Ele não me quis, e agora?

Sabe quando a gente se interessa por alguém e essa pessoa não retribui? Isso pode acontecer até mais do que desejamos, mas faz parte da vida. O que não dá é para romantizar começos que não se desenrolaram e achar que tudo é rejeição!

 

Muitas vezes, como crianças mimadas, temos a pretensão de achar que as pessoas por quem nos interessamos têm que retribuir da mesma forma. Só que, na verdade, não é bem assim. Amor e paixão não são equações exatas. Acontece, e muito, de nos apaixonarmos e não sermos correspondidas, não é? E tudo bem! A história do “ele não me quis, e agora?” não pode virar um drama. E agora, parte pra outra! Bola pra frente! Vida que segue! Há mais sete bilhões de outras pessoas por aí.

Pensando friamente, percebemos que as pessoas são completamente livres para amar e desejar, ou não, tudo aquilo que bem entendem, certo? Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, inclusive de nós! Mas, então, por que é tão difícil aceitar que alguém simplesmente não sente o mesmo que a gente? Por que é mais fácil pensar que estamos sendo rejeitadas do que entender a parte que nos cabe de responsabilidade na hora de enfrentar a situação? Quando alguém não demonstra reciprocidade aos nossos desejos, sentimentos e intenções, cabe a nós respeitar o movimento dessa pessoa. Insistir, persistir e tentar convencer o outro a gostar de nós, além de ser desgastante e frustrante, pode ser pura perda de tempo e de energia.  

Apaixonar-se por alguém e não ser correspondida, fantasiar e romantizar algo que nunca se concretizará, criar expectativas que jamais se tornarão realidade... tudo isso pode ser bastante dolorido. Mas faz parte da vida, não é mesmo? Certamente já deve ter acontecido o oposto com você: alguém se apaixonou e você não. E aposto que, se a pessoa dramatizou a situação ou insistiu por muito tempo, você achou super inconveniente, afinal de contas, você não manda no seu coração! Quando os sentimentos das pessoas são recíprocos, tudo flui naturalmente, sem pressão, sem insistência e sem humilhação.

Dramatizar um amor não correspondido pode ser um sofrimento desnecessário. Ficaria muito mais leve se entendêssemos que nem tudo na vida acontece do jeito que gostaríamos. E sabe de uma coisa? Ninguém tem o poder de nos rejeitar! As pessoas apenas não correspondem a cem por cento dos nossos sentimentos. E quando a negativa do outro nos leva a sentir rejeitadas, certamente esse sentido de rejeição está dentro de nós. Portanto, é algo a ser trabalhado internamente.

Dramatizar a vida não ajuda em nada

Sentir-se no papel de vítima não ajuda a dar a volta por cima. Por outro lado, entender que o “sim” e o “não” são naturais da vida e que os ciclos, sejam de dor ou de amor, existem para nos ensinar a ser melhor e a amadurecer, pode dar um tom menos dramático a um amor não correspondido. Lembrando que, geralmente, quando isso acontece, o pano de fundo é de histórias que nem chegaram a se concretizar. Sofremos por um romance que aconteceu apenas na nossa cabeça. E por uma rejeição que existe apenas dentro de nós.

Você se apaixonou e ele não? Sofra e chore, se necessário. Mas, depois, siga em frente. Não se prenda à fantasia do que poderia ter sido. Não se apegue ao sofrimento. Não cultive o sentimento de rejeição. Não se acomode no papel de vítima das escolhas dos outros. Não se feche para novas oportunidades. Volte para a realidade. Encare as verdades de frente. Se não deu certo é porque não era para ser. A vida continua. E há outros amores por descobrir, sempre.

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Quem aí gosta de controlar?

Um dos nossos maiores erros na vida é acreditar que podemos controlar tudo que nos acontece. E, quando o inesperado chega, nos sentimos sem chão, não é mesmo? Mas que tal tentar aceitar que o mais belo da vida é a surpresa?

Acreditar que podemos controlar tudo (e até todos) a nossa volta nos traz muitos problemas. Alguns deles são: o desgaste, o desperdício de energia e a perda de foco, sem contar com ansiedade, fobias, estresse e, em um grau mais elevado, até depressão. A verdade é que não podemos controlar absolutamente nada que está fora de nós. Nada. E nem ninguém. Portanto, o melhor que podemos fazer é exercitar a aceitação do desconhecido e o entendimento de que o melhor da vida está no inesperado, naquilo que pode nos surpreender.

A grande questão é que acreditamos, lá no fundo, que tendo controle sobre as coisas, pessoas e situações, evitaremos o sofrimento. O ser humano foge, com todas as suas forças, daquilo que possa machucar e provocar dor. Mas quem garante que o controle realmente é capaz de evitar o sofrimento? A tentativa de controle, especialmente sobre outra pessoa, pode inclusive ser a causa de sofrimentos desnecessários. Não temos como nos blindar o tempo todo contra forças contrárias, pessoas desafiantes, comportamentos alheios que nos causam desconforto, contratempos e negativas.

A vida é feita de altos e baixos, alegria e tristeza, tempos de paz e tempos de turbulência. Enquanto os primeiros nos confortam e nos trazem alegria, os segundos nos tiram da zona de conforto, mas podem ser incrivelmente engrandecedores. Não que seja possível aprender somente quando estamos sofrendo, mas é certo que a dor é um burilamento da alma, pois nos ajuda a repensar fatos e situações, nos leva aos nossos limites, testa nossa paciência, nossa força e nossa resiliência. E quando saímos dela, nos tornamos inevitavelmente mais fortes e maduras e, se soubermos viver a tormenta em sua totalidade, ainda ganhamos em autoconhecimento.

Você gosta de controlar?

Pare por um instante e responda sinceramente à essa pergunta: O que exatamente você acha que pode controlar, além de si mesma e de seus próprios pensamentos? Pois vou te contar duas coisas: 1) o controle não passa de uma ilusão e 2) boa parte do seu sofrimento está sendo causado por você mesma.

Controlar tudo não é possível. Criar expectativas, então, é o caminho certo para a decepção e a frustração. Em vez de se desgastar tentando controlar os acontecimentos da sua vida e as pessoas do seu convívio, tente viver um dia de cada vez. Tente acolher o que vem. Tente experimentar o inesperado, acreditar que a vida e as pessoas revelam muitas belezas na surpresa. Saindo da ilusão do controle, é possível aprender a arte de alegrar-se com a beleza do que vem ou a lidar com a feiura do que aparece – na hora certa. Um dia de cada vez.

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