos desejos vão coincidir com as vontades de quem escolhemos para amar e dar-se conta de que a fantasia e a idealização sempre resultam em decepções e frustrações.

Ao entender essa máxima, abrimos nosso coração e aumentamos as oportunidades tanto de conhecer novas pessoas, quanto de aceitar aquelas que conhecemos, como são. Um passo de cada vez, cada verdade doída sendo compreendida a seu tempo, e logo as expectativas serão substituídas por fantásticas experiências. Pode pagar para ver!

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Uma vez despertas, não voltamos a dormir

Abrir nossos olhos para a realidade da vida é um caminho sem volta. Quem desperta, não consegue mais voltar a viver de ilusões.

Uma vez despertas, não conseguimos mais voltar a dormir. Esta frase fala muito sobre autoconhecimento e aprendizado sobre a vida. Quando iniciamos um caminho de entendimento sobre quem somos e a importância que os relacionamentos reais têm em nossas vidas, é quase impossível voltar a alimentar expectativas irreais seja sobre nós mesmas ou sobre o outro. Enxergar e viver tanto a nossa verdade como a da vida e a dos outros é o melhor que podemos fazer. Sempre.

Você já está nesse caminho? Se ainda não deu o primeiro passo, eu te convido: amadurecer pode ser difícil, mas só assim entendemos a verdadeira beleza que há nas nossas imperfeições humanas e nas das pessoas que nos cercam, assim como nos encontros e desencontros da vida. Do contrário, vivemos no mundo das idealizações (de nós mesmas, dos outros, das relações e da vida) – em que as frustrações e decepções são certas.

Mas como iniciar um caminho de despertar para ter relacionamentos reais? O primeiro passo é nos conhecer. Conhecer nossas qualidades e limitações pessoais, entender nossas próprias necessidades – aquilo que realmente move nosso coração – e saber quais são as nossas expectativas sobre os outros e sobre relacionamentos é de extrema importância. Só assim seremos capazes de fugir de grandes erros como: se auto enganar, idealizar pessoas e relações, inventar situações, moldar-se para agradar o outro ou tentar moldar alguém para que se encaixe nas nossas expectativas, interferir nas vontades e desejos do outro.

E sabe o que é mais interessante? Que normalmente nós fazemos tudo isso para fugir da dor e da mágoa, e acabamos sempre sendo magoadas! E isso acontece porque quando estamos com os olhos fechados para a realidade, acabamos sempre escolhendo (e acolhendo) pessoas “erradas”, ou seja, que não estão em sintonia com a nossa verdade. Já quando estamos com os olhos, a mente e o coração abertos para enxergar a vida como ela é, o que ela nos traz e as pessoas como são, vivemos experiências reais, com pessoas reais. Sem fantasias, sem idealizações e sem varrer situações reais para baixo do tapete.

Ainda assim podemos sofrer? Claro. Porque nem sempre teremos nossos desejos e sonhos atendidos, nem sempre seremos correspondidas em nossos sentimentos, e nem sempre os encontros serão favoráveis. Mas serão reais. E se o sofrimento acontecer, será para um aprendizado, para somar. E não porque mais um conto de fadas se desfaz ou mais um super-herói se revelou vilão.

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